Providência
Por Alessandra Leles Rocha
Não é de hoje que o assunto no Brasil é
providência! Não por causa do Morro da Providência no Rio de
Janeiro, onde há alguns dias três jovens foram barbaramente
assassinados por traficantes rivais após terem sido entregues
a eles por soldados do exército que participavam de um
programa do governo no local. Falamos de providência, de
medidas para se alcançar um fim satisfatório.
Talvez falte vontade, ou até mesmo
coragem, para tomar as providências que o país espera por
quase quinhentos anos. Providenciar a tão sonhada redução de
impostos, a manutenção adequada ao controle da inflação, as
medidas corretas para proteger a população dos surtos e
epidemias de doenças tropicais, a proteção dos principais
biomas nacionais e combater com rigidez a exploração
insustentável de seus recursos, a garantia real e concreta da
cidadania a todos os entes da nação, mais ética e decoro aos
representantes do povo,... É! É muita coisa para providenciar!
Mas, enquanto se gasta o tempo fugindo
da realidade, comprometido com superficialidades e
providenciando frivolidades, não saímos do lugar. Quando as
crises e os problemas nos fitavam apenas os olhos de nossa
própria irresponsabilidade, não cumprir as providências era
nossa própria culpa. Entretanto, hoje, o mundo globalizado
suprime o individual e comprime tudo ao coletivo,
obrigando-nos a estar atentos dentro e fora do próprio quintal
e executores de um número cada vez maior de providências.
Providenciar soluções ecologicamente sustentáveis para reduzir
o aquecimento global, mecanismos de controle à elevação dos
preços dos alimentos, a redução do enfrentamento bélico para
reduzir os altos investimentos e não elevar os índices de
recessão, ampliação dos programas de prevenção e controle da
AIDS, do câncer e outras doenças que restringem a mão-de-obra
economicamente ativa, medidas de coibição e punição à
homofobia, racismo e outros tipos de segregação,...
Por todas essas razões é que a
providência nos rodeia, nos inquieta, nos faz pensar. Temos
procurado bravamente tomar as providências do nosso cotidiano,
mas foge de nossa alçada as providências que afetam
diretamente a base da pirâmide. A providência tem que chegar
antes que seja tarde e tudo tenha sucumbido ao retrocesso, à
inoperância, ao descaso, a inversão de valores; caso contrário
restará somente aguardar pela Providência Divina.
Alessandra
Leles Rocha