Vencendo meus "vilões" para assistir ao Homem
Aranha 3
Com toda a
minha ansiedade, arrastei-me numa quarta-feira chuvosa e
friorenta ao cinema, para conferir o "Homem Aranha 3". Como
sou fã, esperava assistir ao filme com um mínimo de decência,
então, deixei passar o fim de semana da estréia, que
certamente lotaria as salas com fãs eufóricos, preferindo ir
no meio da semana, que certamente estaria mais vazio. Ledo
engano, o meu. Quando cheguei ao cinema, a fila estava bem
parecida com a da Caixa Econômica, as primeiras sessões
estavam lotadas, só restando ingresso para as 21 e 30! Mesmo
tendo de acordar cedo no dia seguinte (hoje), fiz um
esforcinho e comprei o ingresso. Fui para a fila com 50
minutos de antecedência e, quando começamos a entrar, um
casal, com a maior cara-de-pau do mundo, veio pedir para
entrar na minha frente, em troca de meia barra de chocolate.
Respirei, contei até 10, busquei a atitude
zen dentro de mim
para não estragar a minha noite. Quando estou confortavelmente
acomodada, sem nenhuma cabeça de lua na minha frente, outro
casal pede-nos que pulemos uma poltrona pra frente, para que
eles pudessem se sentar juntos. Eu, molenga, compreendi-lhes o
dilema e pulei, só que, bem à minha frente, ficou uma
cabeçorra que além de grande, parecia pêndulo de relógio: ia
pra lá e pra cá, obrigando-me a fazer um verdadeiro
malabarismo pescoçal! Tudo isso encarei pelo filme, desejando
muito profundamente que ele fosse tão bom que valesse o
martírio. Para a minha sorte e conforto íntimo, valeu.
Quando vi que
o Aranha enfrentaria 3 vilões, fiquei apreensiva, pensando que
seus personagens não seriam bem aproveitados. Que bom que me
enganei! Sam Raimi dá um banho de direção, equilibrando tudo
com maestria. Cada vilão tem sua história, carrega um
fardo, não aparece do nada ou de repente.
A trama é
bem amarrada, com espaço para revelações, redenções e drama.
Há momentos cômicos, muitas cenas de ação otimamente
trabalhadas e até umas cenas sentimentais. Mary Jane e seu "Tigrão"
estão numa melação só, mas como todo blockbuster hollywoddiano,
há uma tensão que tira a paz do casalzinho. Peter Parker, num
excesso de confiança, não vê as coisas com clareza e acaba
perdendo o controle da situação, tendo de travar uma batalha
consigo mesmo para ajustar as coisas.
Sam Raimi dá
uma boa "atualizada" na história original, já que o Simbionte
chega de forma um pouco diferente da original e o uniforme do
Duende Macabro é menos espalhafatoso que na HQ. Mas o destaque
fica mesmo para o Parker, que, ao vestir a roupa do simbionte
fica EMO!!!!, com olhinhos pintados e tudo e azarando a
mulherada, cheio de sex appeal!
Os fãs não
precisam lamentar essas pequenas mudanças, pois Homem Aranha
é, com certeza, o quadrinho que deu mais certo na telona. Vale
até encarar o programa de índio que se tornou a ida ao cinema.