Até quando?
Por Alessandra Leles Rocha
Estou certa de que milhares de
escritores já manifestaram suas opiniões sobre a perda ou a
iminência de se perder alguém de nossa estima. Mas, por mais
que se tenha lido a respeito não há como dimensionar nossos
próprios sentimentos sem viver tal experiência.
Impactante, doloroso, cruel,
angustiante,... toda uma infinidade de vocábulos nos preenche
a alma no sentido de nos definir os acontecimentos. Viver é
colecionar ao longo dos anos amigos, momentos, lembranças,
saudades sem na maioria das vezes se ater na efemeridade do
tempo. Particularmente com o lado doce e delicado da vida
fazemos questão de eternizá-lo, congelá-lo sem arranhões e
surpresas no cofre da memória para que todas as vezes que se
fizer necessário nos aconchegar está ali ao nosso alcance. E
diante da teimosa revolução dos segundos, na qual o relógio só
nos faz correr para vencer os desafios do cotidiano e cumprir
a sagrada missão de ganhar o pão de cada dia, vamos
postergando a convivência, o desfrutar da companhia, o renovar
dos bons momentos. Quantas vezes a saudade de tudo isso chega
a rasgar o coração? Mas, novamente, somos vencidos pela
arbitrariedade do dever.
Assim com displicência os dias se
passam, as distâncias se cronificam, as amizades se restringem
aos mais próximos, ou seja, os que a vida se encarrega por
momentaneamente ficarem ao nosso redor; até que o inesperado
nos bata à porta. O tempo se esgotou, não pôde esperar uma
parada em nossa vida assoberbada, e levou nossos amigos sem ao
menos podermos nos despedir. Mesmo, quando ainda resta um
fiapinho de horas para desfrutarmos de sua companhia, a
consciência dói pela certeza de que poderíamos ter estado
juntos por mais tempo e não brigamos por esse direito.
É! Temos andado esquecidos ou um tanto
quanto alienados em relação à nossa condição de seres de carne
e osso. Alternamos como o clima entre bons e maus dias, a
qualquer momento podemos ser surpreendidos por tempestades e
desolações! Nossa realidade cada dia mais deixa evidente que
os instantes vividos podem ser os últimos; por isso, não
devemos nos privar do convívio com aqueles que queremos tão
bem. Sejamos fraternos, solidários, companheiros em todas as
horas, como se não houvesse amanhã e a vida pudesse nos
escapar num simples piscar de olhos. E se tivermos que chorar,
seja pela saudade e nunca pela convicção do dever não
cumprido; afinal, somos todos responsáveis por aquilo que
cativamos.
Alessandra
Leles Rocha