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Vamos desejar à nova Presidente
que deixe o Brasil menos aristocrático-eupátrida
e menos aristocrático-meteca e torne-o mais
democrático na essência da palavra!!
Colegas de infância
Quando cheguei ao Rio, muito ajudado por
meus primos, o Zé Morais e seu irmão, o Wianey,
trabalhei no Departamento do Pessoal das Lojas
Brasileiras, no centro da cidade - primeiro emprego.
Trabalhávamos na mesma sala, o Belmiro,
chefe, o Sebastião de Carvalho e eu - por pouco tempo,
mas fiz uma grande amizade com o Tião. A amizade perdura
até hoje.
Saindo das Lojas, entrei para uma
fábrica, a Pneus General, em Queimados, RJ. Um mês
depois, visitei o Tião e o Belmiro. Encontrei em meu
lugar o José de Vasconcelos. Explicou-me este, ser
advogado e viera de Manaus para tentar a vida no Rio.
Morava em Nova Iguaçu, com mulher e três filhos. Salário
pequeno, pouco mais que o salário mínimo, afinal de
contas, auxiliar de escritório, apesar do diploma. José
de Vasconcelos pagava a passagem Nova Iguaçu - Rio, ida
e volta, o aluguel e mais as despesas com a Família. O
salário mínimo, na época, valeria hoje mais ou menos R$
2.150,00.
Prometi arranjar-lhe uma vaga na Pneus
General, ganhando um pouco mais e, além
disso, economizando as passagens - o ônibus da firma
passava em frente à sua casa. Para ele, na ocasião, um
grande negocio e benefício.
O José de Vasconcelos (fazia questão
desse "de", para diferenciá-lo do José
Vasconcelos artista) trabalhando juntos, arranjei um bom
amigo.
JK, iniciando Brasília, levava todo
mundo e o José de Vasconcelos, passando em um concurso
dos Correios, acabou indo e nunca mais o vi. O Zé Morais
também foi na leva...
Levei também o Tião para Pneus General.
Hoje, advogados ele e a esposa Néia ( Zophezanéia é o
seu nome! ) são fazendeiros em Estrela D'Alva, sul de
Minas, onde passo, sempre que posso, alguns dias a cada
ano.
José Franco de Morais, mineiro de
Antonio Dias, é o primeiro sobrinho de papai. Casou-se
com a Hilda, amazonense do interior, formando um dos
casais mais completos e simpáticos que conheço. O Morais
trabalhou nos Correios no Rio e em Brasília,
mas transferiu-se para o Itamaraty. Morou em Roma -
onde foi vice-cônsul do Brasil -, no Equador e no
Uruguai.
A Fernanda, minha segunda filha, aos
catorze anos, reclamava que ainda não havia andado de
avião. Para satisfazê-la, fomos visitar o Morais em
Brasília e lá lembrei-me de procurar o José de
Vasconcelos. Achei o endereço na lista telefônica - o
Morais levou-me até sua casa, deixando-me e voltando -
residia em uma quadra, talvez a única que tinha casas na
Asa Sul de Brasília.
Em Brasília pude constatar que lá o homem
é composto de cabeça, tronco, membros e quatro rodas. A
secura do ar e as cigarras tornam a cidade um inferno!
Terminado o papo, o José de Vasconcelos,
após mostrar-me alguns locais de Brasília, conduziu-me
de volta. Chegando, convidei-o a ir até ao apartamento
do Morais e Hilda, pois assim conheceria mais uma
conterrânea.
E qual não foi a surpresa quando, Hilda e
José de Vasconcelos, papo vai papo vem, os dois
reconheceram-se como antigos colegas de grupo, em Lábria,
no interiorzão do Amazonas...
Foram colegas de infância!