Pés
de Anjo - por DoceNicka e Beattrice
A chuva caía pesada, meu olhar meio perdido acompanhava as
gotículas na janela, quando a campainha do Yahoo Mail tocou...
Virei-me, estava frio, e meus pés envolvidos em meias de lã
branquinha espreguiçaram-se...
Abri a caixa de entrada, não conhecia o remetente... Curiosa,
comecei a lê-lo:
Assunto: rapaz com pés de anjo
"Oi tudo bem? Vi seus dados no site vorage de podolatria. Se
você quiser conhecer um pezinho masculino bem tratado lindo e
bem macio (de acordo com as mulheres) me escreva. Diz pra mim...
O que você curte fazer num pé? Um beijão. Pés de Anjo.”
Fiquei ali, surpresa, meio congelada (tal o frio e a
surpresa)... Respondi assim...
"Estranho... pois eu não vi nadinha sobre você, nem no site
vorage de podolatria, nem em algum lugar perdido. Por quê?
Explica em detalhes pra mim..."
E enviei. Fiquei ali, alguns minutinhos parada diante do micro,
pensando em como o tal “rapaz” havia me contatado. Ler as
mensagens do grupo diariamente acaba me deixando íntima de todos
aqueles nick names exóticos... E aquele com certeza eu nunca
vi. E quando já estava pronta para voltar à minha “observação
da natureza”; ouvi mais uma vez o sinal do Yahoo Mail e
obviamente curiosa, imediatamente abri.
Você não me conhece, ainda;... Eu sou a resposta ao seu desejo,
de nenhum outro mais, por isso não me manifestei para mais
ninguém. Fico ainda mais interessado em saber que você é uma
mulher seletiva e cuidadosa. Mas... Você não disse ainda o que
gostaria de fazer com eles... Beijão, Pés de Anjo;
E ele acabou não dizendo nada pensei, mas... Curiosamente gostei
do joguinho. Como eu também não sou mais que um” nick name” no
grupo, resolvi não me estressar tanto assim, e me entregar à
deliciosa paquera, se é pra dizer o que desejo... Vamos lá!
Deliciosamente me encolhi na poltrona... o frio aumentava...
precisava de algo para me aquecer, ah! lembrei daquela garrafa
de vinho tinto na adega, mas só em pensar em me levantar,
arrisquei-me e levantei rapidamente, espreguiçando-me.
Queria pensar aquecida e após o primeiro gole, já de volta ao
ninho (a poltrona) fechei os olhos, sorvendo aquele néctar...
pensava no que eu poderia querer de alguém assim um
desconhecido, e comecei a escrever para não passar algo que
assustasse o dono daqueles Pés de Anjo:
"Fantasiando desejos
Olhe-me nos olhos e me deixe sentir minha boca invadida pela sua
tão gulosa, afoita e quente.
Imagino sentir o toque de suas mãos deslizando entre meus
cabelos num afago.
Minha pele lisa e hidratada sentindo o seu toque e seu abraço
envolvendo meu corpo num abraço forte.
Minhas fantasias se misturam nas suas, algo maior que domina
minha razão, quero fazer coisas e sentir outras.
Me arrepio ao pensar que possam ser realizadas... sinto medo...
de me ver despida, e entregar-me ao prazer, sentindo ser
possuída e provocada.
Entrego meus pés ao prazer, e você os toma, com uma gula
insaciável... você me toca, meu corpo reage e cresce o desejo de
mais e mais.
Meu corpo clama por prazer, sinto algo invadindo-me, sem
controle, não grito e meu gozo explode num prazer tão intenso...
que não consigo balbuciar uma palavra sequer, e as lágrimas
rolam, molhando minhas faces... e você as seca com seu rosto e
me envolve um abraço, agora só eu em você."
Respirei fundo e cliquei "enviar". Pensando, seja o que Deus
quiser... Voltei à poltrona, e confortavelmente nela, continuei
a beber meu vinho. E mentalmente, relembrei cada palavra da
fantasia descrita ao estranho. Desnudei minha alma, me
entregando ao prazer.
O olhar perdido lá fora... O barulho da chuva que cai, a
lembrança da fantasia descrita... Tudo! De repente me vi
envolvida e sem perceber o sono veio me abraçar.
Acordei meio zonza, meio sem entender onde estava, não era a
minha caminha... A casa toda apagada, e a única luz vinha do
computador que parecia chamar: "Vem?!"
A cartinha no cantinho da tela, constava que havia uma mensagem.
Espreguicei-me gostosamente, como uma gata manhosa, antes de ler
o que havia por lá... Sorri sem perceber... O que será que ele
achou? E abri então minha caixa de entrada. A mensagem realmente
era dele, e dessa vez continha um anexo.
"Que delícia é me ver em seus sonhos, fechar os olhos e
materializar-me ao seu lado. Sentir teu aroma suave e tocar tua
pele hidratada...
Acariciar tuas pernas e tomar teus pés entre as minhas mãos
enfim sugá-los com volúpia, com necessidade, o teu prazer que me
alimenta e me excita mais e mais.
A visão do teu prazer é um presente, e o estremecimento do teu
corpo em gozo a minha glória!
Necessito do teu gozo nesse momento como necessito do ar que
respiro agora. Eis meu telefone, não deixe de ligar, por favor".
Logo abaixo da mensagem havia uma foto. Um homem moreno, meio
calvo e com um lindo sorriso. Parecia ser alto, sentado
relaxadamente em uma poltrona, vestindo apenas um short, os pés
cruzados sobre uma banqueta, mostravam a perfeição daquelas
curvas, os dedinhos bem feitos, o dorso do pé peludinho... Que
homem! Pensei...
E ali fiquei pensando, ligo não ligo... mas a visão daqueles
dedinhos torneados, cada curvinha a provocar meu instinto felino
me deixaram deliciosamente excitada... o que eles poderiam
provocar... e as pernas dele, uiiiii, tão peludas quanto o
dorso... e pensando fui pegando o aparelho sem fio para não ter
que me mover... estava aflita e queria pelo menos ouvir a voz
dele.
Tomei mais um bom gole de vinho, suspirei e tomei atitude certa,
liguei. Alô anjo! é você o dono daquele lindo par de pés que me
deixaram sem ar? Ele riu... doce menina, que bela voz você
tem... sim sou eu Roberto. Eu corei, sentia o rosto queimando,
efeito do vinho? Não! Do que a voz dele estava a me provocar...
eu ri, claro, e em seguida disse que a dele também era muito
agradável. Passadas frações de segundos ele perguntou-me como eu
gostaria que ele me chamasse, no que prontamente respondi,
Roberto me chame de Nalu. Disse-lhe que na verdade eu havia
pensando muito em ligar, depois de ler sua mensagem e unir meu
desejo à realidade ao ver a sua foto, eu cheguei a sentir seus
dedos deslizando-se vagarosamente pelas minhas pernas e tocando
meu pés, foi algo incrível.
Meu desejo era deixar todas as amarras, soltar a razão, e me
deixar levar pela emoção.
Bem Roberto, agora estamos unidos pela emoção e desejos mútuos,
o que você sugere? Eu, sentia meu corpo pulsando, como uma febre
tomando conta de mim, e desejando que ele se apropriasse dos
meus pés, do meu corpo e de minha mente...
Nalu feche os olhos e apenas ouça a minha voz, por favor! E
assim eu fiz, ouvindo apenas a nossa respiração e voz grave e
suave de Roberto. O barulho da chuva forte lá fora, e os
eventuais clarões dos relâmpagos, davam um toque ainda mais sexy
àquilo tudo.
Onde você está agora, ele perguntou. Estou sentada em uma enorme
poltrona, confortavelmente acomodada, esfregando meus pezinhos
guardados em minhas meias de lã bem quentinhas, roçando um no
outro para espantar o frio... Hummmmmmmm... ele gemeu do outro
lado da linha. Quero que imagine o meu rosto a seus pés, e você
pode roçá-los em minha barba que está por fazer a esta altura
da madrugada...
Imaginei-o despindo meus pés das meias, e enfim roçando-os em
seu rosto, que com os olhos fechados, sentia o toque dos meus
dedinhos em sua face.....
Eu estou de joelhos a seus pés, ele dizia com sua voz rouca e
suave, e a sensação de seus pés em meus rosto é inacreditável,
estou muito, muito excitado , começo a lamber cada um dos seus
lindos e delicados dedinhos, um a um, sem pressa, você se
deliciando com o calor da minha língua em seus pés gelados,
quero aquecê-los em minha boca, colocá-los todos de uma só
vez... para que você possa sentir os meus dentes, bem de leve ao
redor dos seus dedos...
Eu senti um arrepio na espinha, estava excitada em imaginar tudo
aquilo, me contorcia na poltrona ouvindo aquelas palavras...
Deixei-me levar pelo momento ousando meus limites, sentia minha
libido dominando meu corpo, encharcando-me com sensações as mais
profundas, revirando meu interior... e a voz de Roberto sensual,
sentia a ponta de sua língua quente me tocando... queria gemer,
gritar, alcançar meu vôo.. queria estar com ele naquele momento,
em meu ninho... e lhe disse que estava sentindo sua barba
espetando-me e proporcionando um prazer inenarrável..
deliciosamente minhas mãos escorregaram para baixo e fui me
tocando, calmamente...
A sensação real do toque de
Roberto, mordiscando meus dedinhos... sua barba roçando meus
tornozelos me arrepiaram, não só por dentro mas minha alma
transbordava satisfeita. Delicadamente movimentei meus pés como
se os direcionasse aos lábios dele. Uma sensação gostosa do
calor daqueles lábios carnudos se deliciando... movimentos leve
e gemidos... meu coração acelerou... nossa... senti minha voz
sumir... gemendo tentei balbuciar algumas palavras, e Roberto só
sussurrava, meu anjinho, que se passa? você está bem? Fale-me
doce menina... eu tentava, até porque a sensação de prazer
consumindo meu corpo me impedia... mas consegui gemer mais alto
e naquele momento ele entendeu o que se passava. Sussurrando eu
lhe disse que estava envolvida pelos carinhos que ele me
proporcionava e que eu o sentia bem mais próximo.
Não sei bem como nem porque, só
me lembro que Roberto me pediu meu endereço... e eu passei sem
pensar duas vezes... Sua voz doce me acalentava e me pediu
apenas alguns minutos para estarmos juntinhos e ter uma noite
aconchegante e prazerosa.
Dei um pulo do sofá, uma olhada rápida na sala, almofadinhas no
lugar, e corri para tomar uma boa ducha e me preparar... A água
caia morna na minha pele, mas tinha que correr contra o relógio,
passei meu sabonete líquido, e abri o chuveiro.... delícia... me
sequei rapidamente, meus pés pedia meu hidratante favorito,
contendo kiwi e melão... e assim enfiei-me no meu macacão
pretinho básico de fecho-eclair nas costas.... e a sandália
preta com pedrinhas brilhavam...
A sala estava em ordem, apenas um
abajour quebrava a escuridão. Acendi um incenso de maçã-verde, e
preparei a mesa, com mais vinho, torradinhas, geléia de damascos
e queijo brie. A campainha do interfone tocou triiiiimmmm,
respirei fundo, calma, eu falava alto para mim mesma, calma, e
atendi, alô... eu Roberto, abra a porta meu anjo... e liberei...
agora era esperar que tudo estivesse do agrado dele, inclusive,
eu!
Esperei o elevador chegar e ouvi
seus passos... bisbilhotei pelo olho mágico... era ele...
igualzinho a foto... só que menos calvo... o brilho dos
grisalhos... abri a porta.
Boa noite meu anjo, ele me
cumprimentou com suas mãos fortes entrelaçando-me pelo quadril e
trocamos nosso primeiro beijo.
Meio sei jeito, pedi que ele
entrasse e ficasse à vontade, direcionando minha mão ao sofá.
Aliás, eu não sabia aonde colocá-las, e sentei-me a seu lado.
Ele me disse que estava muito só,
e que ficou curioso demais para saber o que eu tinha imaginado
em relação a um par de pés masculinos...
Ri, para disfarçar meu
nervosismo, tossi discretamente, e tentei começar, bem...
Roberto... foi algo sem um objetivo maior, apenas fui dar uma
olhada no site indicado e deixei um comentário... acho que
fisguei você pelos pés, não? ele sorriu, e olhando nos meus
olhos, aquele brilho no seu olhar me deixaram por instantes
paralisada.... (tentei raciocinar, mas a razão brigava com a
emoção... me sentia terrivelmente atraída por ele, pela sua voz,
seu jeitinho doce... e) encarei-o, firme também no olhar ... e
nos abraçamos com uma troca de energia fantástica e um beijo
delicioso....
Hummmmm... rimos, vamos brindar
nosso primeiro encontro? sugeri. Ele prontamente levantou-se e
serviu-nos... um brinde a nós, à noite fria e aos pés que nos
aproximaram... Saúde!
Brinquei com Roberto... não está
bom... abaixei meus olhos direcionando-os aos pés dele... e
disse: - “Roberto, desamarre seus sapatos agora! ele não
discutiu, abaixou-se e eu também, queria participar de cada
momento até descobri-los e prová-los... puxei-o sutilmente ao
sofá, onde ele se acomodou, e derramei um pouco de vinho e claro
provei o belíssimo dedão do seu pé. Era lisinho, a unha polida
reluzia exatamente como desejara horas atrás. Declinei no prazer
em descobrir cada milímetros daqueles pés, o vinho era
desnecessário apenas um motivo para tocá-lo, estava ansiosa
demais... virei-o de costas para que eu pudesse dominar
totalmente a situação... e me saciei das solas, calcanhares, e
por momentos massageava e noutros lambia com muito prazer.
Realmente eram tal como pés de Anjos, ele não havia mentido para
mim.
Agora sim Roberto, complementamos
o nosso brinde. Mas ele me segurou mais forte pelo braço, e
reagiu, não Nalu... ainda não... pegou meu pé, arrancou-me as
sandálias, e encostou suavemente seu rosto na sola do meu pé.
Aiiiiiiiiii, eu não acreditava, a sensação da barba, por fazer,
se tornou real. Eu não sabia o que dizer... o calor dos seus
lábios... sua língua atrevida entre meus dedinhos... rolamos no
sofá até o dia amanhecer, como o sol invadindo a sala.
Ele me acordou com um bom dia,
minha princesa, vou preparar um café para nós... eu respondi sim
querido anjo ... vou ligar a hidromassagem e preparar um banho
bem gostoso com sais para nós.
O encontro não ficou apenas
ali... passávamos todos os finais de semana assim, juntinhos...
às vezes em minha casa, às vezes na dele, ou em uma cabana no
alto da serra. E assim, descobrimos uma doce amizade de pés
juntos, é claro.
Publicação:
www.paralerepensar.com.br -
18/03/2005