Rostinho
de feições criança, olhinhos exprimindo empolgues, desejos desfolhando
sorrisos, inundando ternura. Mãozinhas em busca de artes, o mundo
inteiro, a sua volta a se contemplar pequeno diante desse vivente esperto
e traquinas, colorindo de vida plena um certo pedaço de chão.
E
é o chão de terra firme que sustenta seu corre-corre incessante atrás
da bola de futebol, da pipa com linha curta que mal sabe manter firme,
suspensano ar. Das bolinhas
de gude, do balanço nos fundos da casa, do carrinho de bombeiro que
comprei quando completou um aninho de vida. Aí está você, pulando comenergia, a todo vapor, o coraçãozinho dentro de peito,quase a saltar pela boca.
Assim
os dias passaram e continuam mais intensos, ligeiros, como as águas de um
rio caudaloso e fundo. Iaiá Dudu, com o passar desses dias,tornou-se um homenzinho dentro do espaço infantil que parece debruçar-se
sobre sua cabeça, dando-lhe ares e modos de gente grande.
Ontem
mesmo, quem diria!...ontem, esse menino de olhinhos vivos e penetrantes não
ia além de um pequeno sermiuçalhoe confuso, embrulhado em fraldas com desenhos de bichinhos
coloridos; a carinha cheia de brotoejas se espalhando pela finura da pele.
Não faz muito, eu o carreguei nos braços...e o tive ao alcance das mãos...
Embaraçado,
com tanta manta tapando seu frio, desconcertei-mecom seu chorinho agudopenetrando
meus tímpanos. No entanto, agora, muitos anos depois, o vejo assim,crescido, forte, amadurecido, dono de si.Na verdade, umhomem
adulto. Puxa, que belo pedaço de rapaz me saiu!...
Daquele
ovinho de casca fina, daquele frágil bebê a se quebrar ao menor toque,
tenho, diante de mim, o sonho nascido de um amor que parecia firme e imbatível.
De um sonho que tinha tudo para seguir em frente e prosperar “ad
eternun”. Mas não importa. O que passou, passou. Não adianta ficar,
aqui, agora, chorando sobre o leite derramado, ou voltar em busca dos
passos que ficaram para trás.Iaiá
Dudu cresceu. Cresceu e vingou como boa semente plantada em terra
cultivada. Do meu pequeno Iaiá, tenho, agora, diante dos olhos, um outro
Eduardo, mas, no fundo, o mesmo gurizinho que segurei nos braços, que dei
banho, que alimentei, que ajudei a trocar fraldas, que acordava, de noite,
com febre e deixava de cabelo em pé, apavorada, e sem saber o que fazer,
a Dalva, (minha primeira esposa). Eduardo seguiu em frente, e olhem só,
está aqui. Tenho orgulho dele. Um orgulho que muito me envaidece. Vocês
não imaginam como é confortante ter diante do nariz e poder contemplar,
comouma obra prima, de arte,
aliás, da arte do amor que chegou numa boa hora; que prosperou e que
agora, como tudo o que é bom, tem vida própria e caminha, sozinho, em
direção ao futuro que tenho certeza, o espera, de braços abertos.
Eduardo,
meu filho, pedaço inseparável de mim, sangue do meu sangue. Que seu
trilhar, nesta vida, seja iluminado pormomentos de muita felicidade. Que você consiga, sobretudo, chegar
ao topo da glória e que seus passos sejam abençoados pelo Senhor de
todas as coisas. Que Deus o proteja, sempre!...