Sim, estou sóbria!
Este fim de semana tive um ótimo
domingo, com pessoas muito queridas, muita conversa, risada,
diversão, maluquice. Em determinado momento, estávamos
gargalhando tão alto (em público) que minha mãe sugeriu:
“menos, gente!”. E meu primo respondeu: “e nem estamos
bêbados!” De repente, surgiu a proposta de criarmos blusas com
slogans nossos, do tipo “Sim, estou sóbria.”, ou
“Imagina se eu bebesse!”, mostrando que éramos um grupo
divertidíssimo e zero por cento ébrio. Algumas pessoas não
acreditam quando digo que não bebo, começam a rir, mandam-me
falar sério, perguntam se sou evangélica. Não sou e não
entendo o absurdo da minha escolha.
Muita gente presume que, como gosto de me divertir, curto
rock, gosto de falar besteira, devo tomar todas, encher
todos os potes! Pois não. Consumo bebida alcoólica muito
rarissimamente, como um brinde de Ano Novo, ou um vinhozinho
pra esquentar, em festa de São João.
Acredito que quase todo mundo, na
adolescência, se depara com a fase da descoberta da bebida.
Alguns na família mesmo, outros escondidos, com os amigos. As
primeiras vezes são sempre desagradáveis, gosto amargo,
queimação na garganta. Mas com o tempo, o paladar se acostuma
e beber acaba tornando-se um hábito, em geral cultivado
socialmente.
Não sei por que cargas d’água não me afinei com a bebida.
Beber é algo que não funciona comigo. Primeiro, porque, quando
bebo, fico lerda, lesada, parece que meu cérebro funciona mais
lentamente, meu raciocínio diminui, emburreço, e eu ODEIO essa
sensação. Sou um tanto quanto exigente com minhas atividades
mentais, por assim dizer, e detesto não entender as coisas
direito ou demorar para tal.
Em segundo lugar, tenho uma gastrite mais persistente que a fé
de Jô, e a ingestão de míseros goles de álcool desencadeia em
meu interior a explosão de um verdadeiro vulcão clorídrico,
que me rende dores nem um pouco agradáveis. Decorrente desse
“pequeno” mal-estar gástrico, vem um desarranjo intestinal que
me acompanha durante todo o dia seguinte – uma verdadeira
“lavagem”.
Soma-se a essas desventuras etílicas uma dificuldade tremenda
que tenho em segurar a bexiga, o que já me rendeu “micos”
públicos dos quais não gosto de lembrar.
Essas “sutis” situações
levaram-me a evitar progressivamente o consumo de álcool, o
que não atrapalhou em nada a minha vida. No início, ficava com
medo de ser interpretada como anti-social, ou caretona. Mas
com o tempo vi o quão besta era a minha preocupação. Ora
bolas, se alguém me hostilizasse pela minha abstinência,
estaria, na verdade, mostrando-se indigno da minha amizade e
despreocupado com o meu bem-estar. Amigos de verdade, que se
importassem comigo, não iriam caçoar da minha escolha, mas sim
respeitá-la, até porque, boa parte dos amigos que tenho, não
conheci bebendo. Acho muito mais imaturo beber porque todo
mundo bebe, do que não beber porque me sinto melhor dessa
forma. Não estou aqui criticando quem bebe, mas defendendo meu
direito de não beber. Sou uma pessoa feliz, amo a minha vida,
busco estar cercada de pessoas que me amam, que me divertem e
me fazem alegre. Adoro a alegria, a diversão, a palhaçada, a
conversa fiada. E, em nenhum desses momentos, sinto falta da
bebida.
Se você bebe e não se sente bem, saiba que não tem de fazê-lo.
Se busca aceitação, veja se está sendo verdadeiro consigo
mesmo e se está perto da felicidade, da satisfação. Bem, eu
estou! E ao contrário do dito popular, eu fiz vários
amigos bebendo leite!
Aline Aimée Carneiro de Oliveira