A casa dos grandes pensadores
 
 

ALINE AIMÉE C. DE OLIVEIRA

Vencendo meus "vilões" para assistir ao Homem Aranha 3

     Com toda a minha ansiedade, arrastei-me numa quarta-feira chuvosa e friorenta ao cinema, para conferir o "Homem Aranha 3". Como sou fã, esperava assistir ao filme com um mínimo de decência, então, deixei passar o fim de semana da estréia, que certamente lotaria as salas com fãs eufóricos, preferindo ir no meio da semana, que certamente estaria mais vazio. Ledo engano, o meu. Quando cheguei ao cinema, a fila estava bem parecida com a da Caixa Econômica, as primeiras sessões estavam lotadas, só restando ingresso para as 21 e 30! Mesmo tendo de acordar cedo no dia seguinte (hoje), fiz um esforcinho e comprei o ingresso. Fui para a fila com 50 minutos de antecedência e, quando começamos a entrar, um casal, com a maior cara-de-pau do mundo, veio pedir para entrar na minha frente, em troca de meia barra de chocolate. Respirei, contei até 10, busquei a atitude zen dentro de mim para não estragar a minha noite. Quando estou confortavelmente acomodada, sem nenhuma cabeça de lua na minha frente, outro casal pede-nos que pulemos uma poltrona pra frente, para que eles pudessem se sentar juntos. Eu, molenga, compreendi-lhes o dilema e pulei, só que, bem à minha frente, ficou uma cabeçorra que além de grande, parecia pêndulo de relógio: ia pra lá e pra cá, obrigando-me a fazer um verdadeiro malabarismo pescoçal! Tudo isso encarei pelo filme, desejando muito profundamente que ele fosse tão bom que valesse o martírio. Para a minha sorte e conforto íntimo, valeu.

     Quando vi que o Aranha enfrentaria 3 vilões, fiquei apreensiva, pensando que seus personagens não seriam bem aproveitados. Que bom que me enganei! Sam Raimi dá um banho de direção, equilibrando tudo com maestria. Cada vilão tem sua história, carrega um fardo, não aparece do nada ou de repente.

      A trama é bem amarrada, com espaço para revelações, redenções e drama. Há momentos cômicos, muitas cenas de ação otimamente trabalhadas e até umas cenas sentimentais. Mary Jane e seu "Tigrão" estão numa melação só, mas como todo blockbuster hollywoddiano, há uma tensão que tira a paz do casalzinho. Peter Parker, num excesso de confiança, não vê as coisas com clareza e acaba perdendo o controle da situação, tendo de travar uma batalha consigo mesmo para ajustar as coisas.

     Sam Raimi dá uma boa "atualizada" na história original, já que o Simbionte chega de forma um pouco diferente da original e o uniforme do Duende Macabro é menos espalhafatoso que na HQ. Mas o destaque fica mesmo para o Parker, que, ao vestir a roupa do simbionte fica EMO!!!!, com olhinhos pintados e tudo e azarando a mulherada, cheio de sex appeal!

     Os fãs não precisam lamentar essas pequenas mudanças, pois Homem Aranha é, com certeza, o quadrinho que deu mais certo na telona. Vale até encarar o programa de índio que se tornou a ida ao cinema.

Aline Aimée Carneiro de Oliveira
 

Publicação: www.paralerepensar.com.br  10/05/2007