Lula critica soberania britânica nas Malvinas e
pede que a ONU debata a questão sobre a
exploração de petróleo...
Achocolatado
Em alguns remédios para abaixar a
pressão arterial, e tratar certas doenças
circulatórias e cardíacas, usa-se, em dosagem
mínima, a nitroglicerina.
Numa das firmas que trabalhei, havia a
única fábrica automática de nitroglicerina do
Brasil, na época, para a feitura de algumas das
dinamites - entrava ela como o componente
explosivo.
A nitroglicerina é um explosivo
potente. Pura, não é transportável; é um líquido
parecido com o mel, mais claro e menos viscoso -
um líquido finíssimo e que, por exemplo,
atravessaria a madeira com uma certa facilidade.
O maior mérito do Nobel, em 1867, foi justamente
o de ter usado produtos para estabilizar a
nitroglicerina, tornando-a transportável - a
dinamite. Ela não entra na composição de todas
as dinamites - hoje há inúmeros produtos
explosivos - naquele tempo, o mais importante e
potente, para uso em dinamites, sem dúvida
nenhuma, era a nitroglicerina. Quando explode,
expande-se formando gases quentes com volume
três mil vezes maior que o do líquido. É obtida
da combinação, sob certas condições, do ácido
nítrico e a glicerina, tendo como catalisador o
ácido sulfúrico. Descoberta pelo químico
italiano Ascanio Sobrero, em 1846.
A velocidade de explosão da
nitroglicerina é vinte e cinco vezes maior que a
da pólvora e, em quantidades iguais, três vezes
mais potente.
Quando terminei os estudos do curso de
química, estagiei nessa firma de produtos
químicos e explosivos - uma multinacional.
Terminado o estágio, fui admitido como químico -
o cargo era chamado de supervisor.
Trabalhar com nitroglicerina, no
laboratório, inclusive fazê-la para alguns
testes, não era fácil. Muitos colegas passavam
mal: dor de cabeça e até mesmo vômito - um pouco
pelo medo e/ou por causa da pressão arterial que
abaixava. Como nunca passei mal, sempre trocava
com os colegas, por outras tarefas – por
exemplo: eu não gostava de trabalhar no
laboratório do gás freon, por ser um ambiente
muito seco e frio.
A Mistura... o brinde
Um laboratório farmacêutico de São
Paulo fabricava remédio para pressão arterial, e
para isso, de quando em vez, comprava um litro
de nitroglicerina. Para transportá-la, usava-se
misturá-la a uma boa quantidade de um tipo de
álcool, tornando-a menos perigosa para o
transporte. Para levar de Barra Mansa a São
Paulo, havia batedores da Polícia Federal.
Para o preparo da mistura, realizada no
laboratório de explosivos, necessitava-se da
presença de um supervisor. Fui eu supervisionar
o serviço; terminado, recebi como brinde, dos
funcionários do laboratório farmacêutico, três
caixas de achocolatado, fabricado em uma de suas
unidades industriais - cada caixa continha doze
latas de um quilo.
A cada um dos três funcionários
supervisionados por mim e que realmente
trabalharam e sabiam como fazer a mistura, dei
quatro latas do achocolatado. As outras duas
caixas reparti entre os auxiliares químicos, no
laboratório central da firma; inclusive tirei
uma para mim.
No dia seguinte fui chamado à gerência.
Inquirido pelo gerente sobre o trabalho de
mistura de álcool com nitroglicerina e sobre as
caixas que o laboratório farmacêutico deu para
mim. Expliquei-lhe que havia doado o
achocolatado a quem ajudou no trabalho e a sobra
foi entregue ao pessoal do laboratório químico.
O gerente não gostou, pois sempre foi costume
levar essas doações para a gerência. Disse-lhe,
educadamente, que o pessoal da gerência não
estava presente nos trabalhos...
Alguns dias depois fui chamado à
gerência novamente - ganhei um aumento no
salário, percentual e quantitativamente nunca
tido por mim em nenhum dos empregos anteriores.