A casa dos grandes pensadores

 

BENEDITO CELSO A. FRANCO

 
 
Profissões... Butantã – triste aniversário...
 
         Fim de ano no Seminário, os seminaristas éramos nomeados para algumas profissões durante o ano seguinte.
         Todos os anos indicavam-me para desenhista. Os desenhistas escreviam faixas, desenhavam programas de festas, alguns desenhos ou pinturas na capela ou para as peças de teatro.
         Três os sacristãos: o primeiro era o Luciano, Dalton o segundo – Luciano hoje é pianista e maestro e o Dalton é Padre Redentorista, tendo sido, inclusive, Provincial. Comecei pelo terceiro, e segundo no ano seguinte.
         Fazia parte do pessoal que podia pegar os animais para o museu de história natural. Os animais peçonhentos, venenosos, não colocados no museu, eram mandados para o Instituto Butantã em São Paulo. Principalmente durante as férias na Casa de Campo, íamos pegando as cobras e colocando em caixas enviadas pelo Butantã e no final, em um pátio interno, soltávamos as cobras e alguns sapos para elas comerem. Os meninos mais novos debruçavam-se no parapeito da varanda e se admiravam de eu estar ali no meio daqueles bichos pavorosos para alguns.
         Falava-se que as caixas com as cobras eram entregues na estação ferroviária da Central do Brasil – hoje doada a uma multinacional - e seguiam para o Butantã no primeiro trem que passasse.
         No setor onde o Butantã guardava as cobras – as embalsamadas – o fogo destruiu a maior coleção científica de cobras do mundo, iniciada há 120 anos. Havia cerca de 85 mil exemplares eram no prédio. O acervo de aracnídeos, com 450 mil aranhas e escorpiões, também se perdeu. Junto com os mais de 500 mil espécimes de animais, o acervo digitalizado do Instituto Butantã pode ter se perdido no incêndio, que atingiu um galpão do centro de pesquisas, na capital paulista, na manhã de sábado de 15 de maio de 2010 – triste aniversário...
         Durante pelo menos cinco anos, de 1953 a 1957, colegas e eu pegamos muitas cobras, que enviadas ao Butantã, talvez tenham sido embalsamadas, guardadas e, quem sabe, queimadas nesse triste incêndio ou salvas pelos bombeiros e cientistas. Neste caso, minha satisfação seria enorme, mas se queimadas, a tristeza também seria enorme – nos dois casos, a alegria e a tristeza seriam não só minhas, mas de toda a humanidade.
                   Benedito Franco
 
            Até agora a Dilma nos brindou com inúmeros aumentos: aumentos astronômicos na gasolina, impostos, passagens, alimentos, remédios, juros para os banqueiros etc... Ah!... Ouve drástica diminuição na aposentadoria desses aposentados que insistem em viver! Pena, pois se morressem logo, sobraria mais dinheiro para os pobres e desvalidos banqueiros... É o que a Corte Brasiliana deseja.
 
Benedito C. A. Franco

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 23/05/2011