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UUSS têm... França tem...
Inglaterra tem... China tem... Índia tem... Rússia tem...
Israel tem...
- Iraque não
pode ter... Brasil não pode ter... Iran não pode ter...
Argentina não pode ter... África não pode ter... ...
- ... todos
não poderiam ter...
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...?
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O imposto
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Trabalhava eu com minha irmã
Celma Deuze - Deuzinha, para a família e amigos - em seu
laboratório de análises clínicas em Coronel Fabriciano.
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No laboratório
acontecia cada uma...
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Um dia necessitei de água do
mar, para preparar uma solução para cultura microbiológica.
Só que estava em Minas Gerais e, como todos sabem, não há
mar em Minas Gerais. Pensei até em ir a Vitória, o mar mais
próximo de Fabriciano, pois a solução era imprescindível.
Difícil de acreditar, mas alguém me informou que a Maria das
Graças do Zé da
Sianinha tinha ido conhecer o mar e teria trazido alguns
litros de água do mar. Como a notícia se espalhou,
apareceram a Maria do Socorro do João de Deus, a Maria do
Bentinho, a Maria Isidora do Zé do Sô Nonô e Marias mais e
tais de Joãos e Josés trazendo litros e mais litros da
bendita água. Dá para acreditar?... Água do mar em Minas
Gerais!
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Barrado na porta
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Celma tirou alguns dias de
folga, indo para Guarapari visitar o irmão José Maurício,
deixando-me a incumbência de pagar, sem falta, um imposto no
Banco do Brasil na agência de Acesita, aliás, na época, a
única do BB na região.
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No dia do vencimento, às três
e cinqüenta da tarde, lembrei-me do tal pagamento do
imposto. Eu em Fabriciano e o banco fechava às quatro em
Acesita, outro município. Peguei o carro, um Vemag, saí
afoito feito um foguete. Chegando à porta do banco,
encontrei um funcionário fechando-a. Cumprimentei-o,
dando-lhe um pequeno sorriso perturbado e de sengracês, mas
ele levou a palma da mão à frente indicando-me que não seria
possível entrar - dessorri. Expliquei-lhe a urgência do
pagamento e que, por recomendação da Dra Celma, sua
conhecida, o imposto não poderia deixar de ser pago naquela
data.
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Apesar de pedidos e apelos,
explicações e argumentos, o funcionário acabou barrando
minha entrada. Fechou as duas bandas da porta, virou as
costas e entrou, sem mesmo me cumprimentar. É bom lembrar
que na época não havia computadores e pagamento cinco
minutos ou uma hora depois do expediente normal não faria
diferença para o banco - acontecia e muito com os
conhecidos ou amigos, assim como com os clientes especiais.
Para dizer a verdade, até mesmo telefone para Belo Horizonte
acho que ainda não existia e nem os carros fortes de hoje.
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Sem graça, chateado e
preocupado, voltei para o trabalho. No momento tive raiva do
funcionário e antipatia para com o Banco do Brasil.
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No laboratório... Deus lhe pague!
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Com exames para se terminar
ainda naquele dia, atrasado pela ida a Acesita, fiquei só,
além do expediente, após os funcionários deixarem o prédio.
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Cansado e, terminado o
serviço, fechando a porta que dá para uma escada
encaracolada, com u'a mão na chave ainda na fechadura e a
outra no interruptor, tendo inclusive apagado as
luzes, parei, pois percebi alguém chegando, adentrando e
começando a subir a escada... Caminhava devagar e
cautelosamente, deu para perceber. Qual não foi meu susto...
quem vejo surgir na curva da escada e sem olhar para cima
para me ver, porquanto um pouco de luz existente vinha da
parte debaixo da entrada do laboratório donde vinha ele... o
funcionário do Banco do Brasil que barrou minha entrada,
duas horas antes.
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Acendi as luzes. O
funcionário olhou para cima e me viu, reconhecendo-me...
percebi que ele branqueou, estremeceu, gelou - susto maior
ainda que o meu! - E agora sem graça, demonstrando
preocupação e até mesmo tremendo, subindo e pisando cada
degrau devagar e indeciso. Tornei a abrir a porta e na sala
de espera, recebi-o naturalmente. Ele, após um suspiro
profundo, pausadamente e estendendo a mão com um pequeno
embrulho, disse-me:
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- Chegando à
minha casa não encontrei minha mulher e a filha. A vizinha
veio a meu encontro informar-me que tinham ido para o
hospital, pois minha filha passava muito mal. O médico pediu
alguns exames bioquímicos e que só se realizam em seu
laboratório. Aqui está o sangue, retirado pelo funcionário
do laboratório do hospital.
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- Pois, não.
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Li o pedido do médico,
informei-lhe que os exames bioquímicos seriam realizados por
mim, independendo da Celma. Bastava esperar algumas
horas para ele mesmo levar o resultado. Começaria naquele
momento.
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Sentou-se cabisbaixo. Em
silêncio esperou até à meia noite.
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Sem trocarmos uma única
palavra todo o tempo, recebendo o resultado, e mais um
suspiro profundo, pagou-me e abaixando a cabeça:
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- Deus lhe pague!
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E se foi...
Benedito C. A. Franco
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
- 26/03/2008
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