De rosto colado; de alma feliz!
Por Alessandra Leles Rocha
Mais do que grandes gestos de
altruísmo, nosso planeta tem carecido mesmo é de coisas
simples, corriqueiras, essenciais, como por exemplo, o abraço.
Render-se aos laços de grandes, fortes e intensos abraços não
tem sido comum. Deixar coração com coração se tocar, pulsar
num mesmo ritmo e sentir fluir da união dos corpos o calor
sagrado da existência faz falta a cada ser humano que se
preze.
Encapsulados em nossas tradições,
valores, perseguimos dia a dia a conquista de nossos espaços e
sonhos, afoitos numa rigidez inigualável que, sem querer de
fato, vai corroendo os sentimentos mais puros e delicados de
nossa essência humana. Perdemos a rédea de nosso próprio tempo
e vagueamos às cegas, sem sorrisos, sem abraços, sem olhares,
sem carinhos, sem doces palavras, sem nos exteriorizar; como
se qualquer manifestação assim pudesse interromper nosso ciclo
vital e produtivo.
Imposições sócio-culturais iniciaram
esse massacre da condição humana, mas somaram-se ao longo do
tempo a Revolução Industrial, ao consumismo, a priorização do
“ter”, a ultra competitividade. Transformamos nossa estada
neste planeta em uma vida artificial, com inteligência e
emoção artificializadas pelos comandos de um universo
tecnológico criado por nossa própria mente brilhante. Mas,
apesar de tudo, de tantas “conquistas” nosso cerne parece em
frangalhos, dilacerado, faltando pedaços importantes.
Onde está à comunhão, o aconchego, o
afeto, a sensibilidade? Como abraçar, se ficamos tão sós?
Essas e tantas outras questões, que se afloram no silêncio de
nossa individualidade, acabam por refletir a dimensão de nossa
auto-piedade. Sim! Chegamos à condição de não termos ao menos
quem se compadeça de nós! Cada um vive a suprir suas próprias
necessidades, a velar suas próprias fragilidades, a almejar
solitário novos dias. Enfim, o retrato triste e sombrio, sem
fronteiras ou etnias, da raça humana; aquela tida como
superior e perfeita.
Temos procurado tão desesperadamente a
solução de nossos erros e equívocos, sem percebermos que ela
sempre esteve dentro de nós. Então, abracemos a vida, os
sonhos e todos os nossos companheiros dessa grande viagem.
Somemos nossa fé, esperança, caridade e amor em prol de tudo o
que existe. Abramos os olhos, os sorrisos, o coração e a mente
para verter luz e força na execução de nossas missões. Usemos
todos os sentidos – olfato, audição, paladar, visão e tato –
para romper as algemas e o cárcere da infeliz solidão. O
terceiro milênio há de ser escrito com a simplicidade e a
beleza do arco-íris, a perfeita aliança entre o Criador e sua
obra.
Alessandra Leles Rocha