Drogas e as dificuldades para
o tratamento
Quero desenvolver um assunto que segundo meu pensamento
é extremamente importante por durante muito tempo ter
observado a dificuldade que as pessoas encontram sejam elas
familiares ou mesmo dependentes químicos a buscarem ajuda.
Esta dificuldade existe por varias razões:
O preconceito, os estigmas e os mitos que rodeiam os
dependentes e as famílias que tem problemas com drogas.
A falta de conhecimento sobre a doença da dependência.
A Coodependencia.
Questões financeiras.
Poderíamos colocar vários outros fatores, mas acredito
que muitos estariam correlacionados a estes.
O preconceito, os
estigmas e os mitos que rodeiam dependentes e as famílias
que tem problemas com drogas.
É comum pessoas que estão envolvidos com drogas
serem taxados de vários adjetivos negativos, serem olhados
com indiferença. Muitos pais serem questionados na educação
de seus filhos, serem responsabilizados pelos atos negativos
deles. Serem excluídos de seus meios sociais.
É comum a sociedade buscar o afastamento de envolvidos
com drogas, principalmente, quando falamos em ternos de
companhia, como se a dependência fosse uma doença contagiosa
e a simples amizade já significasse o imediato contagio.
Este afastamento não atinge tão somente o usuário, mas toda
a sua família.
É comum dependência química ser sinônimo de bandido,
delinqüente, vagabundo, desajustados e mais sinônimos e
outros adjetivos neste gênero. É comum tal de jargão "litro
que vai querosene nunca mais sai o cheiro".
Diz à psicologia que quando estigmatizamos ou somos em
demasia rotulados o inconsciente acaba assumindo para si
tais estigmas. Pôr varias vezes conversando com pessoas
dependentes elas me perguntavam o porque perder tempo com
eles. Diziam que eles não valiam nada e assim muitas vezes
duvidavam até mesmo de nossa ajuda.
Quantas famílias acabam por ficarem totalmente doentes
emocionalmente por se culpar pela doença do filho, atingindo
estágios elevados de coodependencia devido a estes fatores
externos que são os estigmas e o preconceito.
Com todos estes preconceitos, rótulos, estigmas quem se
habilitaria a assumir a dependência? Como que a família
estaria disposta a assumir tal doença e assim, buscar ajuda?
Aqui cabe uma reflexão, não é somente o ente dependente
que provoca uma coodependencia na família, mas de uma
maneira a própria sociedade também tem sua
co-responsabilidade, pois diante de tanta pressão interna
(âmbito familiar pelo ente) e de toda execração social
devido aos preconceitos, rótulos qual pessoa que consegue
resistir a tudo isto e não acabar por adoecer também?
A dependência tem suas características especificas que
já impedem a pessoa de procurar ajuda e com estes fatores
externos complica mais ainda esta tomada de atitude.
Poderíamos colocar muito assunto daria para escrever um
livro, mas quero ater nesta síntese.
A falta de conhecimento sobre
a doença da dependência.
Como disse acima o preconceito, o estigma, os mitos
colaboram e em muito para que a pessoa não busque
conhecimento e informações sobre a dependência. Uma coisa
leva a outra. A falta do conhecimento certamente é o caos
para um aprofundamento da dependência química seja ela na
pessoa que a adquiriu, seja na família.
Devido a vários fatores acima citados e também a outros
de responsabilidade da família seja ela por ignorância, seja
por comodidade, seja pela estrutura social cultural
familiar, seja pela família estar de certa forma envolvida
pelos seus conceitos de valores que levam a comportamentos
que propiciam as drogas, seja pela ignorância no sentido de
não se interessar pelo assunto por acreditar que isto jamais
atingirá seu lar. Enfim, varias outros fatores também
colaboram á não buscarem informações.
É comum observarmos que quando se realiza palestras,
encontros é uma minoria que vão atrás de informação, que
realmente demonstra interesse sobre o assunto. É notório
observar que os que lá se encontram são especialistas na
área da Saúde, profissionais da área de Educação, são
entidades que atuam na área de drogadição, familiares que
estão envolvidos com drogas no lar. Enfim, são pessoas que
geralmente estão ligadas ao tema e que muitas vezes estão
pela obrigação ou ordem de superiores ou mesmo pela
necessidade imediata, mas maioria do publico interessado e
que na realidade deveriam participar pouco se fazem
presente. Não se deve buscar o conhecimento sobre este
assunto quando vive o problema tão somente, mas sim, como
meio preventivo.
É fundamental que ocorra um trabalho de conscientização
onde possa reverter este quadro de inércia, de comodismo
levando as famílias a saírem do conforto de suas casas
buscando informações e assim, tenham um maior conhecimento
sobre a dependência química podendo estar preparada e com as
ferramentas certas caso venha a ter problemas de drogas no
lar.
A informação sobre este tema dever ser constante e de
formação permanente. Todos são responsáveis nesta formação
desde as empresas, as entidades religiosas, as instituições
governamentais ou privadas. É mais fácil uma empresa,
instituições governamentais, repartições públicas, entidades
religiosas conseguirem levar as famílias a participarem de
encontros e assim adquirem conhecimento do que voluntários
simplesmente promoverem tais encontros. É preciso
investimentos de recursos financeiros, disposição e
prioridade para levar a prevenção às crianças, jovens, mas,
sobretudo as famílias.
É mais fácil uma família retardar o consumo de álcool
ao adolescente do que esperar que ele numa festa, junto com
amigos evite beber. Muitos valores, conceitos de vida são
construídos no dia a dia junto com a família. O conhecimento
sobre a dependência química não se restringe aos
conhecimentos técnicos, científicos, mas, sobretudo na
formação espiritual, ética, moral e social.
A Coodependencia.
Qual família que tenha um ente dependente e que não
acaba tornando co-dependente? Acho que podemos contar. Na
realidade de uma forma ou de outra a família acaba sendo
arrastada juntamente com o ente pelas profundezas das drogas
e assim, adoecem junto com eles.
Aqui é importante ressaltar que mesmo com toda uma
estrutura de conhecimento, ainda assim a família não está
livre, porque a realidade é que a dependência abala as
estruturas de qualquer pessoa afinal quando lidamos com
sentimentos, emoções dificilmente a razão consegue ter o
controle.
Este tema também é outro que se pode escrever vários
livros que não esgotaria e cada vez mais se teria materiais
novos. Porque na realidade a co-dependencia segundo meu
ponto de vista está inserido dentro da estrutura psicológica
da sociedade, do membro familiar, inclusive do próprio ente
dependente da família. A coodependencia está relacionada as
questões culturais, sociais, comportamentais. Uma grande
força aliada para esta superação está na espiritualidade e
no conhecimento sobre a dependência.
A coodependencia é construída tanto pelo ente que é
dependente – uma característica da dependência química é
levar o usuário e torna-se o outro coodependente – mas
também ela é construída pelos membros familiares devido a
temas acima abordados entre outros.
Segundo meu ver, o estado de um coodependente é ainda
pior do que a pessoa propriamente dependente, pois na
realidade se encontra doente e não tem noção disto. Muitos
deles têm comportamentos mais acentuados que o ente que faz
uso de drogas; alias muitos coodependentes também são
dependentes, são comuns familiares fazerem usos de varias
drogas psicoativas como calmantes, antidepressivos, como
também é comum vermos familiares com comportamentos adictos
sem o uso de drogas.
Mas ainda assim, acredito que a partir de um trabalho
de desestigmatização da dependência química, somando a
informação, o conhecimento sobre a dependência é possível
minimizar sensivelmente o grau de co-dependencia da família.
Enfim, a coodependencia é um tema tão extenso que vou ater
aqui.
Questões
financeiras.
Esta dificuldade realmente é preocupante porque na
verdade anula as grandes barreiras ou etapas vencidas pela
família ou barreiras superadas pelo dependente químico.
Porque nada adianta assumir a doença, procurar ajuda se não
existem programas onde as pessoas tenham acesso. Hoje
sabemos que varias entidades de tratamento estão fechando
suas portas pela falta de recursos financeiros, e esta falta
de recursos afeta diretamente na contratação de
profissionais capacitados. É uma grande ilusão, uma utopia
imaginar que profissionais vão trabalhar a troco de nada,
simplesmente por solidariedade. O trabalho voluntário não
tem como exigir compromisso, pode até se criar regras, mas
não funciona, quem faz por amor não pode ser exigido a não
ser pela sua própria consciência.
Entidades tem cotas para atendimento a carentes mesmo
sendo filantrópica e certamente a admissão de um candidato à
tratamento está sujeito a vontade informal dos diretores de
tais entidades. Já vivi isto na pele quando precise internar
uma pessoa. Os obstáculos surgem naturalmente. Uma entidade
não vai deixar de internar dependentes de sua cidade
gratuitamente para atender de outras localidades a não ser
que este candidato venha recomendado.
Hoje o que se pede para internação é um absurdo em
relação ao poder aquisitivo da renda do brasileiro.
Outro fator complicador também pela falta de recurso
está relacionado ao preconceito que existe em torno do
usuário. Quem vai ajudar uma entidade deste gênero para
dividir com entidades que cuidam de crianças, sejam elas
órfãs, sejam carentes, para colaborar com entidades que
cuidam de "vagabundos"? Quem deixa de colaborar com
entidades como abrigos para idosos, para ajudar entidades
que trabalham com drogados? Não que tais entidades não
mereçam atenção, mas na verdade todas as direções, projetos,
recursos estão voltadas para elas, e não com aquelas
entidades que trabalha com dependentes químicos. Existe uma
meia dúzia de entidades para tratamento de dependentes
químicos que são apadrinhadas, as restantes vivem das sobras
que caem das mesas dos ricos. Algumas entidades ainda
sobrevivem porque algumas famílias ou um ou outro empresário
a mantém por talvez no passado terem vivido o drama da droga
na família. Outras vivem esmolando com seus internos
vendendo produtos de nas ruas. Alguns sacerdotes abnegados,
evangélicos juntamente com pessoas que venceram as drogas se
associam para criarem entidades.
Tudo isto, leva as pessoas não procurarem e não
conseguirem ajuda. Parece pouco, e é pouco o que as
comunidades terapêuticas mais pobres cobram das famílias,
normalmente um salário mínimo. Porém, para a família é
muito, principalmente aquelas que ganham este mínimo por
mês, ou dois ou três mínimos. Pois, na verdade, o custo da
família não restringe tão somente neste valor, mas despesas
de viagens, despesas pessoais do ente em tratamento.
Existem entidades que cobram consulta de familiares
quando estes vão visitar seus entes, pois na visita passam
por consultas com psicólogos. Estes custos são adicionais.
Quero ficar por aqui, porque a tanto para se falar e
questionar que certamente teria muito ainda para escrever.
Ataíde Lemos
Autor dos livros
Drogas Um Vale Escuro e Grande Desafio para Família
O Amor Vence as Drogas
Livro de poesia Palavras Expressão dos Sentimentos