A casa dos grandes pensadores
 
 

ALESSANDRA LELES ROCHA

Frágil resistência!

 
Por Alessandra Leles Rocha
 
De fato a história é cíclica! Mas, lamento profundamente no que tange as relações humanas ela não ter conseguido extrair mudanças significativas no modo de ver, sentir, compreender e aceitar a mulher dentro da sociedade.
O que adianta nascer “princesinha” e tão logo perceber que todos os caminhos nos levam aos borralhos da vida? Infelizmente, milhões de anos se passaram desde que os homens arrastavam suas esposas pelos cabelos, mas a forma de tratar a mulher ainda persiste rudimentar e grotesca para muitos trogloditas de plantão. Seja velada ou explicitamente a sociedade carrega em suas origens a chaga machista, na qual o princípio legítimo e inconteste da igualdade entre os seres humanos, especialmente entre homens e mulheres, está distante da compreensão, do aceite e da valorização. Por isso, todas as vezes que buscamos propagar e consolidar essa verdade sentimos nossas asas sendo quebradas ou aparadas; uma tentativa desesperada de impedir o desenvolvimento de nosso potencial e de podermos contribuir mais significativamente para o progresso da sociedade.
Somos mulheres com M maiúsculo, de guerra e de paz, de sorrisos e lágrimas, de dia e noite, de sol e lua, de vida e morte; por isso, desejamos a igualdade em toda a sua expressão. Ninguém nesse mundo faz mais do que lhe é possível fazer, não importa se homem, mulher, homossexual, idoso, criança! São nossos cérebros, nossas vontades, nossas divinas aptidões físicas e intelectuais que nos abrem um ou infinitos caminhos. O importante é dar vazão ao trabalho, agregar as forças, os sonhos, às mãos e declarar que os preconceitos estão fora de moda e de lugar. A olho nu, aquelas diferenças eventuais tornam-se meros detalhes, charmes irresistíveis para que a vida não caia na rotina, na mesmice e haja sempre espaço para o brilho das novidades.
Se somos maioria, se diariamente expandimos, quase que a fórceps, nossas fronteiras e papéis dentro do globo; então, não podemos jamais concordar ou permitir que milhares de barreiras ideológicas, frutos de longos e tenebrosos discursos de persuasão e opressão, venham nos impedir de ousar olhar além de nossos próprios olhos. Tijolo a tijolo, como sempre fizemos, haveremos de consolidar novos rumos, novas aspirações, a título de beneficiar a coletividade e resgatar nossa vida, nossa alma e nossa dignidade. Esse é o verdadeiro rosto do que costumam dizer por aí sobre a fragilidade mais resistente que existe: a mulher!
 
Alessandra Leles Rocha
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br - 04/03/2008