A casa dos grandes pensadores
 
 

BENEDITO CELSO A. FRANCO

 
 
        
Deixa comigo!
 
         Alguns parentes e amigos estávamos na casa de um primo de onde se ouvia o que se passava no interior da residência do vizinho ao lado. Incrível: - quaisquer conversa ou barulho, por menor que fosse, eram percebidos e compreendidos.
         Nesse dia, houve uma tremenda briga entre pais e o casal de filhos - presentes mais um irmão e um amigo.
      Conversa vai, papo vem, alguém disse que brigas eram comuns e que todo aquele barulho era para o filho tomar dinheiro do pai - desejava depenar a economia dos pais para as farras e a compra de drogas para si, para a irmã e para
os amigos.
         Resolvemos achar uma saída para o caso.
         Quanto ao amigo, os pais amigos de todos, ninguém quis assumir a responsabilidade de levar até eles o fato de o filho estar entrando no submundo das drogas.
 
O telefonema
 
         Alguém afirmou que resolveria o problema do rapaz. Poderíamos confiar que solucionaria mais rápido do que esperássemos. Anônima, e como ainda inexistia o bina, telefonou para o delegado:
         - Senhor delegado, o Senhor me daria alguns minutos, para lhe relatar um grande problema de uma ótima família?
         - Às ordens, minha Senhora, diga.
         - Pois é, Senhor delegado, um casal amigo, parente de um político influente na região, está sendo agredido e espoliado por um dos filhos. O pai trabalhou durante trinta e cinco anos numa firma, até aposentar-se, economizou para levar uma vida mais tranqüila na terceira idade e agora o filho o agride para lhe tomar o dinheiro.
         A pessoa explicou ao delegado o que sabia, tintim por tintim, sobre o motivo da violência do rapaz contra os pais.
         - Minha Senhora... deixa comigo. Casos assim de família gosto de ajudar e de solucionar. Daqui alguns dias torne a me telefonar.
         O Delegado, cumprindo a promessa, chamou um detetive e lhe ordenou:
         - Você conhece o filho de fulano, parente do cicrano, um menino de uns dezesseis anos?
         - Não me lembro, mas posso procurá-lo.
         - Ele entrou para o mundo das drogas, levando consigo a irmã, e tem agredido o pai para tomar-lhe o dinheiro. Siga-o. Aproxime-se e provoque-o de todas as maneiras, para ele reagir. Reagindo, dê-lhe uma surra e depois de bater bastante, adverte-o:
         - Isso é para você criar vergonha e deixar de agredir seu pai para tomar-lhe o dinheiro. E tem mais: sei de tudo que se passa dentro de sua casa e não são nem seus pais ou irmãos que me informarão. Fique bonzinho, trate bem seus pais, pare com as drogas e ficará livre de mim.
         - Deixa comigo, Senhor Delegado.
 
A recuperação
 
         O Detetive cumpriu à risca a missão. Procurou, achou, seguiu e, na primeira oportunidade, provocou o garoto, que reagiu violentamente - tomou uma bela surra.
         O Detetive soube, através do telefonema da pessoa que tornou a falar com o Delegado, que o menino  melhorou, mas tivera uma recaída. Saiu ao encalço do garoto e desta vez deu-lhe surra dose dupla.
         Agora sim, houve a cura definitiva do garoto e da irmã.
         Nota triste foi o falecimento, pouco depois, do irmão quieto do casal, mas sobrou um casal de filhos totalmente recuperado das drogas.
 
O triste
    
         Em um restaurante em Belo Horizonte, encontrei-me com toda a família do amigo dos meninos e que entrava, na época, no mundo das drogas e sobre a qual ninguém teve coragem de falar para os pais. Cumprimentei-a e os pais falaram-me que vieram visitar o filho em um hospital da capital. Ele passava bem mal, devido a superdosagens de drogas. Estava em estado de coma.
         Alguns dias se passaram e o menino faleceu.
         Coragem da pessoa que telefonou para o delegado!... Covardia nossa?...

 

Benedito C. A. Franco

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 16/04/2010