Gostaríamos
de destacar neste artigo o vulto de Joaquim Nabuco, homem de letras, político,
diplomata e abolicionista.
Joaquim
Aurélio Barreto Nabuco de Araújo nasceu no Recife, a 19 de agosto de
1849, há exatamente cento e cinqüenta e três anos.
Filho de José Tomáz Nabuco de Araújo, Juiz Criminal, e de D. Ana
Benigna de Sá Barreto. Viveu no Engenho de Massangana em
Pernambuco, sob os cuidados de seus padrinhos Joaquim Aurélio de
Carvalho e Ana Rosa Falcão de Carvalho. No mesmo ano do seu nascimento, seus
pais se mudaram para o Rio de Janeiro, em razão da vida política no
parlamento imperial. Sua formação moral e intelectual foi moldada na
convivência com os escravos na senzala, casa da moenda e na casa grande.
Recebeu o ensinamento das letras, de um professor particular. Em 1857
morreu sua madrinha, então viúva, e, Joaquim Nabuco se viu compelido a ir
para o Rio de Janeiro, morar com os genitores. De 1860 a 1865 estudou no
Colégio Pedro II, quando publicou a primeira poesia, “ O Gigante da Polônia
”. Em 1866 veio para São Paulo, se matriculando na Faculdade de
Direito, convivendo, nesta época, com Rodrigues Alves e Afonso Pena,
ex-presidentes da República; Ferreira de Menezes, abolicionista; Lúcio
de Mendonça, fundador da Academia Brasileira de Letras; Luiz Gama, poeta
negro; Rui Barbosa e Castro Alves.
Com essa plêiade de amigos, Joaquim Nabuco discutia problemas literários,
filosóficos e políticos. Aos dezoito anos fundou a “ Tribuna- Liberal
” e se elegeu presidente da Associação Estudantil Ateneu Paulistano.
Completando vinte anos ,voltou ao Recife a fim de concluir estudos
jurídicos, e onde, com muita inteligência e coragem, livrou da forca um
escravo que matara seu senhor. Diplomado em 1870 retornou para o Rio de
Janeiro, desempenhando a advocacia, sem resultados proveitosos.
Dois anos a frente, publicou o ensaio “Camões e os Loteadas ”
e passou a colaborar com o jornal “A Reforma ”.
Bastante influenciado na política, se decidiu pelo Partido Liberal. Em
1873, viajou para a Europa, onde contactou com figuras do mundo das
letras, regressando em 1874. Em 1876 entrou na carreira
diplomática como adido da Legação Brasileira dos Estados Unidos. Em 1877, transferido para Londres , se relacionou com
eminentes personalidades. Em 1878 recebeu a notícia do falecimento de seu
pai, o que o fez retornar ao Brasil, ingressando, definitivamente, na vida
pública, se elegendo deputado. Como tal se embrenhou ferrenhamente na
luta pela abolição de escravatura, contando com nomes de alto relevo,
como Sanchos de Barros Pimentel, Felício dos Santos, Franklin Dória,
Joaquim Serra, Rodolfo Souza Dantas, Saldanha Marinho, Silvera Martins e
Rui Barbosa. A todos atingiu com seu brilhante dom oratório. Em paralelo,
brigava tenazmente por uma série de medidas que levariam à extinção
gradual da escravidão, conseguindo, finalmente, pelo Gabinete Conservador
de Cotegipe a prolongação da Lei dos Sexagenários, a 28 de Setembro de
1875. Joaquim Nabuco continuou sua batalha em prol da extirpação total e
imediata do cativeiro, cuja campanha se espalhou pelos jornais, clubes,
ruas, comércios, etc, até que a 13 de maio de 1888, pela Lei n º
3.353 que tomou o nome de “Lei Áurea ”, se declarou
definitivamente extinta a escravidão no Brasil.
Com a concretização desse ideal, Joaquim Nabuco prosseguiu sua
pugna face os republicanos, que pretendiam tornar
o Brasil em República, o
que de fato aconteceu em 15 de novembro de 1889. Apesar de tentativas
frustradas de debater idéias políticas na nova República, Joaquim
Nabuco se limitou, daí por diante, à vida literária, só escrevendo.
Deu vida à “Minha Formação” e “Um estadista do Império”,
considerada uma das maiores obras sobre a história do Império, além de
“Escritos e Discursos Literários”. Quando as atividades políticas e
diplomáticas pareciam encerradas, surgiu ao alcance das mãos uma
oportunidade, impar: a questão de fronteiras entre o Brasil e a Guiana
Inglesa. Por sugestão de Rui Barbosa e Rodrigues Alves, Joaquim Nabuco se
viu convidado pelo Ministro das Relações Exteriores, Olinto de Magalhães,
a chefiar a delegação Brasileira à
Inglaterra e, em nome do Presidente da República, defender
interesses da terra pátria, junto à Coroa Britânica.Seguiu, então,
para Londres, onde permaneceu 05 anos, sendo nomeado Ministro
Plenipotenciário do Brasil. Assinou com essa gente o tratado que fixava a área contestada da Guiana,
a dividindo entre ambos os Países litigantes. Também como Plenipotenciário
Joaquim Nabuco esteve na Itália e com igual disposição representou o País
com dignidade e honradez.
Em 1904 ocupou o cargo de Embaixador nos Estados Unidos. Em 1906 voltou à
terra mãe, recebendo
infinitas manifestações populares. No mesmo ano retornou aos Estados
Unidos, falecendo em Washington, a 17 de janeiro de 1910. Joaquim Nabuco,
é , pois, figura a quem esta Nação muito deve. Na abolição da
escravatura, na questão de limites com o Reino Britânico, este cidadão
de caráter imbatível, com certeza tem o seu nome indelével
gravado na galeria dos brasileiros ilustres que formaram e escreveram um
pouco da nossa história.