A casa dos grandes pensadores
 
 

BENEDITO CELSO A. FRANCO

           

A bereta da Dona Marcionília

No Calado, hoje Coronel Fabriciano, MG, à boca pequena, ouvia-se dizer que, quando empregados recebiam um bom dinheiro do Coronel Silvino Pereira, este guardava o dinheiro até eles resolverem ir embora. O Coronel Silvino - o Camargo Correia da região - construía a estrada da Vitória Minas e também era empreiteiro de carvão da Belgo Mineira. Os empregados, indo embora, pegavam o dinheiro e a estrada, a pé ou a cavalo. Um pouco depois do hoje Bairro Mangueiras era dos bons lugares para o assalto. Passando alguém, ou o revoar dos urubus, encontrava-se o cadáver. A população entrava em reboliço, dormia mais cedo, as portas mais bem fechadas. Dona Marcionilia, a esposa do Coronel, baixinha e gorda, fechava a cara, colocava uma bereta na cintura, exibindo-a, e rondava sua residência de esquina andando no passeio de um lado a outro, por toda a noite.

           Alguns dias passados, e a calmaria voltava à vila. Desconheciam-se os motivos, esqueciam-se o assalto, a segurança, a morte, o morto – tudo como dantes na terra de Abrantes!... como diria minha sogra, Dona Rosa.

Benedito C. A. Franco

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 24/03/2009