O som do silêncio
Por Alessandra Leles Rocha
Por mais incauto que possa
parecer um povo, ele sempre há de fazer ouvir sua voz. E como
diz o dito popular “a voz do povo é a voz de Deus”; então,
diante dela quem se recusará a calar?
Fica pública e notória, cada qual a seu
modo, a manifestação pura e consciente que se espalha pela
América Latina contra teimosas investidas antidemocráticas e
populistas. Sim! Há quem se renda ao esplendor dos discursos,
de infames mentiras banhadas de paixão inflamada; mas, o
descortinar da labuta de sol a sol retoma a consciência.
Palavras repetidas, verdades cotidianamente repetidas, e o
resultado da transformação nunca aparece! Nem só de cesta
básica vive o homem! E o remédio, a roupa, o calçado, o
material de higiene, o material escolar,... a dignidade?
Perdeu-se no vento, nos caminhos da
história, o tempo em que a esmola aplacava em cheio o
raciocínio, mareava de preguiça aqueles fiapinhos de
expectativa e aceitava resignada a triste sina do destino. Com
a crueza dos novos dias, “lesera” assim não tem espaço; ajuda
toda ela é bem vinda, mas há de vir conjugada com respeito à
cidadania. A época do “pão e circo” ficou nos livros, o povo
sabe e entende bem que precisa de muito mais para ser feliz,
para ser completo. O que sustenta e apóia os governos atuais é
a ascensão concreta das perspectivas de suas ações, é o
crescimento ascendente e retilíneo das melhorias sociais, é
ter que dar menos peixe porque a grande maioria aprendeu e tem
como pescar.
Aos governantes desavisados, um tanto
quanto fora de moda no seu estilo político, restou o recado de
desaprovação às condutas vigentes; para tudo há limites e quem
os elege conhece bem o momento de parar. As sociedades
precisam e anseiam por mais do que demonstrações de arrogância
e superioridade descabidas; o momento atual pede sabedoria,
silêncio e trabalho orientais para vencer os desafios deste
Milênio.
Alessandra Leles Rocha