A casa dos grandes pensadores
 
 

BENEDITO CELSO A. FRANCO

 
 
Dom Luciano
 
Dom Luciano visitou-me em minha casa – benzeu-a.
Nosso virtuosíssimo Vigário, o Revmo Padre Cornélio, adoeceu e ficou na Casa Paroquial, sendo tratado mui atenciosamente pelos paroquianos, que muito o admiravam.
Um meu amigo, o Sô João, era quem mais cuidava do Padre Cornélio. Fui visitar nosso Pároco e o Sô João me disse que Dom Luciano viria no dia seguinte para ver a situação do Padre e para nomear seu substituto até que melhorasse. Coloquei minha casa à disposição para o novo Vigário.
Dom Luciano constatou a impossibilidade de o novo Vigário morar na casa Paroquial; aceitou minha oferta, mas gostaria antes de conhecer-me e a minha residência. Comunicaram-me.
Um dia, eu em casa tranquilamente, chega Dom Luciano, acompanhado de dois Padres e do Sô João. Com alguma dificuldade subiu os muitos degraus de minha residência – pouco antes se acidentara perto de Itabirito.
- Meu grande problema é subir escada. Descer até que não é tão difícil assim – falou-me ele. Esteve em minha casa por mais de uma hora. Gostou de tudo, principalmente do violino:
- Sou um violinista, não muito exímio, mas sou. O instrumento que mais aprecio.
– Tem a voz de Deus, respondi-lhe.
Com um largo e característico sorriso:- Acho que sim.
Uma hora e pouco durou sua estada – atencioso e discretíssimo.
Depois da benção, foi chamado por um Padre; cauteloso e devagar desceu a escada; agradeceu a atenção e se foi... ficou sua aura-masda! Um santo santo.
 
 
O Presépio e igrejas
 
Vi e apreciei uma obra de arte rara: um Presépio barroco, em miniatura, dentro de uma rica e trabalhada urna recoberta de ouro – em Diamantina, a terra do JK. Media mais ou menos 60 cm de comprimento x 40 cm de altura e uns 30 cm de profundidade. Um Presépio com cenas e detalhes fabulosos – esculturas em estilo barroco do século XVIII.
Diamantina é uma linda cidade. Bonitas igrejas, contudo menos ricas que as da região do ouro – Congonhas, Sabará, Ouro Preto, Mariana etc..
         No caminho para Diamantina, depois de Curvelo, há paisagens fantásticas – quase lunares. Valem o passeio!
 
Todo Natal papai e mamãe preparavam o Presépio - por sinal, muito bonito, com as imagens do Menino Jesus, Nossa Senhora, São José, os Reis Magos, os pastores e os animais, como as ovelhas, o burrinho, o camelo, o cachorro, o boi e a vaquinha.
Triturava-se um tipo de minério de ferro, achado na beira da linha da estrada de ferro; em um lençol passava-se cola, preparada com polvilho, o grude, e jogava o pó reluzente de minério por cima. Retirava-se o excesso de minério, e com aquele pano, antes de secar totalmente, moldavam-se a gruta e as montanhas no fundo do Presépio. Papai esculpia as casas e sobrados com papelão de caixas de sapato. Os meninos buscávamos musgo lá na biquinha, colocado nas baixadas e nas montanhas, como se fosse capim. Pequenos galhos serviam como árvores. Sem luz , mas lua e a estrela de Belém sim – num céu pintado no fundo do Presépio, com muitas estrelas feitas com o alumínio do maço de cigarros.
         Mesmo hoje, seria considerado um Presépio digno de admiração.
 
         A você e a toda sua Família desejo-lhes que o Menino Jesus traga saúde, muita paz, compreensão e perdão.
         Abraço a todos
Benedito C. A. Franco

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 21/12/2010