- O Iraque tem
petróleo?... O Afeganistão tem petróleo?... Este não, um
país paupérrimo, mas sua posição estratégica, espremido
entre o Oriente Médio, a Ásia Central e a Índia, foi, e é,
disputado por vários países – tanto pela Rússia imperial
como pelo império britânico... e hoje, pelos Estados Unidos.
Isso torna moralmente justificável a matança de
inocentes em duas guerras, a ponto de se tornar
moralmente justificável um Prêmio Nobel da Paz?
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Os aposentados vamos pedir o Prêmio Nobel da PÁS para
o Presidente Lula-la-la!!!
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RIO DE
JANEIRO
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Quando
cheguei ao Rio de Janeiro, no meio do mandato do Presidente JK, o
povo ligava o rádio para ouvir os maravilhosos debates dos
deputados, no Palácio Tiradentes, e dos senadores, no extinto
Palácio Monroe. Valia a pena ouvi-los nas discussões. Tanto
na Câmara quanto no Senado, grandes oradores, como Carlos
Lacerda, Baleeiro, Adauto Lúcio Cardoso, Afonso Arinos...
Acreditava-se ainda no político - tinha personalidade marcante
e caráter.
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Em um escritório
de contabilidade, o meu primeiro emprego, no Bairro de Fátima.
Morava bem perto, na Lapa. Durou pouco esse emprego -
com menos de dois meses de trabalho, por motivo de economia,
alguns colegas e eu fomos dispensados - nem fichado tinha sido
eu.
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Mudei para
Copacabana, onde ia à praia todos os dias após o serviço. No
centro, ao lado da Praça Mauá, entrei para o escritório das
Lojas Brasileiras, no Departamento do Pessoal - na época, a
maior cadeia de lojas do Brasil, hoje inexistente. Situada no
início da Av. Venezuela, entre o Hospital dos Servidores, a
Rodoviária antiga, a Imprensa Nacional (agora, sede da Polícia
Federal) e o prédio da Rádio Nacional, Praça Mauá, onde os
programas de auditório eram o máximo no Brasil - lugar dos
artistas globais: Paulo Gracindo, César de Alencar e os
cantores Emilinha Borba, Ângela Maria, Marlene, Silvio Caldas,
Orlando Silva, Cauby Peixoto etc.
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Nas Lojas
Brasileiras tinha os colegas Sebastião de Carvalho, ainda hoje
um grande amigo, e um outro, o Zé Roberto. Almoçávamos no
restaurante popular na Praça da Bandeira - apesar de bem
longe, íamos e voltávamos a pé - um bom pedaço de chão - com o
calor do Rio, suávamos às bicas! Gastávamos as energias
adquiridas no almoço.
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Meu primo, Sr.
Waldomiro de Castro - de Antonio Dias, MG, onde fora prefeito
- era o chefe do Departamento do Pessoal na fábrica da Pneus
General, em Queimados, RJ - Km 27 da Rodovia Presidente Dutra.
Sr. Castro levou-me das Lojas Brasileiras para ser um de seus
auxiliares. Viera ele da fábrica da Pneus Brasil, de
propriedade de um seu conterrâneo, o Dr. Carvalho de Brito - a
única fábrica de pneus genuinamente brasileira até hoje.
Carvalho de Brito, filho do Coronel Fabriciano, proprietário
da primeira usina hidrelétrica fornecedora de energia para
Belo Horizonte e dono de algumas tecelagens em Minas; em
Minas, ocupou algumas Secretarias de Estado e, indo para o Rio
de Janeiro, foi Ministro da Fazenda, no governo do Getúlio
Vargas.
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De Copacabana a
Queimados são bem uns setenta quilômetros - mudei-me para o
Catete, em frente aos colossais portões da Beneficência
Portuguesa - quinze quilômetros a menos.
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No Rio, tinha eu
a companhia, morávamos perto, dos primos José Franco e o
Vianney. Com o Vianney, íamos, na Tijuca, à casa do Dr.
Euzébio - irmão do Dr. Carvalho de Brito e padrinho do Vianney
- ele ajudou muito à Vovó Olinda, mãe de meu pai, quando ela
enviuvou, arranjando-lhe o emprego no Grupo Escolar de Antonio
Dias.
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O assistente
direto do Sr. Castro era o Oscar, a quem eu mais me reportava.
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No primeiro dia
de trabalho, o Oscar deu-me uma carta para datilografar - uma
meia página de texto. Com muita dificuldade
catamilhiografei. Oscar pega o papel, corrige os muitos
erros e pede para eu datilografar novamente. Mais alguns
erros, e lá fui eu repetir o feito, uma, duas,
três... "n" vezes. Agora, sem erro, o Oscar pede-me para ver
se eu conseguiria dar uma ajeitada, colocando o texto um pouco
para baixo, um pouco para cima, no meio da folha... uma vez
foi a data muito acima do texto... outra o "Atenciosamente"
abaixo do desejado... outras as margens atrapalhando a
estética do conjunto...
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- Olhe a estética da
coisa, dizia-me ele!
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E assim, fiquei todo aquele
dia, catamilhiografando a bendita carta!
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Valeu a pena. Hoje,
tudo que escrevo, ou faço, procuro, dentro do possível, seguir
os passos do Oscar: esforço-me para achar a estética da
coisa!
Benedito C. A. Franco
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 04/12/2009
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