Se Elvis não tivesse morrido, claro, estaria vivo e inteiro,
comemorando junto com seus familiares, 68 anos de idade. Com certeza,
sentaria a bunda gorda num dos seus muitos sofás de seda pura, (quem sabe
ao lado de sua filha Lisa Marie, na mansão dos Presley, em Graceland, não
para ver um de seus enlatados “Money Honey” ou “Love me Tender”
que ele próprio detestava, mas para assistir umas três ou quatro vezes
seguidas Steven Seagal em “Difícil de Matar”, filme de Bruce Malmuth
que apresentou a encantadora Kelly Le Brock num excelente papel ao lado do
não menos famoso Bill Sadler.
Mas esperem um pouco – observarão alguns leitores mais atentos
– no tempo do Rei do Rock, não existia Seagal, que só veio ao mundo em
1952 – e quando Elvis gozava sua ascendência e deitava confortavelmente
na cama por ela imposta, o herói de “Força em Alerta” nempensava em filmar “Marcado para a Morte” que chegou as telas
muitos anos depois, quando de Elvis não existia vestígio, sequer um
pedacinho da madeira de sua soberba e pomposa urna mortuária. Poderia,
sim, – observariam alguns saudosistas, – prender a atenção do garoto
pobre de Tupelo, no Mississipi, Frank Sinatra em “A Lua Ao Seu
Alcance”, ou “A Um Passo da Eternidade”, com Ava Gardner, com enredo
nota cem, bem longe da sórdida vulgaridade que ultimamente infesta nosso
cotidiano, transformando num verdadeiro Deus-me-livre, películas
revestidas da mais pura e sórdida banalidade. O fato é que somos
obrigados a digerir toda essa baboseira, quando ligamos a televisão para
algumas horas de entretenimento.
No tempo de Elvis, os cinemas exibiam obras primas vividas por
Charles Bronson, Michael Caine, Elizabeth Taylor e Richard Burton,
enquanto as musicas dos Rolling Stones e dos Beatles estouravam nas
paradas de sucesso em todo o mundo, assim como no Brasil Roberto Carlos
ensaiava os primeiros passos em direção à jovem guarda. Se Elvis não
tivesse morrido, com certeza, no apagar das 68 primaveras continuaria
produzindo novos discos, gravando canções românticas e inesquecíveis
iguais a que vimos emseusfilmes “Loving You, “Jaih House Rock” e “King Creole”
Infelizmente o homem partiu, como também partiram Frank Sinatra, Bing
Crosby, o que não nos dá, nem deixa muitas chances de sobrevivência em
meio ao amontoado de lixo musical (se é que se pode cognominar de
musical) queinvade nossos
ouvidos.
Antigamente nossos pensamentos se viam embalados por Miles Davis,
trompetista que no tempo do Rei do Rocke tantos outros nomes internacionais, era um prodígio na vida artística
de seu tempo. Entre o som de Elvis, a melodia de Sinatra e o que colocam,
ou melhor, o que despejam no mercado fonográfico, existe um imenso buraco
que jamais será preenchido. Essas produções milionárias que vemos
constantemente em nossas tvs, carreiam para a mídia o que chamaríamos de
síndrome da imbecilidade humana, pois há quem consiga engolir sem fazer
cara feia a tal Lacraia, a Egüinha Pocotó, Xuxa, Kely Key, Rappa, entre
outras distorções que zoam em nossos tímpanos a cada vez que ligamos o
rádio ou a televisão. Uma pena!
Parece que o Elvis, falecido em l6 de agosto de 1977, foi o que de
melhor existiu em matéria de produção musical marcante. Tanta água já
rolou por debaixo da ponte, mas, incrivelmente, milhões de pessoas
continuam a engrossar seu fã clube em todo o planeta. Sua morte estúpida,
aos 42 anos, deixou lembranças em todos nós, lembranças igualmente
marcantes, como a do ex-presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon e seu
processo deimpeachment, em 9
de agosto de 1974, no caso Watergate, (aquele edifício que ficou famoso
em todo o planeta), às margens do rio Potomac, em Washington. Mas acho
que isso não interessa a ninguém, até porque não faz parte da cultura
útil de nossa época.