A casa dos grandes pensadores
 
 

APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA

 

 
 
 
 
A DEGENERESCÊNCIA DA ÉTICA EM TODOS OS SEUS SENTIDOS
 
(*) Texto de Aparecido Raimundo de Souza
 
Vira, mexe, tira, bota, morde, assopra, Luiz Inácio Lula da Silva aproveita as brechas e gretas, fendas e lacunas, para engrandecer e manter o PAC (Programa de Aceleração de Calhordas) em franca evidência, ainda que essa evidência não seja lá muito convincentemente patenteada. De lambuja, manda recadinhos ao meio político de esquerda, e, inteiro, para a direita. É uma regalia dele? Sim. Qualquer um, no lugar da triste figura do cavalheiro solitário que surgiu do meio metalúrgico de São Bernardo, com um dedo a menos, faria o mesmo. Só pra recordar, dias atrás, no Palácio do Planalto, nosso mimoso e afável presidente aproveitou a “deixa” e trouxe, à baila, um fato que, ultimamente, vem gerando intensa polêmica. A galera do nome borrado. E o mais incrível na história. O homem conseguiu se sair bem e posar bonito na foto. Na foto e no palavreado.
 
Não sei se alguém notou, mas, de uns tempos para cá, Lula tem aprendido bem a lição de casa. Um de seus professores da escola primária, até autorizou mudar de cartilha. Parece que, efetivamente, ele saiu daquele beabá viscoso, onde patinava agarrado feito agulha menstruada, empacada, num velho disco de vinil. Lula, desta vez, foi mais longe. Cobrou umas reformas urgentes, urgentíssimas, inadiáveis na legislação eleitoral, para impedir que os fichas-sujas se candidatem, ainda que esses cargos sejam os de limpar as privadas da Policia Federal. Sabemos todos, o que mais existe, por ai, é político mau caráter, desonesto, safado, descarado, indigno e ladrão. Apesar dessas figuras malditas e imorais viverem ao arrepio das leis, conseguem, em meio a tantas e quantas falcatruas - além de eriçarem as normas contidas nos códigos - horripilar os mais estudiosos advogados, deixando a todos de bocas abertas, culminando, no final, por tomarem posse , ocupando cargos políticos que, na verdade, deveriam ser entregues a cidadãos honestos e, de boa índole, tipo Roberto Jefferson (Partido dos Trambiqueiros do Brasil - RJ) e José Dirceu do (Partido dos Tarados-SP),  entre outros da mesma laia. No fim, esses salteadores dos bolsos alheios ganham o poder e a fama, e, em nome desse poder, dessa fama, deitam na cama, preparam nosso rabo e nos enfiam uma trolha bem grossa, sem dó nem piedade. Sabemos, por antecipação anunciada, que, pelas coxias, os canalhas fazem de tudo, movem terras e montanhas para emperrarem a máquina judiciária, culminando por serem rotulados, ao final, de representantes do povo, ou como se diz, lá no Epicentro, de PARLAMENTARES.
 
Luiz Inácio - nesse discurso, mais destinado a fazer gracinhas que persuadir - deixou claro, para a enorme platéia de bundas sujas que chafurdam no lodaçal existente em Brasília (vamos abrir aqui um parêntese, para explicar esse pejorativo tão INFAME, quanto o significado que dele emana. Bundas sujas são aqueles babacas que compõem a platéia de bufões, literalmente aqueles que vivem de nariz enterrado, cheirando a bunda do presidente vinte e quatro horas por dia. Aonde ele vai, aonde ele chega, aonde se apresenta, os caras estão lá, grudados no pé do homem, cheirando o peido – perdão – o saco. Nesse rol de puxa-colhões, estão governadores, prefeitos, vereadores, ministros, e, claro, uma corja de plenipotenciários (sempre lembrando, nossos representantes), vestidos a caráter. Explicado o termo, fechado o parêntese),  que a população “não pode ficar a mercê da interpretação da Justiça Eleitoral”.
 
Temos aqui duas vertentes:
1ª) a plebe, genericamente falando, é burra; se acomodou num estado vegetativo asnítico, e, nele se equilibra como se capengasse em cima de uma corda bamba quarenta e oito horas por dia.  A plebe não tem o que comer quando a fome ataca; vive de pires nas mãos, a mendigar.  Acha que “a mercê” é uma guloseima que, em breve, deverá cair em seu prato, para ser misturada ao arroz com ovo cozido do dia-a-dia da sua farta mesa onde falta de tudo, até força de vontade e reverência a si mesmo. Justiça Eleitoral, nem precisamos perder tempo explicando, porque é uma praga, uma erva daninha que só aparece em épocas de eleições. Serve para dar respaldo e cobertura à máfia dos refolhados – aquela turma da pesada, que, para permanecer no poder, faz uma puta lavagem cerebral na cabeça dos manés, em horário nobre, com programas maquiados de promessas mirabolantes – tirando, inclusive, o que os desditosos caraminguás têm de melhor: a hora sagrada de sentarem o traseiro no sofá para verem a novelinha das oito. O mais infame, o mais torpe, nessa repetitititititititiva historia. Existe uma quadrilha de filhos da puta que apregoam serem esses horários gratuitos. Muita gente dá crédito, abona essa farsa, como também existe uma leva de depauperados que acredita piamente em papai Noel;
2) Essas palavras do Grande Chefe - sempre lembrando, sobre os “Listados pelos negrumes e emporcalhamentos da sujeira” - foram entendidas, por muitos, como críticas severas, contundentes, ao TSE (Tribunal Superior da Esculhambação) que, não se sabe como, liberou o registro, desobrigou, abriu as pernas, reganhou os “orifícios supositoriais” (aqueles por onde se encaixam os medicamentos de forma cilíndrica), para os candidatos condenados em primeira e segunda instancias, com direito líquido e certo de ainda poderem re (correr) à derradeira esfera. Derradeira esfera, para quem não sabe, é aquele patamar onde o povinho nunca conseguirá chegar, ainda que coma o pão que o diabo passou manteiga e amassou.
 
Entre mortos e feridos, pela bonita retórica, enfeitada por predicados e virtudes, atributos e inhehenhés, ficou bastante exposta a insensatez estudada de Lula, exatamente no momento em que condenou os desvios de recursos públicos para linhas secundárias não muito públicas. Nessa hora, o espertalhão de São Bernardo, ironicamente, perseverou que, “neste país tem uma lei em que a pessoa é cassada por corrupção quando é governador e pode ser candidato ao Senado nas eleições seguintes”. Trocado em miúdos: os fichas-sujas perdem um mandato de quatro anos e depois, a própria justiça que os colocou no banco dos réus, volta atrás, abre a guarda, se vende e presenteia os velhacos com um mandato de oito anos. Não podemos esquecer, em hipóteses alguma, que isto aqui é Brasil. Brasil, “Um país de tolos”. Ficaria, no ar, uma perguntinha básica: seria positiva, para a vida política do país, a investida do presidente da República, para barrar os “cagados de bosta?”. Sim. Pelo menos, se esperava que a exposição de motivos sinalizasse mudanças firmes e de visão, na visão embaçada do presidente, notadamente sobre determinados episódios políticos que até bem pouco tempo geraram sérias discussões e bate bocas.
 
Apenas para ilustrar, recordemos o glamoroso escândalo do mensalão. Em relação a alguns dos envolvidos naquela balela pra boi dormir, Lula reiterou incondicionalmente sua confiança, mesmo tendo sido alvo de denuncias pelo MPF (Ministério dos Picaretas Ferrenhos), aceitas pelo Supremo Tribunal Federal, ou – Silencio Total e Fim de papo. Na mesma época do mensalão, um outro escândalo escandalizou escandalosamente a plebe e foi protagonizado pelo então ministro da Fazenda, Antonio Palhaço, que vestia as vestimentas e as indumentárias de um tal Palocci. Recordam que, mesmo figurando como réu em diversos processos, Luiz Inácio fez um esforço sobre humano, enfrentou furacões e temporais, tapas e beijos, porradas e pontapés, e, ainda, diante de todo aquele desgaste desgastante que cansamos de ver pela televisão, o ilustre manteve o cabra no governo. Igualmente resistiu às pressões e evitou substituir o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, até que fossem arquivadas, na justicortiça Federal, todas as denúncias de supostas e supimpas irregularidades irregulares, de remessas de recursos ao exterior.
 
Por assim, na paralela linha de conduta, a atual composição poética ministerial, ou seja, o titular da Pasta de dentes dos Transportes, Alfredo Nascimento, como é do conhecimento geral, responde a inquéritos no seu Estado, o Amazonas, aquele, onde existe uma porrada de amazonas da melhor qualidade para amazonense nenhum achar defeito. No mesmo trilhar, o líder do governo no Senado, Romero Jucá, também está com processos entalados até a raiz do pescoço. Seria, essa coisa toda, uma espécie de válvula de escape disfarçada de intolerância preconceituosa com salpiques de “porra, eu é que mando, vocês não têm nada a ver com isso”, Sim ou Não?
É sabido que, paira no ar, um descompasso descompassante, notadamente entre a teoria e a prática. No discurso de velha raposa, Lula distribuiu tapinhas carinhosos e beijinhos doces para políticos que já foram processados, apesar do manto sagrado do seu sagrado mandato dar para todos eles, pretos e brancos, feios e bonitos, irrestrito agasalho e aconchego. Em 2007, o mesmo Palácio do Planalto montou num belo alazão e armou um esquema de deixar qualquer um de quatro, para tirar, da forca, o mandato do senador Renan Calheiros. Presumimos que todo o aparato usado não tenha sido articulado sem o assentimento assentido e o conhecimento conhecido do chefe da nação.
 
Observem como são engraçadas e, porque não dizer, curiosas e pitorescas, determinadas alianças. Em função dessas costuras, Lula colou as placas nas figuras carnavalescas, dos ex-governadores Orestes Quércia e Newton Cardoso, não esquecendo, o deputado Jader Barbalho. Recentemente o marido de dona Mariza não deixou de tecer elogios elogiosos ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, que renunciou de mentirinha, ao mandato, para escapar ileso (como de fato escapou), de uma provável cassação, por imaginem, CORRUPÇÃO. Depois que a poeira abaixar, é fato notório, ele reaparece, limpa a bunda na própria sujeira a que deu causa, e volta, como se nada tivesse acontecido. E os borra botas de merda ainda votam nele.
 
Finalizando esse discurso garboso do Senhor Luiz Inácio Lula da Silva, em torno do assobrerjético e camalioso rol dos fichas-sujas, parece ter dado uma esperança, ainda que tênue, de que abrace, num amplexo bem apertado, a postura que adotou em relação aos envolvidos no pecaminoso e frescoroso dossiê Viadin – mil desculpas, pela nossa gafe: Vedoin.
 
- SOBRE O TEXTO: Publicado na Revista “TEXTOS INTELIGENTES” 15 DE OUTUBRO DE 2008. PÁGINAS 07/09 COLUNA ‘QUEM SE ABILITA?
 
- SOBRE O AUTOR: APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA é jornalista e autor dos livros “AS MENTIRAS QUE AS MULHERES GOSTAM DE OUVIR” e ‘TRAVESSURAS DE MINDINHO E FURA-BOLOS, ambos pela TABA CULTURAL RIO DE JANEIRO.
aparecidoraimundodesouza@yahoo.com.br
 
Outros textos do mesmo autor podem ser lidos em: textosinteligentes@ig.com.br ou
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Publicação: www.paralerepensar.com.br - 17/10/2008