-
A
insustentável leveza da arte
-
-
Por Alessandra Leles Rocha
-
-
Dois mil e oito e suas surpresas! A história desse ano
será escrita por grandes e importantes acontecimentos.
-
Depois da saída de Fidel Castro da liderança política de
Cuba, agora é a vez da Coréia do Norte surpreender o mundo
ao receber pela primeira vez a Filarmônica de Nova York para
uma apresentação em sua capital Pyongyang.
-
Outra nação marcada pela rivalidade geopolítica da Guerra
Fria, os coreanos do norte ainda se mantêm orientados pela
doutrina socialista e fomentando rusgas freqüentes contra os
norte-americanos e seus simpatizantes. O mal-estar entre
eles chegou ao ponto de serem considerados pelo presidente
dos Estados Unidos da América, George W. Bush, como membros
do Eixo do Mal, ao lado de países como o Irã e o Iraque, os
quais não perdem oportunidade de ameaçar o mundo com armas
nucleares.
-
Embora paire no ar uma gigantesca nuvem de conjecturas e
especulações ao redor dessa mudança repentina de atitudes, o
gesto coreano repercutiu muito bem. Felizmente, mais uma
vez, a arte foi capaz de dissipar por algumas horas o rigor
ideológico e trazer à tona a beleza de duas culturas tão
diferentes.
-
O som da música ecoou muito além do teatro onde foi
apresentada; na verdade, ela fez vibrar milhares de corações
dentro e fora daquele país. A humanidade já foi marcada por
tantos conflitos, uma carnificina absurda e totalmente
desnecessária, que hoje ela se rende perplexa de felicidade
a qualquer aceno ou lampejo de civilidade e paz. Toda
iniciativa de se depurar ações e pensamentos é um passo
firme e louvável na construção, ou melhor, na reconstrução
da grande esfera terrestre. Não basta cuidar apenas do Meio
Ambiente e esquecermos do homem e seus problemas; é
transformando-o em ser humano, destilando suas ressonâncias,
que a engrenagem da vida terá alguma chance de funcionar
direito.
-
Venha de onde vier que a sensibilidade da arte
devolva-nos os rumos da razão e ofereça-nos doses generosas
de liberdade, igualdade e fraternidade. Do mesmo solo que
sangue e lágrimas um dia regaram, há espaço para florescer o
milagre da vida em toda a sua dimensão, porque o grande e
magistral artista, o Sol, apesar de todos os pesares jamais
deixou de apresentar o seu espetáculo e de perpetuar a
esperança de um novo e magnífico amanhã.
-
- Alessandra Leles Rocha
-
-
-
|
|