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PRESENTE DE NATAL

Por Alessandra Leles Rocha

 
         
            Aguardamos todos ansiosos pela chegada do Natal. Tempo das festas, dos enfeites, dos presentes e da comilança, é tudo o que nos vem à mente nesta época do ano.
Que pena! O motivo, a essência da comemoração, perdeu-se no ceticismo do comércio, na frivolidade das relações humanas. O bem-aventurado filho de Deus, trazido ao mundo para espalhar a Boa Obra, nascido na simplicidade da manjedoura, não é mais o centro das atenções!
Curioso pensar que nos outros trezentos e sessenta e tantos dias do ano não temos vergonha de recorrer a Ele de joelhos e voz embargada, a pedir por nossas misérias e descompromissos, entoando lamúrias sob o crivo de nossa filiação celestial. Na hora de comemorarmos a bênção da vinda Dele a esse celeiro de provações, simplesmente esquecemos e fazemos às honras a Papai Noel, o Bom Velhinho distribuidor de presentes.
Nessas horas, ninguém se recorda quais presentes foram realmente essenciais em nossa vida. Saúde, moradia, amigos, família, trabalho,... quem será que esteve por trás de tudo isso, a nos prover cada uma dessas dádivas? Sim, é gostoso abrir presentes, desfazer os laços, contemplá-los por horas a fio; mas, o que importa de fato é a surpresa em recebê-los e ter alguém que seja capaz de ofertá-los com a alma transbordante de amor.
Há pouco mais de dois mil anos atrás, a humanidade recebeu um grande presente, alguém imbuído de semear todas as sementes de felicidade sobre a Terra. Mesmo naquela época houve quem não reconhecesse ou aceitasse de coração puro e alma leve a vinda desse messias; mas, nem por isso Ele deixou de cumprir um só dia da sua profissão de fé e, ainda hoje, ouve resignado os clamores e as súplicas dos herdeiros da ingratidão e auxilia no âmbito das possibilidades e dos merecimentos de cada um.
Por isso, neste Natal cheguemos à festa prontos a cumprimentar e festejar o aniversariante, ofertando-lhe graças em orações, alegrias em cânticos, celebrações fraternas entre nossos irmãos. A comemoração pode ser simples, sem luxo ou ostentação, sem troca de presentes ou lembrancinhas, sem fartura e desperdício, mas deve ser pródiga de valores humanos, de uma felicidade infinita capaz de iluminar o mundo, de ressoar os sinos e sinalizar no céu, com uma estrela, a presença Daquele que não precisou de muito para ser simplesmente tudo. Para Ele incenso, ouro e mirra valerão menos se neste Natal você oferecer seu coração. O reino Dele não é deste mundo, nem cabe na conta do vil metal, mas é onde queiramos ou não repousa nosso íntimo e se orienta nossa mente para o sucesso da grande missão – a Vida.
Alessandra Leles Rocha
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  19/12/2007