A casa dos grandes pensadores
 
 
   

 
 

BENEDITO CELSO A. FRANCO

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Ficha Limpa: O concurso de tantas vozes do povo exprime verdadeiramente aquela que se pode chamar  a “Sinfonia de brasilidade”!... Mas existe deputado e existe senador para calar essa sinfonia...
 
         Você entendeu nossa seleção de futebol, indo para a Copa,vestida de luto?... Até o ônibus, em Brasília, era preto!
 
         É incrível como as TVs, em suas previsões de tempo, agora no tempo de friiio, só dêem as temperaturas máximas – e a gente doido para saber a mínima... e se vai preparar os casacos, as blusas de lã, os cuecões... Dá pra entender?
         NB.: “a gente doido” = mineirês...
 
 
Nem reza das brabas!
 
         Lá pelo final da década de quarenta, o povo entrou na onda de romarias e mais romarias para ver e receber as benções do Seu Vigário de Urucânia, MG, o Santo Padre Antônio. Com sua morte, em início da década de 50 – e agora mais perto de Deus - novamente a onda das romarias, para ver e tocar no túmulo de um novo Santo que surgia.
         Péssimas as estradas de terra. Nem se sonhavam com as de asfalto, não havendo ônibus, a maria-fumaça e os caminhões chegavam até lá, com muitas dificuldades e muitos sacrifícios de seus passageiros.
         Falavam-se em pessoas que largavam as bengalas e as muletas; acabavam-se as tosses dos tuberculosos; os corações entravam na linha – tanto os apaixonados quanto os de más batidas ou desritmados; os loucos varridos voltavam orientando as famílias... Milagres em quantidades e em qualidades, para santo nenhum botar defeito!
         A onda passou, mas...
         Mais ou menos em 1965, no túmulo do Padre Antônio começou a minar água. E água benta, ou o suor do Santo Padre, era o que acreditavam os pobres crédulos de quaisquer coisas. Os incréus, além de descrer, zombavam e troçavam dos pobres romeiros, mandando-os levar um pinico para coletar o xixi do Padre.
         Um meu primo, de trabalhador nada tinha, fugia de qualquer serviço como o diabo foge da cruz, apareceu no laboratório, perguntando-me se deveria ir ao túmulo pedir as bênçãos do Santo Padre Antônio, pois sentia muitas dores na coluna, impossibilitando-o de ir ao trabalho – não trabalhava, ele ia ao trabalho! Sabendo que nada tinha, a não ser vontade de não trabalhar, - só de falar em trabalho, ele gemia. Diante de sua fé – verdadeira ou não - aconselhei-o:
         - Pegue o primeiro caminhão de romeiros, e aposto que você vai voltar curadinho da silva! Tá todo mundo voltando com a saúde do Golias.
 
         Depois de uns quatro meses, apareceu-me pela frente o tal primo gemendo de dores.
         - É, Bené, um ano atrás, você me aconselhou, eu fui e o Padre Antonio me curou, trabalhei quase um ano, mas agora voltou tudo de novo. Num güento mais!
         - O último dos santos para lhe curar foi o Padre Antônio, agora nem macumba, e muito menos reza das brabas botam você pra trabalhar, ainda mais durante um ano de quatro meses!
Benedito C. A. Franco

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 31/05/2010