- Uso o remédio Azopt 1%, cujo custo, por 5 ml, foi Cr$
49,35. Isto significa que 100 ml, com um grama do remédio –
cujo princípio ativo é a brinzolamida -, custariam 20 vezes
mais, isto é: Cr$ 987,00 – por um grama!
- Estão assustados? Reparem que um kilograma
de brinzolamida (1 kg) chega à cifra astronômica de Cr$
987.000,00!
- Viram o quanto nos exploram esses
laboratórios multinacionais e o nosso Governo faz ouvidos de
mercador?
-
-
- Ciúme
-
- Dr. Luis, nos últimos dias de vida,
quase morria de ciúmes quando a esposa ouvia o Roberto
Carlos cantar - ciúme mesmo. Na época eu namorava uma sua
filha.
- Ele jovem namorava e amava a irmã caçula de
catorze irmãos homens - única mulher entre eles. Noivaram.
Os irmãos, todos, moravam fora da cidadezinha – a maioria no
Rio de Janeiro e um deles chegou a ser goleiro do Botafogo e
outro foi deputado estadual em Minas.
- O casamento marcado. Dia tal, seria ao meio
dia, pois o trem chegaria às onze horas, e nele
viriam bastante parentes dos noivos que, depois
da cerimônia, do almoço e da festa, voltariam no trem das
dezesseis horas.
- De manhã, expectativa total, com os irmãos
presentes - uma alegria só! - Alegria vai, brincadeira vem,
risos e gargalhadas, tudo de encontros raros e desejados, um
irmão puxa a noiva e ela cai em seu colo. Ela, rindo e
abraçando-o, acaba dando-lhe um beijo na face.
- O noivo vê.
- O noivo gela. Branqueia. Bufa e avermelha. Vai
à sua casa, arruma a mala - e como estava quase na hora do
trem chegar - sai a galope para a estação. Consegue comprar
a passagem e pega o trem, indo para a cidade mais próxima.
-
- Novo endereço
-
- Na nova cidade, o Dr. Luis adapta-se logo,
arranja novas amizades e novos amores e acaba se casando com
a Júlia.
- Júlia e Luis estão nas nuvens! Ela grávida e
ganhará, pelo jeito, um herdeiro, o que mais desejavam na
vida: um filho homem - as comadres vaticinavam! - a única
maneira de se saber o sexo da criança antes do nascimento -
ainda não havia o ultra-som.
- Dr. Luis, médico único na cidade, e região,
gostava de pescar e, como todo bom pescador, não só gostava,
era fanático. A mulher passando bem e faltando alguns dias
para o parto, foi ele pescar no Rio Doce - e como o Rio Doce
dava peixe! Valia a pena. A pescaria durou alguns dias, e,
quando voltou, a querida Júlia havia tido a criança,
falecendo ela e o filho. Nem a viu no caixão, não conhecendo
o tão esperado filho.
-
- O segundo enlace
-
- Voltou à cidade da Letícia, refez o namoro,
noivado. Não convidou os cunhados - condictio sine qua non
para o enlace. E se casaram. Letícia, nome da primeira
noiva, a alegre, como o nome o é - a do colo.
- Trouxe Letícia para a nova residência, mas
erguendo um muro de três metros de altura em volta da casa
e portão de chapa, totalmente vedado - enclausurada.
- Três anos depois, a mãe e alguns irmãos
resolveram visitar a caçula, uma vez que, após o casamento,
não visitara os pais. Encontraram-na em casa, fechada a sete
chaves, magra, pálida, branca feito leite. Voltaram à sua
terra, trouxeram picaretas, chibancas, enxadas, pás e
alavancas. Arrombaram e derrubaram todo o muro e o portão.
Mandaram chamar o Dr. Luis, no consultório:
- - Luis, agora a “condição sem a qual não” é a
seguinte: ou a Letícia tem toda a liberdade ou a levaremos
para a casa de nossos pais!
- Com alguns filhos... foram felizes por muitos
anos.
- Mas o ciúme... só acabou quando faleceu, aos 63
anos, vítima do cigarro.
- O amor constrói... e o cigarro mata!
Benedito C. A. Franco
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 19/03/2010
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