A casa dos grandes pensadores
 
 

BENEDITO CELSO A. FRANCO

O Capetalismo...

 

            Qualquer transação comercial é lícita, desde que seja possível realizá-la.

 

            Acabo de ouvir uma mensagem, dessas que firminhas saem gritando em frente à casa do homenageado – o vizinho, que nada tem a ver, sofre com a parafernália! Em inglês a música oferecida. O pobre do coitado do rapaz recebeu uma homenagem musical que não entendeu, mas o alto falante do carro de som continuou a atormentar-lhe os ouvidos, transformando-o em asno e enfiando-lhe goela a baixo mais e mais o alvoroço musical!

            Nas emissoras do interior, setenta por cento das músicas tocadas são americanas. Os locutores estufam o peito, engrossam a voz, e soltam seu inglês aportuguesado – e lá vem barulho musical! Será que eles ganham comessão para isso, ou o fazem por bobeira mesmo?... Nossas TVs não deixam por menos!

           

            Nossas moedas têm uma deusa grega em uma das faces. Porque não colocar o Dom Pedro I, ou o II, assim como o JK, Jango Goulart – o esquecido – o Afonso Pena ou o Jânio Quadros. Qualquer dia, colocarão o Washington, o Nixon ou o Luis XIV, ou a rainha Elizabeth – já ouvi dizer, por um inglês, que o povo de lá detesta sua pompa e seus gastos palacianos públicos – o que, aliás, na realidade, é dinheiro nosso, os subdesenvolvidos, que as multinacionais inglesas nos espoliam! Vejam o quanto nos assaltam, sem dó nem piedade, seus laboratórios, com os remédios  - e nem falemos na riqueza obtida com os para Aids.

            As multis nos compram pelo mínimo e nos vendem pelo máximo – nossos minérios que o digam!

 

            Noventa e cinco por cento das roupas usadas por brasileiros contêm palavras em inglês – o usuário não sabe o que carrega. Já vi até palavrões em camisetas; perguntei ao dono de uma o que levava, não soube me dizer... E lá vai o pobre coitado todo vaidoso, achando-se o máximo! Um asno  babaca carregando o que merece!

            Nossos comerciantes possuem exímia imaginação, e cultura americana,  nos nomes de seus estabelecimentos – no Rio de Janeiro é um disparate. Há no Rio uma estátua super cafona, erguida para vangloriar a bobeira e a ignorância carioca: uma grande estátua da Liberdade em frente a um shopping – aliás, toda a avenida, americanizada, é um monumento à jericada carioca!.. Pena!... um povo tão bacana!

            Sabiam que o “$” é uma superposição das letras “US”?... Está em nossas notas e moedas!

 

            Intermediário: um homem que trapaceia de um lado e saqueia do outro.

 

            Você só não fala inglês, mas tá lá!

 

Benedito C.A. Franco

 

Publicação: www.paralerepensar.com.br  03/12/2007