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Os novos Bárbaros
Por Alessandra Leles Rocha
A humanidade tanto fez que conseguiu assumir de vez seu lado
mais animalesco e brutal de viver em sociedade. Distante das
arenas cristãs, das fogueiras medievais, das guilhotinas e dos
paredões de fuzilamento, as praças de tortura e condenação estão
à disposição em qualquer lugar.
Basta o menor sinal de loucura para que
lancemo-nos uns aos outros à fúria de bestas-feras humanas e
animais. Mulheres que tanto têm batalhado por sua dignificação
de direitos na sociedade, estão à mercê das sumárias
escravizações e abusos da mentalidade tacanha e machista que
impera ainda nesta civilização. Um dissabor terrível
experimentado por elas desde a infância!
Seres humanos enjaulados no cárcere
deformado da correção, meliantes entregues à distorção dos
direitos humanos para que nestas condições sejam reabilitados e
re-inseridos na sociedade. O modelo caótico da punição social
que não pune o delito ou crime, mas pune a simples existência do
cidadão, como se indivíduos dessa estirpe tivessem mesmo que ser
exterminados de algum modo da sociedade. De venda nos olhos, a
Justiça não vê o que se passa além do papel e não se move em
defesa do justo e correto à vida do condenado, por pior que
tenham sido as ações cometidas pelo réu.
Nas vias públicas pessoas são
surpreendidas ao ataque de cães ferozes, abandonados pelos
próprios donos conscientes e temerosos da responsabilidade
criminal que lhes recai no caso de incidentes a terceiros. Um
espelho moderno do que faziam os leões nas arenas romanas, com a
diferença de que hoje as vítimas são escolhidas ao acaso da
própria infelicidade. E quando não são os animais, são as
gangues e milícias do terror a derramar o sangue silencioso de
inocentes. Gays, lésbicas, negros, mendigos, índios,
prostitutas, portadores de necessidades especiais, qualquer um
deles torna-se alvo fácil ao sopro mórbido da delinqüência atroz
desses novos bárbaros.
O fato de o tempo passar, dos dias
cumprirem seu próprio destino e da história escrever
ininterruptamente seu diário de memórias parece não significar
nada aos olhos da humanidade cega e ensandecida. É como se lá
nos primórdios da civilização um germe nocivo e contagiante
tivesse tomado de assalto à alma humana e ordenado aos cérebros
mais rudimentares comandos de extermínio. A medida com que a
sociedade foi gerando novos descendentes, alguns infelizmente
trouxeram consigo tais genes deletérios e cumprem essa sombria
sina.
Aos
imunizados a tais comportamentos e atitudes bizarras restam à
perplexidade, a indignação, a dor e a vontade pungente em
transformar, reconstruir, essa população maculada por meio de
ações sérias, contundentes e implacáveis contra a impunidade, a
leviandade, a indiferença e a banalização da existência humana
sobre a Terra. Certamente, unida e determinada em trazer de
volta a Razão à parcela doente, a humanidade encontrará o
antídoto certo para continuar sua jornada, distante da crença
passiva de que para esse mal não há cura.
- Alessandra Leles Rocha
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