Compatibilizando as diferenças
Por Alessandra Leles Rocha
O mundo pode até ter se desviado de
caminho sob muitos aspectos, mas havemos de concordar que
preceitos básicos para uma boa convivência em sociedade
jamais deveriam se perder. Respeito, boas maneiras,
limites, cordialidade etc.etc.etc. foram, são e sempre
serão quesitos indispensáveis.
Quando abrimos um jornal ou uma
revista, ou ligamos a TV, por exemplo, e nos deparamos com
tantos atos absurdos e destrutivos, na maioria das vezes,
deixamos de percebê-los e enxergá-los como de fato são e o
porquê de sua ocorrência. Da simples perturbação da ordem
e do silêncio, cometidos com freqüência nos centros
urbanos, a terríveis seqüestros e ataques terroristas,
tudo parte dos mesmos princípios. Desde crianças ouvimos
repetidas vezes que “o que não desejamos para nós, não
devemos desejar aos outros”, “o meu limite termina aonde
começa o do outro”, “respeitar os mais velhos, porque um
dia teremos a mesma idade deles”,... mas, infelizmente,
muitos de nós não interiorizou tais ensinamentos e vive
seus dias na mais plena individualidade e egocentrismo. O
resultado desse comportamento em termos de coletividade
não poderia ser diferente: um duelo mortal de egos,
vontades, poderes, desaforos.
Para nenhum indivíduo em sã consciência
é impossível compreender quando suas atitudes estão
passando do tolerável e conduzindo-o à beira de graves
conflitos, que poderiam facilmente ser evitados. Vejam as
mortes no trânsito! Existem leis reguladoras para a
população, mas há quem as desrespeite e coloque a própria
vida e a dos demais em risco por achar que dispõe do
direito absoluto de extrair do seu veículo o máximo da
potência e da velocidade e se considera perfeito
motorista, acima das falhas ou deslizes, mesmo quando
alcoolizado ou drogado. Por isso é tão difícil conseguir
da sociedade a retomada verdadeira de seus rumos. Enquanto
fingirmos não haver nenhuma correlação, nenhum efeito
cascata, entre nossas atitudes triviais e o somatório
dessas singularidades ao nosso redor, nada de efetivamente
renovador se abaterá sobre a humanidade.
Será que nossa sina será sempre
guerrear? Que nossos olhos preferem bombas e sangue ao
invés de fogos de artifício e sorrisos? Está na hora de
acordar para a vida, cuidar de você, dos que você ama, do
seu trabalho, dos seus sonhos, dos seus projetos, do seu
humor, do seu lixo, do seu planeta. Todos alternamos bons
e maus momentos, euforias e tristezas, dores e bem-estar;
mas, é possível sim viver em harmonia, compatibilizando as
diferenças, as neuras, as esquisitices. Então, viaje ao
seu interior, resgate na sua infância aquela coleção de
palavrinhas mágicas – “por favor”, “obrigado”, “com
licença”, “desculpa” – e rompa, de uma vez por todas, esse
círculo de tribulações. No melhor ou no pior seremos
sempre iguais, por isso é sábio escolher uma posição para
não se arrepender quando a roda da vida girar.