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Na Trans-amazônica, dois fatos impressionaram-me
bastante: primeiro, a quantidade de meninos barrigudos – um
criadouro de lombrigas!... E em segundo, o pouco valor dado às
meninas. Geraldo, meu irmão padre, trabalhou por lá e sua
paróquia compunha-se de 42 capelas e numa distância de uns 300
kilômetros – estrada de terra.
Geraldo apresentou-me uma menina à qual dera uma
bala, viu, enquanto ela chupava a bala, sair-lhe da boca uma
grande lombriga.
Na mesma Trans-amazônica, ao nascer um menino do
sexo masculino era ele motivo de emoção e festa, mas sendo uma
menina, era ela motivo de tristeza, pois menina não produz
sustento tanto quanto o homem. Lá, trabalhar e produzir era
quase o objetivo de vida ou morte. Quando as meninas entravam na
puberdade, os pais
empurravam-nas para os homens mais próximos e fáceis
de serem conquistados, não lhes importando se solteiros, viúvos
ou casados, assim como novos, medianos ou velhos.
Notícias de hoje, final de fevereiro de 2007, dão
conta de que na Índia, as mães estão matando as meninas
recém-nascidas, chegando a um total de dois milhões e quinhentas
mil as mortas no ano de 2006. Procurando sanar um pouco essa
catástrofe nacional, o Governo Indiano achou como solução,
instalar berços em locais públicos, para que as mães coloquem as
recém nascidas para o Governo cuidar, evitando assim suas
mortes.
Na China acontece praticamente o mesmo que na Índia,
mais por pressão do Governo que não dá assistência
previdenciária ao casal que tenha dois ou mais filhos, ou
porque, lá quem toma conta dos pais velhos são os filhos homens
– logo, ter filhos homens é uma grande vantagem.
É o mundo cão em que vivemos! Viver no Brasil é
bão dimais, né?
Benedito C. A. Franco
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 19/11/2008
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