E
ninguém sabe dizer ondeencontrar
a mulher dos seus sonhos. Todos negam com a cabeça. Uns nem respondem.
Outros viram-lhe o rosto em sinal de pouco caso. Algunsposicionam-se indiferentes e alheios à sua presença. Na
verdade, a multidão o trata como se o pobre não existisse. A maioria
daquela escumalha o considera um estróina, a julgar por seus modos
estranhos, pelo seu vestir e até pelo falar.
E
o coitado, o infeliz, parece mesmo apalermado, furioso, louco. E como um
doidivanas,
Portanto,
segue adiante...
persegue
imagens distantes, figuras indistintas que nada têm a ver com a
amada. Perdido e só, esse caminhante não vive. Vegeta um tempo
obumbrado, esquecido no espaço irrecuperável do compasso inconseqüente
dos dias que passam um após outro, como se para o mundo todas as coisas
tivessem morrido ha séculos. É o destino imprecativo que manipula seus
desejos e ansiedades como melhoragrada.
A esperança, aquela esperança ambígua de outroraretirou-se, às pressas, de seu peito, tal como quem foge de algo
ruim e prestesa acontecer. Tudo isso, porém, tem uma causa: sua outra
metade que busca incansavelmente. O efeito, sente agora, abraçado à ausência
da saudade que domina toda a mente, transformando o pensamento num
redemoinho de idéias confusas. Afinal, onde está, por Deus, onde está a
figura que coloriu seus devaneios?Sem
elaeseus aconchegos é um homem vazio de vida, de cores, e de esperanças.
A partida da jovem doeu-lhe muito. Feriu de tal forma que até o coração
bate descompassado, numa atitude convulsiva de sofrimentos embaraçosos.
Em seu peito uma ferida imensaabriu
feio à flor da pele, e desde então não cicatriza.
Enquanto
anda e procura, indaga e persegue, recorda o passado...
Lembra
a vida à dois; os verdes anos de prosperidade e fortuna como dádivas caídas
do firmamento. Que belos e maravilhosos momentos de ternura e enlevo
desfrutaram!...
No
entanto, o copo do destino transbordou o licor amargo. O céu tingiu-se de
nuvens negras e um vendaval inesperadofez-se forte, muito poderoso e intransponível. Suas idéias e ideais,
a partir daí, entraram em parafuso, como um avião desgovernado e tudo o
que era bomvoltou-se, de
repente, para o nada. Toda aquela plebe ao seu redor deve estar com razão.
Ele é mesmo, sem sombra de dúvidas, um alienado mental. Sente que as pernasbambeiam a carcaça. Em derredor de si, coisas, pessoas, casas...giram,
e a medida que entram nesse movimento rotatório, as vistasturvam-se por completo equedam-se,
em seguida, em pesadas brumas de solidão.
Está, pois, tolhido,
indefeso,
vencido...vencido e
sem forças para soerguer o nariz, levantar a moral, dar a volta por
cima e berrar. Na verdade, quer gritar que está vivo, carente, dependente
do amordessa deusa que
enfeitiçou sua alma e, no final das contas, o abandonou ao grotesco mais
iracundo do ridículo.
- Te amo, te amo – grita o pobre infeliz olhando para um pequeno
retrato três por quatro. - Te amo, porquetu te escondestes de mim?
Seria esse homem um louco?
Como, louco, se o mísero só quer saber onde está a autora dos
seus sonhos?