A casa dos grandes pensadores
 
  
 

APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA

 

 

 

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES

 

   Se o mais famoso filho da mortal Alcmena com Zeus, o  Senhor do Olimpo, acaso viesse parar na Capital do País, a serviço das forças ocultas, ou de um partido de oposição qualquer ao governo, quais seriam suas doze tarefas? Segundo pesquisas da Data Bolha, publicada não sabemos onde, num dia chuvoso e ensolarado  de inicio de mês, o rapaz teria que desdobrar-se para:

I.) Estrangular, até a morte, o gatinho faminto de Neméia, ou como ficou alcunhado depois do golpe de 1964, como o Leão do Imposto de Renda;

II.) Matar um monstro horrendo de muitas cabeças assemelhado com a Hidra de Lerna, na verdade o José Votoenterra disfarçado de ET, depois de ter perdido a campanha junto com a Rita Comeagata, para a presidência;

 III.) Deter os passos de uma jovem e simpática corça com ares de Cerinéia adolescente, meio  desatinada, conhecida nos meios políticos como Paciência Social, antes que alguém decida, realmente  reformá-la, dando-lhe um banho a rigor num salão de beleza, para que siga em frente com o rostinho bonito, tipo a atriz Pamonha Perdeaarte, aumentando, ainda mais, o tal rombo;

IV.) Tirar de circulação os envolvidos no esquema da propina na Secretaria da Faizemenda do Rio de Janeiro e trazer num tabuleiro coberto com a bandeira da Porcaria Federal,  as provas das contas em bancos Suínos para mostrar ao público que este país continua sendo território de delinqüentes e de otários da pior espécie;

V.) Roubar a churrasqueira da residência oficial do vice, José de Alemmar (Bula descobriu que, ao oposto do Palácio da Alvorada, Alemmar desfruta de confortos extras, ou seja, dispõe de um bom lugar para assar umas pelancas de carneiro) e depois de encher bem a pança, poder bater tranqüilamente  uma peladinha com os amigos no campo de futebol existente dentro das cercanias do Jaburu;

VI.) Extirpar o grupo de aves antropófagas permanentes de combate ao narcotráfico que Mogno Mata, saído dos pântanos da Estinfália  insiste em manter vivo, circulando por Brasília, não necessariamente para acabar de vez  com o esquema  das sogras, mas porque será mais um grupo de desocupados e de elite a mamar nas tetas da federação com carteirinha da Secretaria Nacional Anti-sogras;

VII.) Capturar vivo o touro de Creta, que lança chamas pelas narinas; Hércules certamente teria dúvidas em distinguir se esse bicho seria o bigodudo do José Semlei, pai de “Saraminha” ou do cacique baiano Toinho Tapioca Magalhães;

VIII.) Decepar a cabeça das éguas antropófagas de Diomedes, ou seja, arrancar à unha a goela dos radicais livres que desafiam o TP e atormentam o tranqüilo sono de Juiz Inácio e sua querida espeosa;

IX.) Apresentar para a primeira dama, dona Marrisa Lenotícia da Silva, a máscara de Berger, secretário-executivo da Casa Viril (que também é dentista). Esse sujeito, cujo patronímico é meio estranho, atende, quando o chamam, por Swedenberger Barrosa e ultimamente  anda desfilando com um simulacro cirúrgico na cara pelos corredores  do Palácio do Planalto; chegou a assustar duas secretárias novatas de gabinete, que o confundiram com a bichinha americana e estupradora de criancinhas inocentes, conhecida nos meios artísticos como Michael Jackson;

X.) Trazer sob cerrado cabresto o imenso rebanho de bois e vacas (nomes carinhosos pelos quais são conhecidos os membros da classe média nos meios palacianos), de modo a evitar que algumas camadas dessa população ralé levantem os braços ou dêem o grito de guerra contra o sistema pouco ortodoxo do atual prendiodente ou a ele venham promover focos de sublevação ou anarquismo, principalmente quando a equipe gastonômica anunciar o aumento estapafúrdico e disparatado do novo salário míiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinimo e, por via de conseqüência, da cesta básica e do gás de cozinha, bem como das taxas de telefone, água, luz e outros serviços essenciais;

XI.) Recuperar as três maçãs de ouro do jardim das Hespérides; trocado em miúdos: manter, a pleno vapor, a trindade principal de impostos criados pelos regentes anteriores para arrancar, à força, na pressão moral e  no tapa, o dinheiro mirradinho do bolso dos contribuintes sem ter que jogar, “a posteriori”, a culpa no ministro Precocci, da Faizemenda, ou do presidente do Banco Centauro, Henrique Milrrelles, alegando que em suas viagens oficiais o cidadão reserva, no avião, quatro lugares para  posudos seguranças particulares;

XII.) Apoderar-se do cão Cérbero, guardião das portas do Senado Fedemal e do Congresso Batimal. Dizem as más línguas que esse trocinho tem quatro cabeças, doze pares de olhos, cauda empinada que lembra muito ligeiramente Ferrando Callor de Melho e o pescoço de ganso parecido com o de Fernandinho Beira Riacho;

Diante disso tudo, se Hércules conseguir realizar todas essas façanhas, com certeza não será citado em historinhas  “a depois”, como um simples fortão musculoso saído sem mais nem menos das páginas da mitologia (porque, ainda quando era um bebezinho, matou duas serpentes e as fritou para saborear como tira-gosto junto com a mamadeira). Ao contrário, será  lembrado igualmente como o vereador José Trilho, da Cama Municipal de Quixeramobim (CE) que encaminhou um projeto de lei de sua autoria para ser violentado – perdão – votado, no qual  obrigava os donos de jumentos a pintarem o traseiro de seus animais com tinta fosforescente. Entrou para o livro dos recordes. Claro, nosso Hércules também terá seu nome gravado no Guiness Book  a ferro em brasa, sem precisar passar tinta ou outro material chamativo  na bundinha seca, nada parecida com a do “Deus Brasileiro”, Antonio Fazgrundes.