Aproveitei a Copa
na África do Sul, para ler sobre os países da
África. Cheguei a conclusão que os dominadores
sugaram, massacraram e espoliaram os países e
seus habitantes por anos e anos e ainda possuem
suas maiores riquezas. Os Estados Unidos,
cuja renda per capita é de U$ 46.716,00,
dominaram a Libéria, a deixou com uma de U$
373,00. O Haiti é um exemplo da miséria
deixada pela França - cuja renda per capita é U$
31.825,00 - em um de seus explorados. Na África,
a França deixou o Senegal com uma renda de U$
1685,00 e a Guiné com U$ 1074,00.
O Reino
Unido, cuja renda per capita é de U$ 38.000,000,
deixou Zâmbia com U$ 1000,000, Malawi com U$
785,00 e o Zimbabue com U$ 268,00. Já na
Botsuana, o Governo tomou para si as minas de
diamantes e usa os lucros para industrializar o
país – além de ser um dos países que mais
crescem, tem uma renda de U$ 16.450,00 (>50%
maior que a do Brasil!). Seria belo exemplo para
o nosso Brasil, não fosse o FHC que doou
nossas riquezas para as multinacionais...
Estado me processa por Cr$ 0,002!
São
Paulo... pelos idos de 1972.
Funcionário do DAEE, na Secretaria de Obras do
Estado de São Paulo.
O pessoal
da seção onde trabalhava e eu iríamos fazer
pesquisas em Ribeirão Preto, medição das vazões
de alguns rios. Como o serviço demoraria alguns
meses, alugamos casa, e, para mobilhá-la,
compramos móveis na cidade de São Paulo. Para
levá-los a Ribeirão Preto, fretamos um caminhão.
Para
voltarmos, tivemos que abastecer de óleo o
caminhão. Paguei a conta: Cr$ 100,00 (cem
cruzeiros).
O preço
do óleo, na bomba, vinha em até milésimos de
cruzeiro - total: Cr$ 99,998, automaticamente
arredondado para Cr$ 100,00. Para cobrar do
Estado, pedi a emissão da Nota Fiscal,
onde constava o valor unitário por litro e o
total arredondado para Cr$ 100,00.
Chegando a São Paulo, apresentei ao DAEE as
despesas de viagem, incluindo a tal Nota Fiscal
do óleo para o caminhão.
Dois
meses após, reclamei na tesouraria a falta do
pagamento das despesas em Ribeirão Preto.
Comunicaram-me que a ausência do pagamento foi
motivada por ter algo errado, e mais: deveria
ser aberto um inquérito e processo contra mim,
pois lesava o Estado com a nota fiscal acima do
valor real - isto é: crime por
superfaturamento. Nas Notas Fiscais, o Estado só
aceitava arredondamento para baixo e nunca para
cima - como costumamos proceder: até 4, é
arredondado para baixo e 5 ou mais, para cima...
Portanto, a Nota Fiscal apresentada por mim
teria o valor real de Cr$ 99,99 - eu lesava o
Estado com um superfaturamento de dois milésimos
de cruzeiros, ou seja: Cr$ 0,002.
Para se
ter idéia de quanto valiam esses dois milésimos
de cruzeiros, ganhava mil e trezentos cruzeiros
por mês e, ainda mais, o cruzeiro, como hoje o
real o é, era divido em centésimos.
Tudo
isso antes que o Estado houvesse me reembolsado
as outras despesas tidas na viagem dois meses
antes.
Os chefes
foram compreensivos e me enviaram a
Ribeirão Preto, afim de trocar a bendita Nota
Fiscal, colocando um novo valor aceitável pelo
Estado: Cr$ 99,99.
Isso custou dois dias, duas diárias e uns mil
quilômetros rodados de carro!
O Estado
pagou tudo para diminuir Cr$ 0,01 (um centésimo
de cruzeiro) na nefasta Nota Fiscal!
Retrato
fiel de nosso querido Brasil! Burrocracia
homérica!