No
tempo que os animais falavam, conta uma lenda, que um cachorro estava no
meio da floresta, banqueteando-se com restos de ossos, quando atrás de si
uma onça faminta, de garfinho, faca e guardanapo no pescoço preparou-se
para dar o bote. Pressentindo que iria virar almoço, o coitado, mais que
depressa, pensou rapidamente numa saída. Assim, semvirar-segritou o mais
alto que pode:
HUMM...
QUE ONÇA DELICIOSA ACABEI DE DEVORAR!
Ouvindo
essas palavras, a onça assustou-se. Ato continuo abortou o pulo
pretendido, deu meia volta e saiu correndo, só parando alguns quilômetros
depois, exausta, à beira de um riacho de águas cristalinas.
Escapei
por pouco, daquele cachorro!....
Entretanto, do alto de um pé de jequitibá, um
sem vergonha de um macacoassanhado
assistiu a tudo. Dando uma de fofoqueiro, correu a contar sobre o golpe do
cachorro.
Então
é isso. Pois ele me paga!...
Fula
da vida e babando de raiva, a onça mais que depressa empreendeu o
regresso ao local, levando o primata a tiracolo. Comoesperasse, de antemão pelo retorno do inimigo, o cachorro sem
pensar duas vezes e vendo a difícil situação em que seu pescoço achava
metido, não perdeu a esportiva e jogou a ultima carta querestava ao alcance das patas. Ou salvava a pele, ou virava, de uma
vez, o prato principal da furiosa, aliás, de presas afiadas e com o
sangue a aflorar apele
pintada.
Semmexer um músculo do corpo e ao menos virar-se para o casal que
estancou a poucos passos de seu rabo, (podia até sentir o hálito quente
de ambos), berrou com todas as forças que conseguiu reunir no fundo da
garganta:
CADÊ
AQUELE MALDITO MACACO? JÁ FAZ MAIS DE MEIA HORA QUE MANDEI O SAFADO
BUSCAR OUTRA ONÇA E ATÉ AGORA NEM SINAL DO DESGRAÇADO. VOU SAIR À CATA
DELE, E VAI SER AGORA!!!
Ouvindo
essas palavras, o macaco, que seguia a onça, tratou de dar o fora,
trepando, ligeiro, na primeira arvore que avistou pela frente. Na subida
esqueceu algumas bananas que trazia numa sacola plástica para o lanche da
tarde.
A
onça, sem ação, fez o mesmo. Empreendeu meia volta às carreiras eembrenhou-se na mata virgem, deixando o cachorro às voltas com um
largo sorriso de satisfação bailandoentre os dentes.
MORAL
DA HISTORIA: Às vezes mais vale um pensamento rápido que a fome
incontrolávelde mil onças.