A casa dos grandes pensadores
 
 
 

APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA

 

 

 

 

QUE É ISSO, COMPANHEIRO?

 

     Poderemos até ser considerados por alguns, como  antipatriota de mão cheia, exatamente pelo fato de  professarmos, abertamente a convicção de  que o Sr. Juiz Inácio não fará um bom governo. Na verdade, não damos a mínima importância, pois sabemos que, daqui a algum tempo, todos que agora motejam de nossas assertivas estarão como um bando de velhos, envergados e descontentes diante das evidências. Nessa hora, assistiremos, de camarote, a grande massa meter a cara no travesseiro e enxugar os olhos no quentinho da estupidez. O fato é que, antes mesmo de tomar posse, Bula (para entender esse homem é preciso tirá-lo da caixinha e ler atentamente as instruções) já deu mostras de que sua passagem por Brasília caminhará de ruim para péssimo, e daí para escorregar para o enorme buraco negro, logo à frente, será como a gotinha fatal que transbordará o copo.

Vamos começar por suas viagens. Em Pernambuco, (será que alguém lembra?) durante um comício em Guaranhuns, depois de muito choro (acreditem, não vai haver lenço que vença as lágrimas da torneira – perdão, do torneiro mecânico) ele gritou para uma multidão de idiotas e embasbacados que Ferrando Ohenrique Carrancoso viajou “muito”, mas que ele só viajaria pelo Brashil.”

Antes de assumir o conforto dos Palácios de Brasília, a bordo do jatinho executivo Legacy, Bula já passeou pela Argentina, Chile, Estados Unidos, Itália, Guatemala, e México (só não foi em Toronto, porque por lá, Canadá). Quem sabe, após a posse, não parta em uma segunda lua-de-melda para as ilhas virgens, antes que elas sejam defloradas pelos fiscais da Secrautaria da Faizenda do Rio de Janeiro e de lá não sobre um tempinho e acabe fazendo um “tour” esticado pela misteriosa Al-Sayoud, uma das oito residências do deitador Saddam Bucheim, às margens do Rio Tigre e, entre as fileiras de palmeiras e outras plantinhas rasteiras, ou ao lado das portas de madeira ricamente entalhadas e ornadas a ouro, com as iniciais SH, não pouse para umas fotos ao lado da Torneira Dama.

Com certeza, os salões iluminados por candelabros gigantes de ouro e cristal vão chamar mais a atenção dos “otários”, e “puxa sacos” que puderem ver as fotos depois de reveladas, se, ao contrário, o Sr. Juiz Inácio, na humildade que (des) preza e tenta demonstrar, se deixasse clicar em Porto das Galinhas, numa de suas muitas piscinas naturais lá existentes. Meu Deus, quase esquecíamos: Bula não gosta de galinhas. “Essas criaturas horrendas (ou seriam aves?) - segundo declarações à imprensa, - misturam penas aos preservativos...e na hora de quebrarem os andaimes (que andaimes? são paus, paus de galinheiro),  na hora de quebrarem, portanto, os paus – quebrar no sentido de esfolar, deixar vermelho, fraturar, reduzir a pedaços - pelo menos com os galos, as coisinhas não deslizam, ao contrário, empacam e emperram como as reformas que não saem e as CPIs” que não levam a lugar nenhum.

Continuando com o rosário de demagogias, em Carretés, sua terra letal (onde chorou mais um bocadinho e também ninguém mais se recorda), prometeu criar um conselho para discutir a questão da água para a saca do Nordeste (as criaturas de lá são uns sacos) como igualmente um conselho para a política previdenciária, outro para o combate à violência e outro para o pato (pacto???) social.

Vão ser tantos os conselhos que os conselheiros, coitados, precisarão formar um conselho interno bruto particular, registrar em cartório, criar uma sigla (talvez CONINBRUPARTE ou CONIBRUPAR) para se aconselharem, entre si e, o mais importante, terão que ter ouvidos e paciência de dois Jós, ou seja, Jojó, (fica mais bonito Jójós) para assimilarem tanto ti, ti, ti e bla, blá, bla...

Em fluxo paralelo, observem um detalhe importantíssimo: não é admissível  que um  futuro chefe de Estado se subjugue a outra nação (como é o caso do Brashil diante dos Estados Unidos) e queira ficar por  baixo dela, admitindo que o seu País deixa claro que reconhece a “supremacia americana”, mas, em contrapartida, quer ser respeitado como líder regimal” Bula fez isso. Abriu as pernas para Bucho. Ora, se Bucho tem a sua superioridade, nós também temos, e, por dispormos dessa hegemonia, não podemos, de forma alguma, ser relegados à condição de líder regimal. Vão acabar, no final das contas, nos roubando a batata, - que batata? - a batuta. Isso mesmo, a batuta!  O que é batuta? É aquele bastão delgado, de uns 50 cm de comprimento com que os maestros regem as orquestras. E quando falamos em orquestras, nos referimos às do conservadorismo econômico, a da pouca vergonha e a do nepotismo. Sem mencionar a do FMI. Puta que pariu, nem nos músicos se pode confiar, hoje em dia!...

Das duas, uma: ou o Sr. George Bucho nos engole, ou vai de mala e cuia para os quintos do inferno, com todo o seu falso poderio. Se realmente  tivesse a força que diz possuir, não teriam desarrumado a casa bem embaixo de seu nariz, como vimos pela televisão, no fatídico onze de setembro. Bem feito. Foi pouco! Ozama deveria, ao invés do Pentágono, ter mandado pelos ares, a Casa Branca, com o Bucho dentro, de preferência quando ele estivesse sentado na bacia da privada. Ia ser engraçado,  repórteres  de todo o planeta, mostrando, ao vivo e a cores, pela televisão, o Sr. Bucho, em pedacinhos, misturado ao que restou do seu vaso sanitário privativo.  A nosso ver, Laden gastou munição à-toa, (perdeu um Boeing prontinho) quando deveria aproveitar a ocasião e além do Bucho partir ao meio o prédio das Nações Unidas, ou o Empire State Bulding. Mas isso, agora não vem ao caso. Vamos voltar ao Bula. Admitir, pois (como impensadamente ele fez no encontro com Bucho), que os Estados Unidos são melhores que nós é o mesmo que estar na pele da ovelhinha ingênua, que vai, cabisbaixa, confessar suas mágoas, com o lobo, ou como o rato, que estanca, de repente, no meio do caminho a fim de cumprimentar o gato. A não ser, claro, que o nosso Bula se considere um desses míseros camundongos de esgoto. Pode até ser, porque de ovelha...de ovelha o Bula não tem nada. Não é nem parente próximo.

O mais estranho e esquisito nessa história toda: Juiz Inácio sempre se posicionou como um visionário esquerdista do mundo e, dentro desse princípio, notadamente quando a conversa girava em torno dos Estados Unidos, Bula se referia a eles como “um centro opressor neoliberal e a sede da globalização selvagem que destruiu a economia dos países periféricos”.

Por que essa mudança repentina atrelada à vontade inconseqüente de se rebaixar diante do grande tirano? Por que essa alteração de conduta, essa variante esquizofrênica no comportamento?

É possível que antes de abraçar o poder, o Sr. Juiz Inácio jogasse do lado dos demagogos e dos hipócritas, só para fazer merchandising em torno de seu nome e, no fundo, tivesse realmente vontade fazer alguma coisa de útil pelo povo brasileiro. Contudo, agora que detém as rédeas de Chifre Supremo, é bem provável que o vírus que emana dessa incumbência lhe tenha, incontinente, afetado as faculdades mentais e ele, hoje, realmente  jogue e faça demagogia e merchandising com seu nome, pouco se lixando com a sociedade dos milhares e milhões de assalariados e aposentados que, acreditando nas suas palavras bonitas, tiveram a coragem de dar-lhe um voto de confiança. Por conta disso, e para não tornar o texto mais comprido, não vamos e não queremos mencionar qual será a primeira medida que o Sr. Bula tomará como presiosdênte (obviamente vão acabar nos apelidando de chatos de galochas).

Mas esperem! Ouço gritos. A galera delira. Querem que falemos. De verdade? Não nos tornaremos insolentes e nem seremos tachados de carne de pescoço?  Nem considerados uma pedrinha inconveniente no sapatinho do homem? Pois então, lá vai: Bula (que as más línguas andam apelidando de Gula) tornará o Come Zero uma realidade, ou seja, só ele comerá enquanto os outros ficarão de pratos vazios. O poderoso de São Bernardo acabará com o come-tudo no Brashil, custe o que custar, mesmo que para isso precise “papar”, pelas beiradinhas, nossos bolsos, como as criancinhas papam mingau de maizena quente. Uma das saídas estratégicas é aumentar a carga tributária. A outra, tentar extirpar, da face da terra, os pobres e desgraçados, principalmente aqueles que votaram no candidato concorrente. Nessa salada podre que deverá ser servida em breve, uma coisa, é certa e não deve, de forma alguma, ser deixada de lado. Estamos todos carecas de saber: erradicar, de vez, com a tal da come, seja a come-por-aqui, ou a come-por-ali, é o mesmo que pôr um fim definitivo na corrupção, na bandidagem, ou no creme orgãonizado, ou no rambo que anda (triturando) a previdência por debaixo dos panos. Daí o rombo! Nem Jesus Cristo, com toda sua glória, (ainda que assumisse o posto de assessor, no lugar de Waldomiro Diniz) levaria, a cabo, ou a sargento, tal façanha.

Pelo exposto, e para terminarmos a conversa, sabem quando o Sr. Juiz Inácio conseguirá essa proeza de acabar com a miséria? No instante derradeiro em que o tal planeta intruso que está vindo lá do espaço (a não se sabe a quantos mil quilômetros por hora) chocar-se frontalmente com a terra. Aí, meus amigos, Bula terá realmente, vencido a maior de todas as epidemias que assolam a humanidade.

Todavia, enquanto continuar viajando pelo mundo afora e, enquanto os nossos engravatados e intocáveis representantes não pararem de meter as mãos na grana dos cofres públicos, só nos resta esperar por um milagre. Enquanto o milagre não chega, vamos dar gargalhadas, vamos rir da nossa própria estupidez, rir, claro, até o racho do cu fazer bico. Vejam, por exemplo, como somos burros: as cestas básicas que compramos nos supermercados, a preço de ouro, deveriam vir recheadas de bom capim e alfafa. (Hi! Hi! Hi!...). Não é hilário?  Que é isso, companheiro? Deixe-nos gozar da desgraça de todas as famílias brasileiras. (Hi! Hi! Hi!...) Deixe-nos, de igual modo, escangalhar com os  nervos dos maxilares, antes que o Brashil afunde, afinal falta tão pouco. (Hi! Hi! Hi!...) 

Parem um instante. Raciocinem friamente. Rir ainda é melhor que bater uma punheta olhando com os olhos esbugalhados, feito um babaca, para uma foto pelada da Daniela Cicarelli fazendo uma fezinha num desses cata níqueis de esquinas espalhados pela cidade, ou pior, assistir pelos noticiários das tevês os advogados da União tentando derrubar as liminares que permitiram os empresários  e donos de casas de jogos a continuarem com seus bingos funcionando a todo vapor. (Hi! Hi! Hi!...).