- A maior criação de
Deus – e a que mais nos
encanta - não
foi o universo, nem o homem e muito menos a mulher...
foram os netinhos! Quem os tem que o diga!
-
-
-
O funcionário
-
-
Pouco mais de um mês atrás, minha filha, esposo
e os filhos estiveram em minha casa.
-
Como minha loja ocupa o primeiro andar e minha
morada o segundo, meu neto Luis Felipe, dez anos, passou
a maior parte do tempo na loja. Seu entusiasmo, como
funcionário, foi o desejável para qualquer
empregado. Cada cliente que entrava, ia ele atender,
oferecendo-lhe um cartão que ele confeccionou, constando
de um carimbo da loja e mais o número do telefone que
ele escreveu.
-
Alguns dias depois, indo a mãe a Governador
Valadares, para tirar passaporte para si e os filhos,
quando chegou a vez do Luis Felipe ser argüido pelo
policial federal, este lhe perguntou o que fazia.
-
- Sou funcionário da loja de meu Avô!
-
- O que? Estranhou admirado o policial.
-
Nessa hora a mãe entrou na conversa e explicou
ao policial que a família havia passado alguns dias em
minha casa e que o Luis Felipe freqüentava a loja e se
considerou um verdadeiro funcionário.
-
-
Estive em Acesita e hospedei-me na casa da
Tatiana.
-
Luis Felipe se lembrou da loja e resolveu
montar a sua com seus brinquedos não mais usados. Para
isso organizou-os perto do portão de entrada da casa e
oferecia-os a quem passasse.
-
- João Pedro, onde está o Luis Felipe?
Perguntou a mãe.
-
- Ele foi até ao supermercado, dizendo que
iria arranjar mais clientes...
-
- ...esse Luis Felipe está muito
empolgado... mas não pode sair sem me avisar...
-
No supermercado, a um quarteirão de sua casa,
Luis Felipe conquistou dois clientes – um deles lhe
comprou trinta e cinco reais e o outro uns dez, mais
dois dólares. Numa loja não legalizada, dólar é legal!
-
-
- Ô Vô, acho que vou trabalhar na sua
loja... Posso?
-
- Pode. Mas você terá que se mudar para
Lafaiete.
-
- Acho que para Lafaiete a mamãe não vai me
deixar ir, pois tenho que estudar no Colégio Batista.
-
- Eu lhe dou a minha loja e a trazemos para cá.
-
- Ah! Mas o transporte é muito caro. É
impossível!
-
- Nada disso, o transporte é barato.
-
Pensou, pensou e depois de uma pequena pausa:
-
- Ô Vô, sua loja tá muito complicada!...
-
-
- Ô mãe, deixa eu abrir minha loja hoje?...
Benedito C. A. Franco
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 23/11/2010
|
|