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- Seleta II
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(*) Texto de Aparecido
Raimundo de Souza.
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Todos os dias, novos poetas
se destacam no cenário, não só da prosa, como, igualmente,
da poesia. Cada um, em particular, a nosso entender, merece
um espaço na mídia, uma oportunidade para mostrar seus
trabalhos ao grande público. É esse o objetivo de Seleta.
Dar a conhecer, ao mundo, a sua enorme gama de artistas que
não tiveram a oportunidade de publicar um texto solo, por
mais simples ou sofisticado que seja. Dessa forma, dando
continuidade ao objetivo da coluna, quando da sua
idealização, apresentamos, hoje, os trabalhos de quatro
nomes ilustres do cenário literário nacional. Com vocês, o
primeiro deles, MARIA GUILHERMINA KOLIMBROWSKEY. Vem, da sua
alma enlevada e do coração mergulhado em sonhos, o cativante
“DEVANEIO MAIOR”.
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Uso todos os neurônios,
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sou profeta mutante.
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Retomo o prisma,
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rodopio estilhaços da
esfinge.
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Sinalizo janelas interiores,
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recolho valores ao relento.
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Revejo caminhos férteis
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sem distâncias.
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Vejo estrelas no asfalto,
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onde mãos se estendem.
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Sou anjo de asas verdes,
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possibilidade de vida.
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Desperto corações em desuso
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Afasto nuvens e me sinto luz.
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Decreto urgente
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A verdade inteira.
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Não mais caminho ao encontro
do nada.
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Vivo o amor na linha
holística,
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sem conchavos com a loucura.
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Limito a lágrima
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Amplio o riso.
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Redesenho o pensamento
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no idioma do tempo.
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Em gestos novos,
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desejos gastos,
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conheço a paz.
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MARIA GUILHERMINA foi
supervisora de Ensino pela Secretaria Estadual de Educação
de São Paulo. Hoje está aposentada. Exerceu o magistério de
1º, 2º e 3º Graus em estabelecimentos oficiais e
particulares. Participa de vários movimentos culturais com
prêmios Literários em Concursos Nacionais e Regionais de
Poesias e Prosas. Possui mais de uma dezena de trabalhos
publicados em antologias, todos com honras e premiações
classificatórias.
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Na seqüência, conheçam um
pouco do trabalho de ADRIANO PORTO. Trazemos a sua “A
PRAIA”, publicada na Antologia “LETRAS NO BRASIL”, pela TABA
CULTURAL Rio de Janeiro.
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“A lua está iluminando a
praia inteira
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E as estrelas
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Combinam muito com o som do
mar.”
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Cintilantes ondas brilhantes
vão e vêm,
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Vem (...) dentro de mim
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Uma vontade de beijar.
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A Noite Rainha caminha
lentamente,
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Avançando sobre a paisagem,
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Soberanamente me traduz,
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Reluzentes meus olhos
contemplam
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O Templo do Deus Noite e tua
luz.
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A praia vazia esvazia minha
ansiedade,
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Meu medo do mundo,
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Minha incapacidade,
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Meu segredo profundo,
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Minha síntese miragem,
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Meu tudo...
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Essa praia
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É um Paraíso aqui na Terra
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A espera
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De um Anjo-Guardião
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Que livre-a da civilização,
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Das vilas, avenidas, da
população...
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Sua pele bege fina areia
clara
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Me encanta
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Ao ver na dançarina suas
águas,
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Ondas mansas...
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Sua brisa me acalma,
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Entorpece minha alma
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Que exausta sonha acesa,
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Para que num outro mundo
amanheça
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Ainda a mesma linda minha
praia...
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Agora é a vez do inimitável
escritor carioca OSWALDO GOMES, nascido aos 14 de fevereiro
de 1939, em Vila Isabel. Aos 69 anos, o jovem moço continua
de bem com a vida, rimando com simplicidade e elegância as
coisas mais corriqueiras do cotidiano. Não só rimando,
evidentemente, mas dando, sobretudo, um colorido especial
aos versos bucólicos que escreve, como é o caso de “AS
VACINAS”, inserida no seu livro “RISO RIMADO”. Uma
preciosidade.
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Para nenéns e crianças,
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vacinas em quantidade.
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Pra este mal ou aquele
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e de acordo com a idade.
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Acho, também, que o adulto
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devia se imunizar
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contra os males, tão
diversos,
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que chegam a nos assustar.
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Completando 15 anos
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realmente era preciso
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que fosse administrada
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a vacina do juízo.
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Mais tarde, então, aos
dezoito
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é grande a necessidade
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de se tomar a vacina
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da responsabilidade.
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Vinte anos completados,
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necessário, então, se faz
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a vacina do bom senso
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em doses, sempre anuais.
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Contra o ódio e a vingança;
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contra o orgulho e a ambição.
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Ao casar a vacina tríplice...
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Paz – Amor – Compreensão.
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Contra a cobiça, o desamor,
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o desrespeito e a maldade.
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Enfim, contra esses males
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que afetam a humanidade.
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Via oral ou intradérmica,
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agulhas grossas ou finas,
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o ser humano precisa
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de todas essas vacinas.
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Finalizando, “ESPAÇO EU” do
escritor FELIPE CATALDO.
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Um lugar onde eu estou todo
exibido
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Me vêem por todos os lados
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Nas paredes, no teto e no
capacho
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Estou até nas lixeiras do
local
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Bustos perfeitamente moldados
sobre elas
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A minha cabeça, com a boca
arreganhada
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Que nem lixeira de parque de
diversão
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Eu sou o palhaço
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Atiraram lixo na minha boca
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E o pior é que essas cascas
de banana
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Servem para a poesia
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Vários de mim diferentes
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Cada lixeira, uma cabeça
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Cada lixo, um remetente
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O cidadão CATALDO é também
cineasta. Produziu, dirigiu e protagonizou recentemente, o
longa metragem “Um maluco em Copacabana”. O filme é uma
comédia carioca subversiva. Logo poderá ser conferido nas
melhores salas de exibição do Rio de Janeiro.
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(*) SELETA: Reunião de
autores emergentes, organizada por APARECIDO RAIMUNDO DE
SOUZA – “REVISTA TEXTOS INTELIGENTES” SÃO PAULO 20 de Agosto
de 2008 – Páginas 11 e 12.
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APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA é
escritor e autor de vários livros, entre eles, “As mentiras
que as mulheres gostam de ouvir”, “Quem se abilita?”, “Com
os chifres à flor da cabeça”, “A outra perna do Saci” e “O
vulto da sombra estranha”, todos pela TABA CULTURAL EDITORA
Rio de Janeiro.
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ATENÇÃO LEITOR AMIGO:
Participe. Mande seus textos com uma pequena biografia para:
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textosinteligentes@ig.com.br
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ou...
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aparecidoraimundodesouza@yahoo.com.br
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