A casa dos grandes pensadores
 
 

BENEDITO CELSO A. FRANCO

 
         A igreja barroca de Itaverava, MG, além de maravilhosa, tem histórias.
         Conta-se que Dom Silvério, bispo de Mariana, marcou uma Visita Pastoral à Paróquia de Itaverava. Só que, no início do século passado, as viagens episcopais eram a cavalo e combinadas até ano ou anos antes.
         O Sô Vigário de Itaverava, sabendo da fama nacional, e até mesmo internacional, do preto bispo Dom Silvério, para agradá-lo reformou toda a fachada da igreja, com os mais modernos materiais encontrados no local, não deixando de modernizar suas linhas barrocas, já fora de moda, no seu pensar.
         Dom Silvério, preto, sábio e santo, como citara o Papa a seu respeito - um dos mais sábios e cultos bispos de todos os tempos no Brasil – inclusive o único bispo membro da Academia Brasileira de Letras – entendido em artes, principalmente em barroco – nascera em Congonhas - virou bicho quando viu aquela obra estapafúrdia, descaracterizando toda a fachada de uma obra prima do barroco mineiro, e agora sem linha. O dito cujo bispo, se pudesse, mandaria enforcar o Sô Vigário, mais rápido do que fizeram com o Sadam. Ainda bem que Dom Silvério não era americano e o Sô Vigário não era árabe! Ahh!... se o fossem!
         Visitando a ainda maravilhosa igreja barroca de Itaverava, admirava-me suas artes, com o sacristão, um preto reluzente e muito educado, além de um bom papo. Contou-me ele que a casa, em escombros ao lado, pertencera a um nobre barão, não sei lá das quantas. Chovia muito. Ele, lamentando e relatando-me as maravilhas da casa, disse-me que suas pinturas, muitas e valiosas, estavam debaixo daqueles escombros. Falei-lhe que iria pegar uma e levá-la para casa, para conservá-la, podendo um dia devolvê-la se assim a requisitassem.
         - Mais o Sinhô vai preso!
         - Mas quem as deixa debaixo da chuva não vai preso?
         - Sei lá! Só sei qui quem pegá elas vai preso!
         À noite, na Internet, num bate-papo em uma das salas, conversava com uma senhora, Vânia seu nome, e ela era exatamente a chefe do ISPHAN (Acho que é isso!) em Minas Gerais. Relatei-lhe o caso e ela ficou de imediatamente ver e resolver o problema – o que foi feito, diga-se de passagem. Hoje, ao lado da igreja, podemos admirar o lindo casarão – quase pronto...
Benedito C. A. Franco

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 13/06/2008