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Irmãos
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Alguns empregados de papai moraram lá em casa.
Considerados como irmãos.
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O Sebastião, irmão do Ramiro. Claro, bem magro e
um rapaz muito correto. A família morava em Timóteo - um
lugarejo perto de Fabriciano. O Tião visitava os pais uma vez
por mês - ia a pé por trilhos no meio do mato e matas - o que
existia na época. Voltava a cavalo - vinha alguém
para retornar com o cavalo. Ele tinha um bandolim e tocava
para ouvirmos - na minha avaliação de criança, achava o
máximo.
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Fui com o Tião à casa de seus pais. Timóteo foi
fundado antes de Fabriciano – impressionou-me o número de
casas antigas.
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Lembro-me dos trilhos: sobes e desces, barro e
mais barro, de cabo a rabo da viagem - hoje, diz-se trilha. No
lugarejo só lama e escorregões - mas gostei do passeio, apesar
da ida a pé ser muito longa para uma criança. Comida caseira e
gostosa feita por sua mãe, acompanhada pela farinha de milho
socada no pilão, deixou um gostinho em minha boca até hoje.
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Voltamos a cavalo e com um rapaz para levá-los de
volta.
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Filho de um andarilho, batizado por papai e mamãe.
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Antigamente as pessoas muito pobres andavam de
vila em vila e de cidade em cidade. De quando em vez
o andarilho, compadre de papai, passava acompanhado pelo
filho.
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O menino crescia, sempre a tiracolo do pai.
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Um dia, o afilhado com uns doze anos, papai
dirigiu-se ao pai:
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- Compadre, você anda com esse menino pra baixo
e pra cima, muitas vezes com fome e sede, com sol e chuva, sem
tomar banho, sem roupa adequada, sem lugar para dormir,
passando as noites nas ruas e estradas. Vamos fazer o
seguinte: deixa esse menino aqui comigo. Vou colocar ele na
escola e ele me ajuda na loja.
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- Tá bão cumpade. Toma conta dele.
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E lá se foi, deixando o menino com papai.
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Papai levava o menino para a loja todos os dias,
mas...
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Como esses meninos acompanhantes de andarilhos não
tinham boa fama, o povo era meio cismado com eles. Diante
disso, chegava um:
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- Zé Franco, ocê é doido. Esse minino... num
sei não...inté acho que ele num vale nada. Vai é te dá poblema
e trabaio procê.
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Outro:
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- Sô Zé, esse minino é o capeta em pessoa -
capeta é bão perto dele. Fica com ele não. Nem gosto de vê.
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Assim foram os primeiros dias do menino na loja. A
todos papai retrucava:
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- Até agora ele tem se comportado muito bem,
tanto na loja quanto em casa. Não aprontando, continuará aqui.
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O Geraldo, em pouco tempo, conquistou a todos. Nós
meninos adorávamos o Geraldinho Nosso - virou
propriedade! Comportamento nota dez, a educação em
pessoa. Geraldo morou em casa durante anos e anos.
Aborreceu-nos só quando foi embora. Até hoje é nosso irmão.
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O Sô Geraldo é um respeitado pai de numerosa
família e empresário de sucesso na região onde mora.
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Victor era um menino levado e muito severamente
vigiado pela mamãe. Ficou pouco tempo lá em casa, mas marcou
bem sua passagem. Apesar das peraltices, sempre foi querido
por todos nós.
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Hoje é agrimensor e raramente aparece.
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Preta é uma moreninha meio sapeca, mas humilde e
boazinha; a ela a gente recorria para tudo. Levantava-se cedo
e ia acender o fogo no fogão de lenha. De tanto assoprar a
brasa para aparecer o fogo, de quando em vez reclamava:
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- Diacho, nesta casa só eu tenho vento!
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Cecília uma morena de peito aberto - mais
reclamadeira - hoje tem muitos filhos e netos - às vezes
aparecia para visitar mamãe.
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Um dia seria ótimo se reuníssemos todos numa festa
de família - daria para matar bastante as saudades. Pelo
menos, poderíamos ter seus endereços - gostaria de visitá-los.
Benedito C. A. Franco
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 16/06/2009
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