A casa dos grandes pensadores
 
 

APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA

 

 

 

 

A PROLIFERAÇÃO DAS IGREJAS

 

   Num poema de Nauro Machado intitulado “FUGA E PERSEGUIÇÃO” lemos o seguinte:

“...Configurações dos mapas

tentam apagar teu nome:

expulso da geografia,

da historia universal,

Teu reino não é deste mundo

de pânico na medula,

de animais devolutos

da raiz da Criação,

Teu reino não é deste mundo

de sobressalto da hora,

de contingência do espasmo

entre arames da nervura,

Teu reino não é destas bombas

de gasolina -: em tumor,

despejando combustão

de imundícies sobre a aurora,

Teu reino não é supersônico

chácara do paraíso,

ou elástico suspensório

elevando a dor ao vício.

Expulso da geografia

da história universal,

das fábulas em família,

da inocência dos lábios,

..........................................................

Ninguém mais te reconhece”...

E com razão! Essa poesia do grande poeta Maranhense nos leva a acreditar que a linha do tempo está se fechando aos poucos, gradativamente, trancando a cada dia os limites da vida, a cada minuto aferrolhando as portas por onde todos, com certeza, passarão. As pessoas estão se preparando (ou pelo menos deveriam), para algo, e muitas delas nem sabem exatamente para que. Simplesmente se deixam seduzir pela moderna revolução coca-cola. Há, pelos lados, e vindos de várias direções, uma crescente insatisfação espiritual, uma necessidade profunda de preencher vazios. É como se um vácuo interior dentro de cada um de nós buscasse alguma coisa de muito importante, mas que no fundo não sabemos explicar. O portal do mundo? Um planeta perdido? Ou seria Deus? Faz alguns anos foi lançado no ar um dado de estática desgraça com pontos marcados por trevas esmigalhadas. Ele permanece no espaço aéreo até hoje. Seus sinais caem brumosos e se disseminam  por diferentes partes do globo se transformando depois em igrejas. Cada movimento brusco do vento, aparece, como surgidas do nada, novas congregações. Centenas e centenas de denominações, milhares e milhares de templos independentes e soberanos. Nessa desenfreada multiplicação de seitas, elas tentam se impor: apresentam cartazes coloridos e propagandas chamativas com letras impressas em garrafais. Sem exceção, todas vendem um objeto raro: Jesus Cristo. Este mercado gritante e apelativo singrou por sendas obscuras visando, pela crença religiosa, arrastar multidões sedentas; seres que pretendem estar no lugar certo na virada inexorável do final da vida. Os produtos – Fé, Jesus, Deus, Bíblia – crescem e os investidores entram e caem em conflito constante em como  aplicar, atualmente sua boa e pura alma em título cujo valor nominal, a (SALVAÇÃO) possa realmente ser paga.

Se sairmos à procura, encontraremos, passos adiante, cidadãos que desejam atrair todas as dioceses, comunidades de cristãos, autoridades eclesiásticas e fieis para o enorme liquidificador montado na primeira esquina, objetivando fazer deles uma vitamina só, única, poderosa: o ecumenismo.

Querem uni-las numa imensa organização. Na teoria, vista a grosso modo, é um lindo poema de amor, como o de Nauro Machado. Contudo, na prática, um absurdo. Como “Strip-Tease”, o poema título de um dos livros de Martha Medeiros. Na verdade, uma contradição. E por que contradição?  A resposta é simples: existem diferenças teológicas. Em meio a toda essa balbúrdia, surge a indagação: onde está Aquele que criou o céu e a terra? Onde está o Altíssimo real? Cadê o Deus vivo? São tantas as decepções e as falsas doutrinas querendo sugar o ser humano, que acaba surtindo, em meio a confusão desordenada, o efeito contrário. E que efeito seria esse? A nosso ver, o despontamento irrefreado dos ateus. Aliás, um amontoado deles. Na verdade, não seria esse o objetivo principal desses conglomerados de templos, ou seja, confundir e roubar a fé e a alma das criaturas?  Nessa altura dos acontecimentos, como separar o joio do trigo? O grande caso, a combatente verdade é que as sinagogas, estão mais na condição de oferta que necessariamente de procura. Mas esperem um instante. Deus não é o sol, não é a pedra, o mar, o infinito azul acima de nossas cabeças, a lua, como também não é o relâmpago e o arco-íris? Deus, esse ser divinizado que todos procuram e buscam incansavelmente é um Ser Vivo, que amou o mundo de tal maneira que entregou seu único filho para morrer por nós e conseqüentemente nos presenteou com a coisa mais bonita que pode ter sido criada até hoje, a Redenção. A confiança em Jesus Cristo é um sentimento que deveria, antes de qualquer coisa, ser puro e verdadeiro. Sem meios termos. Ou se acredita Nele ou não se acredita. Não dá para permanecer sentado em cima do muro. Enquanto isso, o dado continua espalhando sua semente. Uma aqui, outra ali, mais outra acolá. A areia da ampulheta está se esvaindo...se...esvaindo...um inevitável período de sombras difusas se aproxima. Um período negro, obscuro, incerto, tenebroso, cruel, destruidor, avassalador...

Para que se prepara, afinal, os povos  de toda a face da terra? Para a Segunda vinda do Salvador? Para a terceira guerra mundial? Para uma nova e mortífera bomba nos moldes  e contornos da atômica sobre Hiroschima? Para que se prepararam, afinal, os povos e gentios? Para o enfrentamento de novas doenças? Para a epidemia da AIDS, do câncer, do Ebola ou para a vinda, quem sabe, do Anti-Cristo? E quem é, afinal  o Anti-Cristo?  Onde vive? Onde está? Por qual motivo, por favor, ou por quais motivos, se prepara essa infindável multidão de imbecis? Que alguém nos esclareça...

Não importa. Seja qual for a resposta, obviamente  não importa. Cada um de nós precisa ter dentro do coração a substância espiritual certa, honesta, correta, clara, sem manchas, para excluir, em definitivo, a sensação de ausência da alma combalida e desgastada pelo dia-a-dia dos que, com falsa profecia, procuram enganar, ludibriar e denegrir a boa fé que ainda perdura como uma tênue luz prestes a se apagar. Não devemos esquecer jamais, do que está sinalizado em Mateus 24.5: “Porque virão  em meu nome dizendo: Eu sou o Cristo e enganarão a muitos”.

O Lula, não se esqueçam,  já chegou  lá.