Em meio às borboletas
Por Alessandra Leles Rocha
Pode até ser que em razão do tumulto da
vida moderna não demos tanta importância à chegada da
Primavera. Mas, no fundo no fundo, ainda sim sua aparição
transforma o ambiente de tal maneira que acabamos sendo
envolvidos por sua atmosfera terna e delicada.
Primavera é sinônimo de vida pulsando,
dando o ar de sua graça, para que todos sem exceção realizem
sua metamorfose e se revelem lindos, leves e soltos prontos
para amar e ser feliz. Tudo se enche de cor e perfume, os dias
se tornam muito mais iluminados e a energia que circunda a
Natureza realiza seu processo de fluxo para limpar e renovar
quaisquer impurezas persistentes. É como se um jato de luz e
água viesse de encontro ao nosso corpo e conseguisse purificar
até nossa alma, restituindo nosso equilíbrio e bem-estar,
criando um escudo de proteção contra as sombras e escuridões
do cotidiano.
É! Só a Mãe natureza para ser capaz de
nos livrar de nossas carapaças tão rígidas! Temos nos
envolvido tanto no redemoinho da modernidade que não são raras
às vezes a nos esquecermos de respirar, de sorrir, de meditar
sobre nossos caminhos, de permitir a existência de algo mais
além de outonos e invernos. Sem Primavera padeceríamos de uma
ensandecida asfixia melancólica, onde os segundos rastejariam
em busca de lógica e a existência cumpriria sua sina
pré-robotizada.
Diante disso, respeitando a perfeição
cíclica da Criação, mesmo quando tanta coisa parece fora do
lugar hoje em dia, temos a honra de desabrochar todos os anos
em meio às borboletas. Renovar, ressurgir, dar vazão ao melhor
de nosso potencial em parceria com a Natureza, não é pouco
não! Esse recarregamento de energia vital abre nossa visão e
nos dá a devida dimensão de quem somos, de nosso papel na
sociedade. Por isso, na Primavera nossa sensibilidade, mesmo
que inconsciente, se aflora e nos faz sentir mais integrados à
grande teia da vida, arrebatados pelo amor puro e singelo que
se espalha por todos os lugares e é impossível de resistir.
Alessandra Leles Rocha