O Batizado
Padre Geraldo Ildeo, meu irmão, antes de se
ordenar, estagiou no Colégio Salesiano em
Santa Bárbara, cidade histórica de Minas Gerais, com
lindas igrejas barrocas e obras do Aleijadinho -
perto do também histórico Colégio do
Caraça. Devido ao gênio expansivo, granjeou grandes
e boas amizades por onde passou.
A um casal de namorados, um dos grandes
amigos, prometeu-lhe que realizaria seu casamento. E
o foi. O casal esperava um filho, a nascer
exatamente na época em que o Geraldo ordenar-se-ia
sacerdote. Acertou que o primeiro batizado seria o
do pimpolho do casal amigo. Ordenou-se em Coronel
Fabriciano pelo Exmo. Revmo. Sr. Bispo Dom Lelis
Lara, amigo de nossa Família e que foi meu
professor em Congonhas.
Nomeado para Belo Horizonte, no Colégio
Salesiano, recebeu os amigos, inclusive o casal de
Santa Bárbara, agora morador de Belo Horizonte;
lembrou-se a promessa do batizado e desta vez
prometida e comprometida - marcaram para o domingo
seguinte, bem cedo, uma vez que o padre teria vários
compromissos, mas pela manhã sobraria o tempo
necessário.
Padre Geraldo eufórico de realizar seu
primeiro batizado depois de ordenado, inclusive por
ser de um filho do casal tão querido - dose dupla de
satisfação.
No domingo, acordando bem cedo, saía para
fazer o tal batizado, quando um irmão leigo do
colégio avisou-lhe que na portaria uma senhora
esperava conseguir falar com ele.
- Pois não! Vamos lá! Dirigiu-se à
portaria.
Encontrou uma senhora humilde, com um neném
no colo.
- Sô Pade... eu ganhei esse minino tem
uns dia; eu ia gostá de batizá ele, mais como sô
prostituta lá da zona, fiquei cum medo e cum
vergonha... mais, uma colega minha disse qui
conhecia uma senhora qui ia muito na igreja e qui eu
pudia falá com ela; eu procurei ela e ela me disse
pra procurá o sinhô aqui no culéjo... eu quiria
tanto qui meu minino fosse batizado, como minha mãe
me recomendô e feis cumigo... e agora que ele tá
muito duente, tá nas urtima, eu vim dipressa cá pra
falá cum o Sinhô...
Esse foi o primeiro batizado realizado pelo
Padre Geraldo Ildeo Franco...
Benedito Franco
*** A Chica, minha irmã, chegou à minha casa e
pediu para levar Tatiana e Fernanda, três e quatro
anos, ao supermercado. Consentimos, a mãe e eu,
dizendo-lhe que as meninas estavam acostumadas a ir,
inclusive lhe ensinariam o caminho – o supermercado
ficava bem perto de nossa residência. Além do mais,
como sempre acontecia, nada pediriam.
Como a Chica demorava um pouco mais do
esperado, resolvemos ir atrás. Em lá chegando,
estavam as duas meninas numa pirraça só, um choro de
chamar a atenção, pois queriam tudo que viam.
Ficamos todos envergonhados com a atitude das duas,
desmentindo-nos em nossos elogios antecipados - pai
e mãe...