A casa dos grandes pensadores
 
 

BENEDITO CELSO A. FRANCO

 
 
Vez ou outra a gente se recorda de algo que se arrepende: -Se fosse hoje, com a experiência que tenho, eu faria assim ou assado. Contudo, nossos erros passados nos reforçam os acertos mais recentes. Já diziam os romanos: ErrandO diScitur! (É errando que a gente aprende!).
 
         Será que, em Recife, quando o Lula passou mal, ele entrou na fila do hospital?... Teria sido ótimo, não acha?...
 
 
RIO DE JANEIRO
 
O Cantor
 
No Rio, as aulas do Curso de Química terminavam às 23.30h. Para a Escola ia eu a pé, e para voltar pegava o bonde que passava pelo Largo do Machado – morava no Catete. No Largo, um dos melhores cines do Rio, e talvez o maior: o Cine São Luis.
Numa das noites haveria uma avant-premierE de um dos famosos filmes de Hollywood, com a mais famosa das estrelas do cinema, na época, a Sofia Loren – um monumento de mulher. Contudo, quem apareceu para a avant foi o protagonista do filme, também famoso – não tanto quanto, mas famosíssimo. Tenho boa memória, mas nomes de pessoas não os guardo – ainda mais artista americano, apesar de nossas televisões nos bombardear, dia e noite, com notícias e esses nomes americanos.  
Os bondes paravam exatamente em frente ao Cine São Luis - ao lado uma imensa garagem e oficina da Light – a  concessionária da luz e dos bondes.
         Naquela noite, já na ida para a Escola, deu para notar o enorme movimento de gente nas mediações do Cine São Luis. Na volta, mais confusão ainda, pois exatamente no horário do término do filme. O tal artista, acompanhado e protegido por alguns militares, saía do Cine. No momento que o bonde iria parar, os militares, encurralados pelo povo, simplesmente empurraram o artista para cima do bonde, no banco em que eu me assentava, ordenando ao motorneiro a seguir  – os militares se colocaram nos estribos, não permitindo alguém subir. A uns duzentos metros na frente, ouço alguém cantando um trecho de uma ópera - Nessum dorma de Turandot  de Puccini. Aquilo chamou mais atenção que o artista hollywoodiano! A voz me era conhecida. Virei-me para trás... e quem vejo? O Afrânio Castañon, antigo colega do Seminário em Congonhas – quando me viu, começou a cantar a todo pulmão. Assustou os soldados. O astro admirou e gostou. Os passageiros e eu, por instantes, nos esquecemos do artista e apreciamos o belo canto!
        O Castañon, além de um grande tenor, era o solista de nosso coro, e sua voz, quando cantávamos na enorme e maravilhosa Matriz de Nossa Senhora da Conceição, encantava a todos os fieis e enchia o ambiente – a Matriz está abandonada, caindo aos pedaços, como, de uma maneira geral, as obras de arte em nossas Minas Gerais – principalmente nosso barroco.
 
Você, sua Família ou amigos podem ser doadores de órgão ou de medula... Procurem saber como...
 
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Veja também: www.paralerepensar.com.br/beneditofranco.htm 
 
Caros Amigos, como não possuo banda-larga, peço-lhes não me enviar emails com mensagens longas. Grato antecipadamente. BFranco
Benedito C. A. Franco

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 03/02/2010