A casa dos grandes pensadores
 
 

ALINE AIMÉE C. DE OLIVEIRA

Revelação na música britânica
    
     Semana passada, eu estava assistindo ao Brit Awards, e vi pela primeira vez a apresentação da nova revelação britânica, Amy Winehouse. Quando o anfitrião a apresentou dizendo que sua voz parecia a de um caminhoneiro, mas era linda quando cantava, fiquei curiosa.  

     A cantora era miúda, branca, magrela, toda tatuada e com cara de encrenqueira. Mas quando abriu a boca... pai do céu, fiquei desconcertada! É só fechar os olhos que você imagina a Aretha Franklin, Nina Simone, Ella Fitzgerald, uma negona dessas bem arretadas! Que nada, é uma minhon com um vozeirão de destrambelhar qualquer um.

     A performance, então, é um capítulo a parte: super retrô, backing vocals negros, fazendo passinhos, como nos anos 50, instrumentos de sopro, parece uma viagem no tempo! Amy, vestida com um mini vestido de inspiração clássica, um penteado de meio metro, indica a clara influência dos grupos femininos norte-americanos, como Motown e Supremes (aquele que inspirou o novo filme da Beyoncé). Não aguentei, e comprei logo o cd, mesmo tendo ouvido apenas uma canção.

      O diferencial que a faz brilhar é que, apesar da influência da black music norte americana, da década de 50, cujos temas giravam em torno do gospel e do relacionamento romântico, com Amy predomina o romantismo de cabaré: ela está sempre no bar ou no hotel, com seu amante, que a abandona ou agride. Em "You know I´m no good", ela avisa: "eu te disse que eu não prestava"; em "Rehab", ela confidencia sua resistência em se internar numa clínica de reabilitação; em "Love is a losing game" e "Wake up alone", podemos curtir nossa dor de cotovelo com as mais belas canções de sofrimento amoroso.

     Tais músicas, que compõem o seu segundo cd, Back to Black , renderam-lhe o prêmio de melhor solista feminina - super merecido -, desbancando as favoritas Lily Allen e Corinne Bailey Rae, que tocaram no rádio o ano todo! Há ainda o primeiro álbum, menos conhecido, Frank .

     Pena que, na vida real, a moça viva bêbada, arrumando encrenca com paparazzis , despejando palavrões a torto e a direito, caindo de cara e quebrando os dentes da frente...

     Bem, mas a despeito dos problemas pessoais da moça, vale a pena conferir seu trabalho. Eu não consigo parar de ouvir.

Aline Aimée Carneiro de Oliveira
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  14/04/2007