Incomum, mas sincero amor
Bem, tentei escrever alguma coisa bonita sobre mãe, mas não
consegui. Tenho um relacionamento incomum com a minha mãe,
talvez tenha sido por isso. Também não sou mãe, então, não
tenho experiência suficiente para falar sobre o assunto.
Minha mãe me ama muito, como uma boa mãe, e deu seu melhor
para que eu tivesse tudo o que precisasse. Trabalhou até os
nove meses de gravidez, pagou creches e escolas caras enquanto
pôde, protegeu-me do perigo iminente, cercou-me de carinho,
ternura e proteção.
Só que eu cresci, e esse crescimento foi difícil pra nós duas.
Cada dia que passava, nos descobríamos mais diferentes uma da
outra: eu, calma; ela, nervosa; eu, passiva; ela, autoritária;
eu, sonhadora; ela, prática; eu, otimista; ela, pessimista.
Tivemos nossos arranca-rabos, momentos dramáticos, lágrimas,
mas nada que obliterasse o amor entre nós. Tivemos de aprender
a nos amar de um jeito só nosso. Muitas vezes, invertíamos
papéis. Ela chorava, pedindo socorro, e eu dava colo,
aconselhando-a. Foi uma longa jornada de conhecimento e
respeito, que auxiliaram na formação do meu caráter, durante a
qual aprendi a amar e auxiliar o próximo, a ser responsável e
a caminhar - sempre - com as minhas próprias pernas.
Mãe, sou feliz do jeito que sou e credito isso a você.
Agradeço por nossos momentos, duros ou felizes, mas
especialmente os duros, pois, sem eles, não teria enxergado
certas verdades tão profundamente, não teria aprendido a
valorizar o melhor das pessoas e da vida, não teria aprendido
a levantar confiante após cada queda.
És para mim exemplo de força, ternura e perseverança. Você
consegue, bondosa e honestamente, tudo o que desejas. Te amo
e te admiro muito!
Parabéns pelo seu dia. Parabéns pela vitória diária.
Aline Aimée Carneiro de Oliveira