A casa dos grandes pensadores
 
 

APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA

 

 

 

 

A NOSSA DOLLY DE CABEÇA ETERNA

 

             A pior dor não é a que dói, mas a que fere por dentro.

             Acaso algum veterinário maluco, de uma dessas muitas faculdades de  zootécnica resolvesse clonar a polpuda Receita Federal com um Jumento, o que será que nasceria?  Se responderem que não resultaria absolutamente em nada, estariam todos cometendo uma asneira, além de quedarem redondamente enganados. Claro que geraria alguma coisa, sim, mas o que?  É simples:  teríamos, em carne e osso, um Imbecil de Galochas. Para os que estão chegando agora, é bom que expliquemos o seguinte: não há a menor necessidade de se clonar a Receita Federal com um Jumento, (a exemplo da ovelha Dolly, em l.996) para se dar vida e forma a  um perfeito Imbecil.

Na verdade, já existem aos milhares – ou melhor, já somos os milhões pelo planeta. Entretanto, com certeza obvia, aparecerão engraçadinhos (sempre, nessas horas, filhos de Deus metem as caras) bradando aos quatro cantos: “mas não vimos nenhum imbecil de galochas andando pela cidade”...

A esses piadistas, teríamos a dizer que: imbecil de galocha somos todos, indistintamente, os contribuintes otários, que declaramos o imposto de renda à Receita Federal. E aí de nós se não o fizermos. Simplesmente deixamos de existir. Passamos, de um momento para outro, a condição análoga de mortos-vivos – ou pior, de zumbis. Trocado em miúdos. Não abrimos conta em bancos, não recebemos dinheiro, não tiramos passaporte, tampouco compramos ou vendemos coisa alguma, porque em todas essas transações diárias que a vida nos impõem, nesse mundo globalizado, necessitamos do maldito CPF, ou como  alcunhavam antigamente, no tempo da vovó, de CIC.

É uma vergonha, portanto, termos de prestar contas de tudo, num Pais falido e cheio de safados, de ladrões e de raposas da pior espécie em volta do galinheiro   É lamentável sermos obrigados a fazer isso ou aquilo, porque se não obedecermos, as penalidades cairão sobre nossas cabeças como bombas de nêutrons.

Ano passado, por exemplo, quem não entregou a declaração do imposto de renda até 30 de abril teve que desembolsar R$ l65.74, a  titulo de multa, em dinheiro vivo, montante que certamente caiu sem nenhum escrúpulo nos bolsos de uma corja de bandidos e bandoleiros da pior espécie, que só diferem dos que enfrentamos nas ruas, praças, jardins e restaurantes, por dois motivos simples: esses meliantes não  utilizam armas de fogo, nem tampouco nos seqüestram nas portas dos caixas eletrônicos. Esses párias, ao contrario, nos abordam pela Internet, ou nos ferem os ouvidos através do 0300, linha telefônica direta que só o diabo comendo mariola consegue completar uma ligação sem fazer calos nos lóbulos da orelha. O segundo motivo?  Já quase  esquecíamos: é o leão.  

Concluindo: ou você declara, ou o bichinho lhe prega os dentes afiados no traseiro, sem dó nem piedade. Portanto, se algum infeliz ousar afirmar categoricamente que da clonagem da Receita Federal com um Jumento não virá ao mundo coisíssima alguma, caia no lombo dele sem dó nem piedade.

Em linhas gerais, surge um imbecil de galochas para ser humano nenhum botar defeito e mais, nasce um  otário a cada dois minutos. O que  causa em nós um profundo sentimento de pesar e  entristece, sobremaneira, a alma, é o Jumento!...

Mas esperem um pouco: Que tem, afinal o jumento com tudo isso?

Coitado, esse animal, até hoje, não deu mostras de ser nocivo, igualmente pernicioso ao ser humano comum.