A bússola de todos os tempos
Por Alessandra Leles Rocha
Berço da mais ampla e valorosa
diversidade cultural, ainda sim, falta ao Brasil desenvolver
um caminho mais tênue entre a educação e a literatura.
Nessa ânsia contaminada da tecnologia,
dos consumismos e estrangeirismos, o cidadão brasileiro desde
a mais tenra idade se distancia do prazer e da importância de
ler. Dessa forma lê-se pouco; grande parte da população não
chega a ler dois exemplares ao ano! E não há meio mais eficaz
na confecção dessa primeira pele, a cultura, do que se
entregar no mergulho mais pleno dentro do universo literário;
tudo está ali, ao alcance dos olhos e da alma, todos os
assuntos e lições.
Absortos na mesmice vulgar de nossos
achismos, impenetráveis ao toque sutil e mágico das palavras,
deixamos de evoluir e aceitar a comunhão concordante ou
discordante das opiniões ali existentes. Até mesmo a solidão,
que teima em rondar tantos transeuntes da vida, diante dos
livros ela se transforma em festa, num estádio lotado que faz
o corpo e a mente delirarem.
Sei que há gente série e competente,
bradando e agindo nessa luta vital; mas, as idéias e os
projetos parecem caminhar a passos lentos e desconexos, meio
que sem forças. Nossas escolas, celeiros do saber, deveriam se
impor com mais veemência nessa cruzada intelectual, propor-se
a incutir aos primeiros raios de vida a sementinha da leitura.
Crianças, o sorriso do Criador para a humanidade, são elas o
solo perfeito para fazer dessa nação um exemplo de público
leitor assíduo e contagiar os adultos ao seu redor.
Quando estimulada verdadeiramente e com
acesso facilitado aos programas culturais, a população
brasileira revela seu interesse e sua necessidade de vivenciar
de perto tais expressões. É assim com o Carnaval, o Frevo, o
Carimbó, os teatros de arena, a exibição de filmes nas praças,
a literatura de cordel, a Folia de Reis, o Congado,... só
falta mesmo a base sólida de construção desses valores
culturais – a Literatura. Ela é a bússola orientadora da nossa
identidade cultural que destaca nossas predileções, nos faz
críticos, contestadores de nossas expressões, conscientes
sobre a vida e a história em todos os tempos. Segundo Castro
Alves1,
o poeta dos escravos, “Bendito, bendito é aquele que semeia
livros, livros a mão cheia e manda o povo pensar; o livro
caindo na alma, é germe que faz a palma, é chuva que faz o
mar”.
1
É o principal nome da
poesia no século XIX, sua obra se caracteriza pela
grandiloqüência e pelo uso de figuras de linguagem, tais
como antíteses e hipérboles.
Alessandra
Leles Rocha