A casa dos grandes pensadores
 
 

ALINE AIMÉE C. DE OLIVEIRA

Saudades do Pimpão...

Efeito da TPM ou não, eu chorei ontem ouvindo a música “Ursinho Pimpão”, do Balão Mágico. E não foram discretas lágrimas, mas um choro longo e copioso que me pegou de surpresa.

Minha mãe estava lendo seus e-mails quando abriu um que mostrava o nascimento do urso panda. Aproximei-me pra ver o pequeno urso e, de repente, começa a vozinha infantil da Simony, “Vem meu ursinho querido, meu companheirinho, ursinho Pimpão...” Tomei um susto, engoli seco, perdi as palavras e ... comecei a chorar. O povo lá em casa não entendeu nada, eu também não compreendia muita coisa e corri para  banheiro pra me esconder. Todo mundo preocupado querendo saber o que estava acontecendo e eu, sem saber o que responder, não conseguia parar de chorar, porque vieram todos atrás de mim e deixaram a música tocando. Esse acontecimento me deixou bastante perturbada, teimando em persistir na minha mente e comecei a me perguntar: por que será que chorei, meu Deus?

Tentei buscar na memória da infância o significado, tão inesperadamente forte, que essa música tinha para mim. Lembrei-me do programinha do Balão Mágico, apresentado pela Simony e pelo Fofão, que eu assistia aos 5 anos, comendo biscoito maisena e bebendo Nescau, abraçada com meu próprio Pimpão, cujos pêlos grudei com cola colorida. Então, lembrei que essa musiquinha sempre tocava acompanhada de um clipe em que Simony cantava em seu quarto, acompanhada do amigo, o Pimpão, numa demonstração de companheirismo e lealdade. Pensei, será que é isso que me comove? A idéia do amigo verdadeiro, com quem podemos contar sempre, que nos acompanha, diverte, apóia e oferece ilimitada lealdade, floreada pela beleza do universo infantil? Bem, faz sentido. Sempre valorizei muito a amizade verdadeira, buscando-a e nutrindo-a com meus amigos próximos.

Mas também me dei conta de que sempre senti o coração amolecido com certas músicas de infância, além de “Ursinho Pimpão”, como “Piuí Abacaxi” e “Super Fantástico”. Seria, então, nostalgia?

Sempre comento que minha infância foi maravilhosa: tive parques para brincar, vivia com o joelho preto de brincar de pique, o pé ralado de pular elástico, assistia ao “Sítio do Pica Pau amarelo”, desenhos animados em programas infantis... Às vezes me dá tristeza pelas crianças de hoje em dia, pois os programas a elas destinados exibem desenhos absurdetes, meio loucos, alguns violentos  e não estimulam a fantasia e a imaginação. As crianças de hoje são mais espertas, mais maldosas, sagazes e não dão risada dos Ursinhos Gummy ou com os gibis da turma da Mônica, porque têm Playstation, Game Cube, MP4, iPods e preferem as dramáticas batalhas dos Digimons e Dragon Ball, que indicam a competição e a auto-superação como verdadeiras virtudes. Sei que os tempos mudam, as crianças mudam e devemos, criticamente, é claro, buscar aceitar suas preferências. Mas lógica e coração nem sempre, na verdade quase nunca, caminham no mesmo compasso e na mesma direção. Então, fica aquela tristeza com gostinho de saudade...

Desde pequena, tenho a sensação de que “Ursinho Pimpão” é uma música triste, uma canção de ninar triste, o porquê, não faço idéia! Não sei se estava triste, em algum dia de minha tenra infância, quando ouvi essa música, só sei que ela ficou gravada dentro de mim com as notas da saudade, como presa numa caixinha de música que nunca se abre por falta de tempo ou medo de rever antigos fantasmas. E nesse reencontro fortuito, 20 anos depois, cara a cara com o passado, de frente com a saudade ela me encurrala e me olha nos olhos, fazendo revolverem-se emoções reprimidas. E não adianta procurar explicações, conclusões, pois nenhuma me convence, e, no fundo, no fundo, eu bem que gosto dessas minhas lembranças doídas e salgadas pelas lágrimas.

Aline Aimée Carneiro de Oliveira
 

Publicação: www.paralerepensar.com.br  15/08/2007