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Cuidemos da alma e do corpo – do corpo sim, pois no céu,
ou no inferno, não há roupas!
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Franco!...
e caiu...
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Éramos cinco os estagiários de química em uma
indústria - fábrica de produtos químicos e explosivos,
em Barra Mansa, RJ.
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O Ferdi, o alemão, um pernambucano
arretado, extrovertido e engenheiro competente.
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O Fernando, químico, filho único, cujos pais se
formaram na primeira turma, no Brasil - pelos idos da
década de 20, no século passado - em engenharia química
e, na época, ajudaram a fundar um colosso da química e
petróleo no Brasil - onde trabalharam até suas
aposentadorias.
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Os apaixonados
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Fernando namorava u’a moça em Volta Redonda
- apaixonado.
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Apaixonadíssimo era o Ferdi - paixão imensa...
do tamanho de seu coração - e seu coração era do tamanho
do mundo! De cem palavras ditas, pelo menos cinqüenta e
uma eram Zélia - e quando não mais falava da, ou
na, Zélia, a namorada, lembrava-se da Zélia amiga de
ambos.
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Terminamos o estágio - Ferdi e Fernando
voltariam para suas cidades, Recife e Rio, e eu
continuaria como funcionário da fábrica.
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O Cecílio, chefe do laboratório, convidou-nos
para a despedida dos dois - morava na Vila da firma,
beirando a Via Dutra, logo após a fábrica, rumo a São
Paulo.
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O Fernando iria com a namorada, em seu Dauphine;
nós, o Ferdi, o Zé Roberto e eu, os outros três
estagiários, iríamos com o Ricardo, morador da cidade
- usaria o carro do pai. Naquele tempo ter um carro era
coisa rara - só os filhinhos de papai.
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O susto!
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À hora marcada, encontramo-nos e
encaminhamo-nos pela Via Dutra, até então uma estrada de
pista única, mas, em estado adiantado, a duplicação saia
aos poucos, como tudo público em nossos brasis!
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A certa altura o Ferdi gritou:
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- Pare Ricardo! O Fernando! O Fernando! Naquele
carro ali! Pare! Pare!
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Realmente, um carro Dauphine no acostamento.
Paramos atrás. Meio alheio às brincadeiras, fiquei no
carro - penso meio lento... depois que todo mundo acabou
de rir da piada é que eu a entendo.
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O Ferdi sussurrando:
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- Agora vamos sair em silêncio, rodear o carro e gritar,
em uma só voz: -"Fernandôooo! Fernandôooo!".
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E o fizeram:
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- Fernandôooo! Fernandôooo! Fernandôooo!
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O Fernando escutando e sentindo todo o
movimento, balbúrdia e vozerio, naquela escuridão ao
lado da Dutra, talvez imaginando um assalto, deu partida
no carro e zarpou à toda.
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Nós atrás...
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Um caminhão pela frente
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Logo em seguida, uma reta em declive e, no
final, uma curva de noventa graus, à direita.
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O apavoramento do Fernando fez com que o carro
escapasse da curva, indo de encontro a um caminhão, que
vinha em sentido contrário, batendo em sua lateral. O
carro chocou-se com o pneu traseiro do caminhão,
rodopiou, saindo a moça pela porta do
motorista, estatelando-se na lama - nunca entendemos
como isso aconteceu, uma vez que o carro pequeno, a moça
também, mas o Fernando enorme - como passou entre ele e
o volante? Num Dauphine! Mas que saiu pela porta do
motorista, isso saiu! Incrível! Havia cabelos seus nas
esquadrias dos vidros.
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Quando chegamos, o Fernando carregava a moça.
Entregou-a a mim... e suspirando:
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- Franco!...
Caiu e também estatelou-se desmaiado na lama.
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Depois de algum tempo, o Fernando voltou a si,
mas não conseguia se mover - a dor enorme e enorme ele
também – quebrou a bacia. A polícia chegou, levando-os,
ele e a moça, para o hospital de Barra Mansa.
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A moça passou vinte e quatro horas em
observação e, como nada sofreu, a não ser pequenas
escoriações, recebeu alta do hospital.
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Meu filho...
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Os pais do Fernando moravam no Rio.
Comunicados, rapidamente estavam no hospital.
Encarregaram-me de recebê-los e dar-lhes a assistência
necessária, em nome da firma.
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A certa altura, um cochicho e um
murmúrio daqui, outros dali... E eu, o Relações
Públicas!
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Que aperto!
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Conversei primeiro com a irmã e depois com os
pais.
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Acreditem! A mãe eufórica com a notícia!... (Meu
filho machão!).
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A moça do acidente não era a namorada do
Fernando...
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Benedito Franco
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www.paralerepensar.com.br/beneditofranco.htm
Benedito C. A. Franco
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 22/02/2010
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