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O riso é o final do racional, o pranto é o uso da razão.
Lágrimas de Heráclito
U’a minha amiga pediu-me emprestado um dos livros, onde se
encontra o sermão Lágrimas de Heráclito defendidas em Roma
pelo Padre Antonio Vieira contra o riso de Demócrito. Dentro
do livro, havia eu colocado uma antiga nota de 5.000 cruzados –
usada para marcar a página lida. Após lê-lo, escreveu-me ela
esta maravilha de carta:
Sr. Benedito, como não haveria eu de gostar do seu livro, com a
qual sabedoria o escreveu Vieira?! Estou edificada e perplexa
diante de tanta capacidade! Do princípio ao fim extasiou-me. O
que também me deixou admirada e fascinada foi o seu
desprendimento pelo dinheiro, chegando ao ponto de marcar textos
com células de 5.000. Parabéns, Sr. Benedito, pela ditosa
ventura de possuir tanto em sabedoria quanto em fortuna!
Reinteirando sobre o tema: “Lágrimas”, agora compreendo melhor a
finalidade do pranto e as razões muito fortes para fazer-me
chorar. As lágrimas são a expressão de ternura derramada do
coração.
Desde a infância, essas minhas inseparáveis companheiras vem
marcando os momentos mais importantes da minha vida. Já chorei
de arrependimento, pelos erros cometidos; já chorei por ter de
separar-me de pessoas queridas; já chorei ao perceber falsidade
em resposta à minha lealdade; já chorei pela minha incompetência
no discernir causas. Já chorei por tantos motivos, impossíveis
de enumerar. Mas as lágrimas mais dolorosas foram as derramadas
por amor; e por amor não entendido, não correspondido,
rejeitado. Essas são as mais ardorosas sim, as mais doídas, elas
queimam o coração e a face, incendeiam a alma. Alma em chama!...
Na sua sensibilidade e nobreza de sua personalidade pode avaliar
o viver de alguém tão débil quanto eu.
Mesmo passando o fluxo das lágrimas, quão machucado fica um
coração. É assim, caro Sr., a força de tais gotinhas, brotadas
do âmago do ser e derramadas pelos olhos.
Obrigada pelo livro. Sua sempre amiga...
+ + + + +
- Quem lê
Vieira, sabe português. Quem lê muito Vieira, sabe muito
português. Quem lê tudo de Vieira, sabe tudo de português
Padre
Antônio Vieira (1608-1697), jesuíta, orador sacro e missionário
português. Viveu no Brasil cinqüenta e dois de seus oitenta e
nove anos. Prestou serviços diplomáticos ao governo de seu país
e deixou cartas que se constituem no maior monumento do gênero
em nossa língua. Em sua obra coexistem elementos barrocos,
místicos, heréticos e nacionalistas, em uma linguagem rebuscada
e riquíssimos recursos estilísticos, léxicos e sintáticos. Sua
obra completa abrange cerca de duzentos sermões, mais
de quinhentas cartas e muitos estudos políticos e literários.
Os
Sermões... meus livros de cabeceira...
Benedito C. A. Franco
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 21/07/2009
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