“Uma
existência ativa e política é onde
os homens, que governam e têm por
ocupação os negócios públicos,
poderiam encontrar maiores
oportunidades de praticar as
virtudes de todas as espécies”.
ARISTÓTELES,
Política
(384 aC - 322 aC).
Que tristeza teria o
Filósofo grego se visse e convivesse
com nossa
política
e nossos
políticos
brasileiros...
Furou a fila
Um amigo do pai do Carlos,
meu cunhado, tinha um restaurante no
Rio de Janeiro. Contou-me ele, o
amigo, que havia na redondeza de seu
estabelecimento uma gang de
assaltantes que, sistematicamente,
semanalmente visitava-o. Já deixava
o dinheirinho separado;
quando a gang chegava, recebia o
envelope com o seu labor, sem
problemas, nem burocracia e
muito menos cara feia.
Em São Paulo, o François ,
irmão de meu colega de trabalho –
nascera na França - ficava sentado
no caixa de sua confeitaria. Também,
todas as sextas-feiras à
tardinha, visitavam-no
sistematicamente três pilantras.
Aqui, os próprios ladrões marcaram a
quantidade, dia e hora da apanha do
dinheiro.
Cansado e querendo colocar
um final nesse inferno, e como as
ameaças aumentavam, François comprou
uma poderosa arma, porém de porte
pequeno, retirou a táboa da frente
do cubículo do caixa, colocando em
seu lugar um papel de propaganda.
Com a arma debaixo do caixa, esperou
os três amigos assaltantes;
quando chegaram, apareceu um soldado
do outro lado da rua. Pediu aos três
para disfarçar, ficando em fila em
frente ao caixa. Levou a mão embaixo
do caixa, como se fosse apanhar o
dinheiro, pegou a arma e disparou
três tiros seguidos que vararam os
meliantes, provocando-lhes um
rombo de fora a fora na região de
suas barrigas (se fossem gente,
seriam abdomens!). Ele furou a fila!
Eles nem gemeram!
François pegou doze anos de
cadeia – cumpriu dois ou três!...
Limpou a área...
A maleta
Os filhos de minha irmã
Imaculada e do Cláudio vinham de
Petrolina a Belo Horizonte uma ou
duas vezes por ano. No avião cada um
recebia uma maleta com a refeição
durante a viagem – hoje são servidas
apenas vinte a trinta gramas de um
biscoito salgado e de gosto e
aparência duvidosos - anêmico.
Comendo pouco, traziam as maletas
com a sobra da comida.
Visitando-nos, minhas
meninas viam as maletas trazidas
pelos primos. Como eu viajava
constantemente a São Paulo e minha
esposa apanhava-me no Aeroporto da
Pampulha, onde as meninas observavam
as crianças saindo do avião com as
tais maletas. Sabe como são as
crianças: insistiam em me pedir para
eu lhes trazer pelo menos uma. Com a
insistência, acabei criando coragem
e pedi à aeromoça – depois de lhe
contar a história. Com a educação e
a simpatia, características das
aeromoças, acabei ganhando duas
maletas.
Levantando-me da poltrona,
e a tiracolo as duas maletas, um dos
passageiros começou a me criticar, e
em voz bem alta. Dizia que certas
pessoas nunca tinham andado de
avião, passava fome fora, e assim
por diante. Quase que eu abro uma
das maletas e lhe esfrego a comida
em sua cara. Contive-me...