Saudades do Pimpão...
Efeito da TPM ou não, eu chorei
ontem ouvindo a música “Ursinho Pimpão”, do Balão Mágico. E
não foram discretas lágrimas, mas um choro longo e copioso que
me pegou de surpresa.
Minha mãe estava lendo seus e-mails quando abriu um que
mostrava o nascimento do urso panda. Aproximei-me pra ver o
pequeno urso e, de repente, começa a vozinha infantil da
Simony, “Vem meu ursinho querido, meu companheirinho, ursinho
Pimpão...” Tomei um susto, engoli seco, perdi as palavras e
... comecei a chorar. O povo lá em casa não entendeu nada, eu
também não compreendia muita coisa e corri para banheiro pra
me esconder. Todo mundo preocupado querendo saber o que estava
acontecendo e eu, sem saber o que responder, não conseguia
parar de chorar, porque vieram todos atrás de mim e deixaram a
música tocando. Esse acontecimento me deixou bastante
perturbada, teimando em persistir na minha mente e comecei a
me perguntar: por que será que chorei, meu Deus?
Tentei buscar na memória da infância o significado, tão
inesperadamente forte, que essa música tinha para mim.
Lembrei-me do programinha do Balão Mágico, apresentado pela
Simony e pelo Fofão, que eu assistia aos 5 anos, comendo
biscoito maisena e bebendo Nescau, abraçada com meu próprio
Pimpão, cujos pêlos grudei com cola colorida. Então, lembrei
que essa musiquinha sempre tocava acompanhada de um clipe em
que Simony cantava em seu quarto, acompanhada do amigo, o
Pimpão, numa demonstração de companheirismo e lealdade.
Pensei, será que é isso que me comove? A idéia do amigo
verdadeiro, com quem podemos contar sempre, que nos acompanha,
diverte, apóia e oferece ilimitada lealdade, floreada pela
beleza do universo infantil? Bem, faz sentido. Sempre
valorizei muito a amizade verdadeira, buscando-a e nutrindo-a
com meus amigos próximos.
Mas também me dei conta de que sempre senti o coração
amolecido com certas músicas de infância, além de “Ursinho
Pimpão”, como “Piuí Abacaxi” e “Super Fantástico”. Seria,
então, nostalgia?
Sempre comento que minha infância foi maravilhosa: tive
parques para brincar, vivia com o joelho preto de brincar de
pique, o pé ralado de pular elástico, assistia ao “Sítio do
Pica Pau amarelo”, desenhos animados em programas infantis...
Às vezes me dá tristeza pelas crianças de hoje em dia, pois os
programas a elas destinados exibem desenhos absurdetes, meio
loucos, alguns violentos e não estimulam a fantasia e a
imaginação. As crianças de hoje são mais espertas, mais
maldosas, sagazes e não dão risada dos Ursinhos Gummy ou com
os gibis da turma da Mônica, porque têm Playstation, Game
Cube, MP4, iPods e preferem as dramáticas batalhas dos
Digimons e Dragon Ball, que indicam a competição e a
auto-superação como verdadeiras virtudes. Sei que os tempos
mudam, as crianças mudam e devemos, criticamente, é claro,
buscar aceitar suas preferências. Mas lógica e coração nem
sempre, na verdade quase nunca, caminham no mesmo compasso e
na mesma direção. Então, fica aquela tristeza com gostinho de
saudade...
Desde pequena, tenho a sensação de que “Ursinho Pimpão” é uma
música triste, uma canção de ninar triste, o porquê, não faço
idéia! Não sei se estava triste, em algum dia de minha tenra
infância, quando ouvi essa música, só sei que ela ficou
gravada dentro de mim com as notas da saudade, como presa numa
caixinha de música que nunca se abre por falta de tempo ou
medo de rever antigos fantasmas. E nesse reencontro fortuito,
20 anos depois, cara a cara com o passado, de frente com a
saudade ela me encurrala e me olha nos olhos, fazendo
revolverem-se emoções reprimidas. E não adianta procurar
explicações, conclusões, pois nenhuma me convence, e, no
fundo, no fundo, eu bem que gosto dessas minhas lembranças
doídas e salgadas pelas lágrimas.
Aline Aimée Carneiro de Oliveira